Contra o dia, faço um esforço
& vou fingindo interesse
presença, participação
Afinal, o que nos define
impõe, solicita
Além do olhar do outro
ao qual eu gostaria
de não estar presente
& o fato de também
aos outros vermos
Contra o dia, entro na correnteza
A bota me cabe
no pé ou na bunda
A luva me veste
na mão ou no tapa na cara
& todo o mundo reverbera
seu desprezo próprio
Que só não sentimos mais
porque estamos entretidos
com as menores futilidades
Contra o dia, temos sempre um sim explícito
& um não subentendido ou calado
Seguimos... pelo menos eu, sigo
resistindo, me entregando
Compreendendo o passado atrasado
às vezes
Identificando o futuro errado
sempre
Contra o dia... passamos sempre pela madrugada
até anoitecer de novo
Pois só ela, a noite, verdadeiramente
nos pertence

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