Quando isso vai terminar?
É a pergunta durante toda estação...
& um órgão que não existe mais
vai parar de telegrafar conforto
Um sentido, uma inspiração
que esquecemos como usar
Vai parar de nos desassossegar
essa é a esperança & o desespero
De um órgão atrofiado
pelo calor & pela chuva...
Não faz muita diferença
para quem já perdeu tudo
para quem nunca teve nada
Mais de uma vez
ganhar ou perder
& de novo, de novo
Enfim, na diferença que não faz
temos indiferença, não paz...
Nos engendramos na busca
por entre selvas
mais rasteiras que o lodo
Por entre feras
mais covardes, mais tolas
Que nem sabem porque querem
o que querem
Não uma busca por si mesmo
nem pelo outro, mas pela graça...
Longe das feras, das selvas
durante cada tarde de chuva
Nas horas mais distantes do sono
sonhamos... sonhos de nuvens secas
sonhos com um clima fresco
Que vai se resfriando
como todo cadáver
Um quarto da crosta da Terra
em transe, férrea...
Quando isso vai terminar?
É a pergunta no fim de toda estação!

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