3 de set. de 2026

Caminho para Ur

 

Assim que o Atlântico congelar
   atravessaremos andando
      para os velhos mundos
Arrastando os pés no gelo
   que unirão continentes
Deixando rastro que serão apagados
   pelo vento frio de novos desertos
& os polos serão trópicos...

Nuvens altas passarão atrás de nuven baixas
    moendo em fricção
      enxames de gafanhotos
Que migrarão para o rodízio hemisférico
   enquanto insetos & parasitas banqueteiam
      morreremos das fomes sazonais
Coletores do que plantaram & não plantaram...

& a Terra voltará à sua origem
   não será mais Inferno
      mas Paraíso
& anjos símios transgêneros
   reinarão nos céus
      sem inveja do Criador
Pois serão primatas secundários...

As massas de terras reagrupadas
   unirão reenfim em tribos
      sociedades antes separadas
         por fronteiras & mares & ares
Sob a tutela de continentes que se chocam
   no abraço telúrico
      eras & eras separados
         à deriva no impulso não da história
Mas da geopsicologia dos indivíduos...

Os futuros continentes
   serão psicológicos
Fervendo em água quente
   ou congelados trópicos
Haverá um caminho rente
   quase ontológico
De volta ao útero inerente
   ou puramente escatológico
      para o que nunca foi nossa casa
         mas é nosso berço...



Nenhum comentário: