///Piloto de uma vida / consciência que se guia no mundo... Carro parado, correndo / Trem nos trilhos / Navio naufragado / Avião kamikase... o piloto está on///
Na avenida, desço atrás de L., ela está para me contar algo que nunca havia ouvido / ou sentido... / A pura constatação extraída por um aparelho cognitivo, desvendando um anagrama assim composto para evitar-engendrar maldade / Pois é assim que as mulheres nos querem destruídos/ Sabendo a verdade de suas volúpias / Às quais inocentemente nos apaixonamos...
Como? Você não é virgem? Como? Um homem já te tocou intimamente? Como? Você se guardou por muito tempo & deu pra qualquer um? / Por que você está me contando isso?
Todo ato de amor exige perdão / Todo ato de continuar amando exige você aceitar o que antes era impensável!
A.L. apresenta-se aos meus olhos como a quimera de um filme presa à fitas VHS de uma locadora / Eu a vejo uma, duas... vezes por semana / Nem sei quando me perdi de paixão por ela / &, aliás, o tempo é um fator-desfato nessa i-relação / 23 anos de diferença?
O filme rola / Lembro da única vez que poderíamos ter colidido / Eu me recolhi/ Os anos, o dinheiro, os tempos, o que quer que chame de covardia travestido de preguiça maquiado de responsabilidade cheirando ao conforto de ser infeliz...
Se tornou então um amor platônico bombardeado de toda dor que a diferença de idade pode excretar...
Todo amor exige coragem / Todo ato de continuar amando exige a responsabilidade insuportável de suportar fazer o outro & ser feito... infeliz!
Conheci A.C. dentro de um fosso escuro cheirando à cerveja & eucalipto / Ela lembrava fisicamente L. e tinha o mesmo primeiro nome de A.L., à qual lembrava também por certa personalidade libertina / Ela foi o pior & o melhor que aconteceu em minha vida...
Passamos décadas e m seis meses infringindo dor um ao outro / Eu deleitando com o que nunca tive / Ela suportando & recebendo o que nunca pensou suportar ou receber / Ferimos não só nós dois, mas três, talvez quatro ou cinco / & no final nos despedimos falando de fome / & tudo que os livramentos desatadores de nós significasse para mim / & como sempre, tudo significava para ela: nada!
Todo amor exige loucura / Todo ato de continuar amando está sob a tutela da razão que guia a vida... nisso os insanos se protegem dos sofrimentos!
A nave louca assim continua / Continua à deriva / O capitão ainda está no navio / Ele sempre afunda com ele, por isso sabe nadar / O piloto pode se ejetar, mas há o tempo hábil / O piloto pode queimar dentro do carro... depois de derrapar na próxima curva...
O amor não exige sobreviventes (ele nunca pensou nisso) / Todo ato de amar (esse sim) inconscientemente percebe a sobrevivência depois de um fim!
///Eu só quero a paz do homem que viu o que poderia ser & ter, porém não realizou, mas ainda tem amor em si o suficiente, para saber que um dia ainda pode ser amado como deseja... mesmo com os carros batidos, os navios afundados, as naves abatidas, o coração dilacerado, a mente traumatizada, o corpo envelhecido... & mesmo assim... quer amar!///











