17 de mar. de 2026

Fim de Verão

 

Quando isso vai terminar?
É a pergunta durante toda estação...

& um órgão que não existe mais
   vai parar de telegrafar conforto
Um sentido, uma inspiração
   que esquecemos como usar
Vai parar de nos desassossegar
   essa é a esperança & o desespero
De um órgão atrofiado
   pelo calor & pela chuva...

Não faz muita diferença
   para quem já perdeu tudo
      para quem nunca teve nada
Mais de uma vez
    ganhar ou perder
       & de novo, de novo
Enfim, na diferença que não faz
   temos indiferença, não paz...

Nos engendramos na busca
   por entre selvas
      mais rasteiras que o lodo
Por entre feras
   mais covardes, mais tolas
Que nem sabem porque querem
   o que querem
Não uma busca por si mesmo
   nem pelo outro, mas pela graça...

Longe das feras, das selvas
   durante cada tarde de chuva
Nas horas mais distantes do sono
   sonhamos... sonhos de nuvens secas
      sonhos com um clima fresco
Que vai se resfriando
   como todo cadáver
Um quarto da crosta da Terra
   em transe, férrea...

Quando isso vai terminar?
É a pergunta no fim de toda estação!



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