As coisas engastalhadas
Que pensamos que as águas do rio da vida
Tivessem levadas...
Muitas vezes emergem de novo
Na época de seca
Eu tenho medo que elas voltem para ficar
No final da vida...
Lembranças ruins, erros que cometemos
Coisas que pensamos ter perdoado
Esquecido, enterrado, superado
Essas coisas que ficaram engastalhadas
Na margem do rio da vida
Que pensamos ter deixado para trás
Eu tenho medo que voltem
Emerjam, estejam lá, na mesma margem
No mesmo lugar, ou na foz do rio
Onde ele desagua no mar...
& muitas vezes pensamos que estamos no rio
A correr com a água
Cremos estar no fluxo, no curso
Pensamos ser um barco na correnteza
Mas somos um barranco
Erodindo na correnteza
Muitas vezes somos enseadas
Ou fundo do rio onde tudo afoga
Remansos calmo ao lado da corrente
Muitas vezes somos fossos de remoinhos
Valas cobertas de água pesada
Que só guarda lama
Rolam as águas
Mas vez ou outra volta lembranças dos engastalhos
Funis, cachoeiras, quebradeiras, sumidouros
Muitas vezes voltam falhas
Pecados, ressentimentos
Que as águas não levaram
Ou apenas se puseram deitadas
Encobertas pela alta água
Riovida mais abaixo
Barrancos, sevas, balsas, pesqueiros
Galheiras, bancos de areia, mangues
Engasta-anzóis, barreiros, pântanos
Nascentes, vida rio, foz...
Nos meios, beiradas, rasos
Fundos de tudo... nós!











