17 de out. de 2026

L...A.L...A.C...

 

"Capitão Clark lhes dá
boas-vinda à bordo..."

///Piloto de uma vida / consciência que se guia no mundo... Carro parado, correndo / Trem nos trilhos / Navio naufragado / Avião kamikase... o piloto está on///

Na avenida, desço atrás de L., ela está para me contar algo que nunca havia ouvido / ou sentido... / A pura constatação extraída por um aparelho cognitivo, desvendando um anagrama assim composto para evitar-engendrar maldade / Pois é assim que as mulheres nos querem destruídos/ Sabendo a verdade de suas volúpias / Às quais inocentemente nos apaixonamos...
Como? Você não é virgem? Como? Um homem já te tocou intimamente? Como? Você se guardou por muito tempo & deu pra qualquer um? / Por que você está me contando isso?

Todo ato de amor exige perdão  / Todo ato de continuar amando exige você aceitar o que antes era impensável!

A.L. apresenta-se aos meus olhos como a quimera de um filme presa à fitas VHS de uma locadora / Eu a vejo uma, duas... vezes por semana / Nem sei quando me perdi de paixão por ela / &, aliás,  o tempo é um fator-desfato nessa i-relação / 23 anos de diferença?
O filme rola / Lembro da única vez que poderíamos ter colidido / Eu me recolhi/ Os anos, o dinheiro, os tempos, o que quer que chame de covardia travestido de preguiça maquiado de responsabilidade cheirando ao conforto de ser infeliz...
Se tornou então um amor platônico bombardeado de toda dor que a diferença de idade pode excretar...

Todo amor exige coragem / Todo ato de continuar amando exige a responsabilidade insuportável de suportar fazer o outro & ser feito... infeliz!

Conheci A.C. dentro de um fosso escuro cheirando à cerveja & eucalipto / Ela lembrava fisicamente L. e tinha o mesmo primeiro nome de A.L., à qual lembrava também por certa personalidade libertina / Ela foi o pior & o melhor que aconteceu em minha vida...
Passamos décadas e m seis meses infringindo dor um ao outro / Eu deleitando com o que nunca tive / Ela suportando & recebendo o que nunca pensou suportar ou receber / Ferimos não só nós dois, mas três, talvez quatro ou cinco / & no final nos despedimos falando de fome / & tudo que os livramentos desatadores de nós significasse para mim / & como sempre, tudo significava para ela: nada!

Todo amor exige loucura / Todo ato de continuar amando está sob a tutela da razão que guia a vida... nisso os insanos se protegem dos sofrimentos!

A nave louca assim continua / Continua à deriva / O capitão ainda está no navio / Ele sempre afunda com ele, por isso sabe nadar / O piloto pode se ejetar, mas há o tempo hábil / O piloto pode queimar dentro do carro... depois de derrapar na próxima curva...

O amor não exige sobreviventes (ele nunca pensou nisso) /  Todo ato de amar (esse sim) inconscientemente percebe a sobrevivência depois de um fim!

///Eu só quero a paz do homem que viu o que poderia ser & ter, porém não realizou, mas ainda tem amor em si o suficiente, para saber que um dia ainda pode ser amado como deseja... mesmo com os carros batidos, os navios afundados, as naves abatidas, o coração dilacerado, a mente traumatizada,  o corpo envelhecido... & mesmo assim... quer amar!///

"Não existe sabedoria, experiência
— absolutamente nada —
em quantidade suficiente.
Não existe Santo Graal, nem Satori
final, nem solução. Apenas conflito.
A única coisa que pode resolver
conflitos é o amor, como o que
eu sentia por Fletch e Ruski, Spooner
e Calico. Amor puro. O que eu sinto
pelos meus gatos, tanto os que
já partiram quanto os que ainda
estão comigo.
Amor? O que é isso?
O analgésico mais
natural que existe.
AMOR."
(Últimas palavras escritas
por William Burroughs)



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