A porta que finalmente se abre
Com a luz inundando o ambiente
Derrame-se pelo chão
O núcleo que nunca existiu
Agora existirá
Os ossos do que havia antes
Cada passo, cada batida
Cada pensamento, cada respiração
Tudo anseia
Cada vento, cada onda
Cada céu, cada nuvem
Cada túmulo anseia
Puxando você do céu
Assim como o amor faz
-Ben Frost, "Opening Titles"
de Raised by Wolves
Iluminados pelo cansaço
Curados pelo sono
Na curva da vida,
na queda da cachoeira
No vazio do espaço
o silêncio do deus
Fortalecidos pelos sonhos
Blindados pela pele
que desaprendeu com o chicote
Abençoados pelo esquecimento...
A língua trincada
da secura atmosférica
Ar de deserto do hálito
água de mar das lagrimas
seca carne do coração
exaurido de pulsar sangue & etanol
O cu doendo
de tanto defecar
Pois o conhecimento
é o excremento de toda experiência
& não paramos de experimentar
& saber
& ignorar
O corpo alinha na rinha
entre dor constante
& prazeres cada vez mais fugazes
Ficamos mais inaptos em sentir
& excelentes em fingir
A mente oxigena rápido
até os pulmões queimarem
para estantanear
o que não cessa de passar
Da inconsciência vem reverberâncias
essa música repetida
essa situação que não passa
esse incômodo que não identifico
essa história repetida que sou eu
Do sono
o melhor é o tempo não vivido
que passou & não vimos
Do sono o bônus da indigestão
que causa os pesadelos
que nos fazem agarrar
o despertar
O cotidiano então parece
um papel caborno que se usou muito
folha após folha, dia após dia
copiando em duas vias o que se viveu
& o que se deixou de viver
uma via para arquivar
outra para jogar no fogo do sol
Que um dia assim como nos iniciou
nos encerrará

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