9 de dez. de 2025

Chuva/Feed

 

Toda essa água caindo
Todo esse calor subindo
A mente em entropia
Resfriada pelo frio do feed

O vento fresco veio trazendo a chuva fina
& a chuva fina trouxe o frio doce
Mas não varreu a certeza do calor das ruas

Dentro do meu jarro de osso craniano
Calculo o atraso para chegar em casa
Repasso os passos pelo desabrigo da tarde
   que se vai em noite

Dentro dos tambores rolantes
Os deslumbrados que rolam o feed
   estão todos tele-encantados
Com um futuro que ninguém vai ter

Olhando a tela
São iguais a quem olha o clima
   uns pra baixo, os outros pra cima
Só não percebem
   que cada estação tem seu espaço
      & que a tela come seu tempo

& para nós que não nos perdemos em pensamento
& nem nos entretemos em passatempo
Fica a liberdade de escolher
   entre a raiva & a resignação

É claro que há uma terceira opção
Mas a serenidade é como o passar do feed
   ou o passar da chuva
Ela comporta um espectro de liberdade que só quem zela
   do que entra pelas olhos, pelos poros,
      sabe entender



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