26 de jul. de 2018

(Notas sobre a) Travessia

Há essa longa jornada
de se ser o que se é,
Uma marcha no deserto
que não sai do lugar,
Como se fossemos totens
cravados na areia
mas seguimos, autenticamente,
como árvores que caminham...

O deserto fica
entre o jardim da infância
& o oceano do nada,
Quando partimos
jazem em nossos ossos abandonados
& nas lágrimas das emoções
um pouco do que foi
& do que será...

& vamos crê-sendo;
Crescer na travessia é se equilibrar
(areia, mar, ar, andar)
entre o corpo que se afoga
& a mente que aprende a voar
(areias, mares, ares, andares)...

Há os que sucumbem
como um todo ao afogamento
da gravidade da vida
& a forca do real;
& há os que se perdem
nas alturas da leveza da ida
& na loucura dos raios do sol...

Há essa longa jornada
& o que nos salva de nos perder
são os encontros,
Pois dois perdidos que se abraçam
já não estão perdidos mais...

É por isso que vale a pena
um sorriso, um olá,
Vale mais que ouro
no garimpar arrastar dos pés,
Vale mais um abraço de um vivo
do que o enlace dos mortos...

Faz-se então a grande mágicka
O deserto sob os pés
é levado ao espírito
& assim se perfuma como o jardim,
na imaginação
o árido se torna riso
fluindo o ser que deságua no α-mar...

Faz-se então a grande renúncia
O que ficou para trás
& o que está à frente
não importam mais,
Guarda de tais o doce & o amargo,
mas o que vale é a suavidade
de não estarmos sós...

Há essa longa jornada
travessia de um dia de cada vez
Círculos dentro de círculos,
Observe o que seus olhos não vêem
& a memória esqueceu:
O ponto de retorno na linha reta
as ilusões do tempo & das metas...

Está sempre lá,
a cada passo
a cada reencontro,
um pouco do que foi ou ficou,
O sentido da marcha
a ida sem volta
até conseguir o que se almejou...

Nesse momento
já estamos no paraíso,
a eternidade é para sempre
no passado também,
Nesse momento
nem sequer partimos,
pois só sabemos o que procuramos
ao encontrar
(em com trArte)...

É a grande derrota
a entrega total
uma vitória inexistente
Armistício, trégua sem igual
Um intervalo na inexistência,
Aproveite para se deliciar
na longa & seca estrada
misture o doce do jardim
& o amargor sal do mar...

& o deserto cresce/diminui
Ele é a sorte, é a vida
O Sertão certeiro
lugar único de se estar;
Um oceano,
do modo que você encarar,
Vazante dos sonhos & memórias
que um dia se partiu
& para essa calma vai voltar...

Nas areias
aprendemos a navegar
(A carência ensina o valor)
Nos encontros,
corpos que se chocam,
aprendemos a negar
a morte, a solidão, a fome, toda dor,
Diante do abismo um do outro
nos jogamos,
O bom é voar, mas se caímos,
juntos aprendemos como usar
as asas & outros recursos...

Assim, somos mais do que poeira
jogada ao vento pra lá & para cá,
Na longa jornada
tão curta como um passo em falso
Enraizados no cadafalso
ou caminhando
todos chegamos,
longe ou perto,
onde temos que chegar...

Minhas voltas são nos dias
tempo longo ou curto,
não ousei contar,
que te revejo & beijo
o sentido de ainda caminhar,
Se você não é meu destino
não sei então o que é amar...

Há, essa longa jor-nada
Travessia/travessura
a brincadeira de signi-ficar,
Tudo será dado
nada haverá para se tomar,
Cada um se fez ao caminhar
mas se fizeram mais
quem soube deixar se achar,
significando um para o outro
o momento de se encontrar...

Brilho nos olhos
lágrimas onde devem estar,
Leveza & peso
fomos feitos mesmo para carregar,
o peso dos passos
nenhum caminho percorrido há de pesar ao ponto de prender,
Livres então,
para nos achar,
concedemos nos perder...

Ao nada ou nada
Ar, fogo, repousar
reflorestar reflorir,
ao mar, amar,
De certo aprender
mas também ensinar,
nômades dos nós que desfizemos
Vou atravessando
porque vale a pena
o que quero encontrαr...

Há essa
justa jornada:
Travessia!

20 de jul. de 2018

Destino

...Estrelas,
extremo convite à imortalidade
Quem nunca ouviu seu chamado
nem sequer nasceu
Vir à vida
& ao despertar que é crescer
Um dia erguendo os olhos
nos toma de surpresa
a certeza de que existimos
para subir até elas,
Estrelas...

17 de jul. de 2018

Eu Só Existia Sob Teu Olhar

do
Teu corpo lar
saudade...
Do sal do sol do teu olhar,
do
Sempre perto de ti
distante...
No tempo espaço desamparo,
agora
Toco a dor por ela te substituir
mal, matando...
Doer esperança
ou nada,
de lágrimas & lembranças
Carne Memória...
fadiga sua,
Nasci & morri
nos dias perto perto ti...

11 de jul. de 2018

Imprιnτιng

Novamente na madrugada
a luα adaga corta as nuvens
como o frio corta os ossos,
Corte igual me lacera
só de tocar com o pensamento em você,
Dói, porque há distâncias que nos encontram
sem procurarmos as percorrer,
Elas nos ligam & separam,
Vem no comum
não comunicado da memória
presa aos lugares
mesmo na madrugada
quando nunca a vi...

Saio para a ruα
que nunca me indaga
sobre o que quero pensar,
& infalivelmente é sempre em você,
Um pe(n)sar que vem
como nuvem ou sombra
me tomando sem surpresa
pelos lugares que repetem seu nome
& o lume de sua outrora presença...

Uma tempestade branda
mistura de tesão & choro
que turva o clima
como distorce a realidade
vem para unir & separar,
pra não me deixar esquecer
de querer a felicidade especial
de te αmαr...

Sai nova da mente,
luα, αnα, ruα,
céu escuro & diα de luz
de nuvens escondidas
& frio de época
com o calor que não se prende,
Tudo é tua perda
& coisas que não se acham mais,
pois já se foi o tempo,
mesmo que o espaço
ainda me leve/pese à você...

& nesse 'levar'
pesar das consequências,
sou só um perdido,
& homens perdidos também amam,
Pois todo lugar & tempo
é rumo que não vai,
são horas que não vem
Não voltam mais
mas falam d'Ela!

6 de jul. de 2018

Sigizia

Todo grito
   começa em um silêncio...
Qual o silêncio dos teus gemidos?
Todo gozo
   vem amarado ao choro...
Qual o choro das tuas alegrias?
Toda despedida
   começa com um encontro...
Onde se encontra tuas perdições?

Coisas partes
   metades que abraçadas
      afagam-afogam-se
         & deságuam
              ambas
   em represas ambigüidades
        libertas em si
    quando sentidas totais...

Ferida que não separa
    junta de cisão
   que une dor, ardor,
                 amor & paixão,
Como se tudo fosse o que é:
-uma coisa só... & acompanhada!

1 de jul. de 2018

Véu

Duas vezes adormecido,
 eu o sei
   pelas vezes que despertei...
Vi a Lua
  à Oeste
    & o mínimo clarão da Estrela
       que com ela ia...
Na madrugada
   não procurava nada
      & encontrei tudo...
Vi no Céu,
   que não era seu,
      a certeira divisão do espaço
    de onde era dia raiando
       & onde ainda
    era noite profunda...
& lá onde era mais escuro
   via a Lua & a Estrela
      que dançava com ela...
Duas vezes adormecido
   eu o sei,
       mil vezes, uma eternidade,
   esperando despertar...
Fiz com que me incomodasse
   o suave clarão da Lua
   & o som do movimento da Estrela,
      leve, que baila longe
   para fazer-me reparar
      todo meu bem & meu mal
   ou antes, você & eu...
Tudo isso,
   solidão adentro
      do tempo cindido
   pela noite & mais noite ainda
      que já eram dia...
& então redespertar,
    sem nada nas mãos,
   para voltar a compor
      meus versos de amor por você...
Tem que tornar
   a própria madrugada
      menos pesada,
& trazer tudo para manhã
   mais uma vez...
Eu sou a Aurora
   & a mais Escura Hora
      de mãos dadas...
Eu sei! E você?