O nó desta messe
Rompido ao fio da corrupção
Ainda em silêncio aquece
Os dias que se repetem
Já há um bom milênio
Não trarão novidades nesse ano
Está tudo em suspensão
No fogo do gelo da maldade
Esperando começar o Verão
O nó desta messe
Rompido ao fio da corrupção
Ainda em silêncio aquece
Os dias que se repetem
Já há um bom milênio
Não trarão novidades nesse ano
Está tudo em suspensão
No fogo do gelo da maldade
Esperando começar o Verão
Para esse Outubro está bom...
Já deu!
Primavera & não Outono é em que vivemos
esperando novidades
que em Novembro não veremos
Virão ainda Verões...
Logo nos purgarão...
outros tempos...
Mas para esse Outubro está bom!
Outros tempos teremos...
Estações... partidas, chegadas...
permanecendo!
Nessa messe em que o círculo dá a volta
contorce dentro de si
faz seu nó & aperta
Amarramos o passado
& nos desdobramos ao fado
& seguimos na mesma estrada
só que outra, alternada
ou não!
Ouvi dizer:
Outros Outubros virão...
& o futuro
...telegrafando para o passado...
não suas verdades
mas as concussões
de um choque com a realidade
Meu insignificante futuro
mediante as conclusões
de meus próprios atos
O que uma hora era cegueira
pura inconsciência
mergulhada na penumbra da indefinição
Agora se enrijesse
se vira de costa, para o outro lado do fluxo
& manda mensagens
Ao meu insignificante passado
o início do curso
& o núcleo duro
...semi-grafando para o iletrado...
somente tão puras duas metades
frente a frete no espelho
Qual delas é corpo? Qual delas é a forma?
Qual delas é a cópia?
Reflexo & refletido
se tornando uma só parte agora
É isso que chamamos aprendizado
nos extertores da compreensão
É isso que chamamos finalização
um final & um início realizado
Reflexo. Reflexão.
Para além do tempo & do lugar
que ao final somos nós, uma coisa só
Unidade de acerto & erro
destinado a também virar pó
hoje a raiva está menor trocada por um semi-tesão brochado que remete ao que foi um dia amor por algo & crença na liberdade
no meio da leitura de um livro selvagem penso em um ritual qualquer para penetrar em toda essa escuridão me afundar em um modo de não pensar & ser absorvido pela entidade corrompida que se apossou de todos nós & alcançar algum nada além que explique e dissolva essa realidade
espírito do contra-tempo garotos selvagens back-rooms primeiro impacto guerra civil revanche ilegal ou imoral para além da cultura paira nas redes uma advertência para ficar em casa NÃO SAIA PARA RUA uma reverberação de outros tempos pandêmicos uma evidente ironia em si
com tudo engessado em gelo-aço ainda as relações de armistício de pessoas pacatas não dispostas a perder sua própria paz sinto lento se decompor o coração armado mediante a promessa-desejo de convulsão & que tudo, sempre, é uma chance para o anarquismo
cada um cuida de si mediante as lembranças das poucas horas depois do resultado das urnas a primeira coisa que pensei ao ver a definição do resultado foi QUE ABSURDO!
a euforia dos vitoriosos o choque dos perdedores cabe à esses acharem um modo de seguir em frente enquanto aqueles desfrutam da inconsequência de se expressarem imbecilmente alegres
o ritual inpirado consiste invocar deus-diabo para justificar a derrota-vitória sob a luz das estrelas & tornar logo ex-treta em cotidiano para que crimes não sejam cometidos já há in-justiça demais sendo cometidas pelos arcontes amaldiçoados sempre serão amaldiçoados sempre seremos sempre fomos
sacrifico a criança da raiva derramo o sangue-suor-lágrima sobre o altar-palco-picadeiro da infâmia HOJE TUDO EXIGE SILÊNCIO para que haja um amanhã onde a vergonha de ser brasileiro não esteja na mente de quem ainda tenha capacidade de sentir vergonha A AÇÃO COMEÇA DEPOIS QUE A RAIVA PASSAR
é o tempo do esforço profundo para compreender entre a festa & o luto o absurdo & o plausível a raiva & a euforia não individualizar a culpa coletiva não socializar a inocência individual estamos no jogo da kryia-yoga estamos no fluxo do doloroso despertar não mais efeitos sem causas crenças não mais atos sem consequências impunidade mas o momento da colheita onde tal coincidência de opostos sonâmbulos emanam enfim o consciente desperto
& assim do ritual emerge o que pode haver de mais sagrado & banal força & paz interior & que se propague...
Aqui no meio do oceano
Quando os ventos cessam
& eu posso descansar
...fico a pensar em outras vastidões
acima do meu casco
para onde aponta o mastro
Deve haver lá fora
Parte desta mesma natureza
aqui dentro
Lá em cima
Parte desta mesma sutileza
aqui em baixo
Oceanos de céus pesados
sob oceanos de águas leves
Sob o julgo de outras marés
Mundos com oceanos congelados
Orbes órfãs naufragadas no éter
Estrelas com as quais não se pode guiar
Fossas gravitacionais que engolem luz
Abismos sobre abismos
onde velejar é só um sinônimo
de nunca mais aportar
Sono eterno dentro das coisas...
Dorme dentro os sonhos
Necessitados de serem esculpidos
Carentes de serem paridos
Escapulirem da bruta informa
Na semente remorta
Na pedra informe
Na nuvem revolta
Na febre profunda
Em carne dormente doente
Queima o fogo
O cinzel, a espátula, martelo
Queima a pedra que cai do céu
Trazendo ferro para a espada
Sono eterno dentro das coisas...
A serem transmutadas
Cozidas, desabrochadas, despertas
Violadas até terem utilidade
Como a forma que dorme
Até dentro do tempo
Conformando nossos dias
Até o dia da morte
Do sono à forma
À forja ao fogo
À forma um nodo
Desperto desespero ao olho
& depois desaparecer de novo...
A luta eterna de um momento
contra a veste
...tecido, couro, metal...
Despir-se de todo ódio
& não ter a vergonha invertida
dessa nudez
Mas é tão difícil
quando verdadeiramente
há o que
& os que merecem ser odiados
Despir-me
de toda veste
...véu, fantasia, armadura...
abdicar de sentir ódio
mesmo do que mereça
Será antes purificar
evitar, distanciar-se
Sujar as mãos pela liberdade
não pela prisão!
A mão na boca
para calar-se?
A mão nos ouvidos
para desconectar-se!
A mão nos olhos...
neguemo-nos a fazer,
para ver
onde não pisar...
Despir-se da mortalha
...casca, concreto, carne, palavra...
Sacudir a poeira do disfarce
nada de santidade
ou promiscuidade
Apenas nu
não odiar mais
Atravessei no sono
Um vale sem valor
Que deslizava no tempo
Como faca que entra na carne sem dor
Trilha de lêsmia
De um Maldoror ou Macondo invertidos
Meu coração arrancado
Escorregando esvai sobre o desmundo
Meus sonhos carregam a terra devastada
& as cidades de entulhos & escombros
Com paredes sépias descascadas
Onde me abrigo mas não me escondo
Todos os lugares
Casas, prédios, banheiros, ruas...
São vastas habitações de um cômodo só
Por onde passo & cruzo com outros eus
Nos tempos longínquos paralelos
Dos dias & noites dentro dos sonhos
Dos momentos & encontros descabidos
Vem minha esperança de lugares melhores
todo voto é inútil quando o eleito tem como útil seus projetos pessoais
a fome de justiça nacional com malária, dengue, febre, lepra
& os podrerosos defendendo democracia apenas para fugirem da cadeia
a prisão eleitoral nas garras dos tribunais em algazarra
suas consciências, seus corpos, seus filhos, cus & almas, todos comprados
falsos cristãos, falsos socialistas, falsos liberais, verdadeiros corruptos
falsos seres humanos fingindo serem gente apenas pra ter voto do povo
vote no monstro, vote no facínora, vote na nulidade humana, no bandido, no palhaço, no assassino
com a miséria material & a ignorância espiritual bem nutridas
a arma na mão, a lei na fossa, o chicote nas costas, a mentira na boca, os bilhões no bolso...
...& ainda há quem crê, há quem vote