9 de out. de 2026

Alhures

 

Atravessei no sono
Um vale sem valor
Que deslizava no tempo
Como faca que entra na carne sem dor

Trilha de lêsmia
De um Maldoror ou Macondo invertidos
Meu coração arrancado
Escorregando esvai sobre o desmundo

Meus sonhos carregam a terra devastada
& as cidades de entulhos & escombros
Com paredes sépias descascadas
Onde me abrigo mas não me escondo

Todos os lugares
Casas, prédios, banheiros, ruas...
São vastas habitações de um cômodo só
Por onde passo & cruzo com outros eus

Nos tempos longínquos paralelos
Dos dias & noites dentro dos sonhos
Dos momentos & encontros descabidos
Vem minha esperança de lugares melhores



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