Volto
ao túmulo que me dá vida
Me enterrarei ali
por mais um ano
Sendo a peça
na máquina de terra que funciona
De um lado entra carne
no meio do processo serviço
do outro sai remuneração
Somos enfim um ser... viço... so...
um ente de fazer algo
No trabalho
para além de tudo no ócio
Até o esforço máximo
para economizar migalhas
Mil galhas da carcaça
do boi desviante que puxa carroça
Vou adentrar nessa tumba
me transformar em silêncio
que reorganiza o barulho
Vou cumprir a tarefa
representar a farsa do trabalho
para receber o agrado do salário
Vou gargalhar para mim
sorrir para os outros
& chorar para ninguém
Pois o trabalho não liberta
ele só nos aquieta
dentro de sua servidão compensada!











