Iluminados pelo cansaço
Curados pelo sono
Na curva da vida,
na queda da cachoeira
No vazio do espaço
o silêncio do deus
Fortalecidos pelos sonhos
Blindados pela pele
que desaprendeu com o chicote
Abençoados pelo esquecimento...
A língua trincada
da secura atmosférica
Ar de deserto do hálito
água de mar das lagrimas
seca carne do coração
exaurido de pulsar sangue & etanol
O cu doendo
de tanto defecar
Pois o conhecimento
é o excremento de toda experiência
& não paramos de experimentar
& saber
& ignorar
O corpo alinha na rinha
entre dor constante
& prazeres cada vez mais fugazes
Ficamos mais inaptos em sentir
& excelentes em fingir
A mente oxigena rápido
até os pulmões queimarem
para estantanear
o que não cessa de passar
Da inconsciência vem reverberâncias
essa música repetida
essa situação que não passa
esse incômodo que não identifico
essa história repetida que sou eu
Do sono
o melhor é o tempo não vivido
que passou & não vimos
Do sono o bônus da indigestão
que causa os pesadelos
que nos fazem agarrar
o despertar
O cotidiano então parece
um papel caborno que se usou muito
folha após folha, dia após dia
copiando em duas vias o que se viveu
& o que se deixou de viver
uma via para arquivar
outra para jogar no fogo do sol
Que um dia assim como nos iniciou
nos encerrará








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