Assim que o Atlântico congelar
atravessaremos andando
para os velhos mundos
Arrastando os pés no gelo
que unirão continentes
Deixando rastro que serão apagados
pelo vento frio de novos desertos
& os polos serão trópicos...
Nuvens altas passarão atrás de nuven baixas
moendo em fricção
enxames de gafanhotos
Que migrarão para o rodízio hemisférico
enquanto insetos & parasitas banqueteiam
morreremos das fomes sazonais
Coletores do que plantaram & não plantaram...
& a Terra voltará à sua origem
não será mais Inferno
mas Paraíso
& anjos símios transgêneros
reinarão nos céus
sem inveja do Criador
Pois serão primatas secundários...
As massas de terras reagrupadas
unirão reenfim em tribos
sociedades antes separadas
por fronteiras & mares & ares
Sob a tutela de continentes que se chocam
no abraço telúrico
eras & eras separados
à deriva no impulso não da história
Mas da geopsicologia dos indivíduos...
Os futuros continentes
serão psicológicos
Fervendo em água quente
ou congelados trópicos
Haverá um caminho rente
quase ontológico
De volta ao útero inerente
ou puramente escatológico
para o que nunca foi nossa casa
mas é nosso berço...











