No jardim nunca mais as mesmas flores
Não mais as rosas como antes
& agora, depois da estação dos frutos
Só espinhos & frutas já muito maduras
Amadureceu também o tempo
O templo se ergueu & já deteriora
Se os anos repetem as estações
A vida de cada um é um só ciclo
Nossa natureza que se renova
É algo mais duro, menos verdejante
Animal capaz de reconhecer a morte
Frente à primavera, que era prima infância
Somos levados nas horas
Esquecemos as semanas
Lutamos contra os meses
Sucumbimos aos anos
Nossas estações que repassam
É espiral dentro do círculo
Onde se confunde o que era
Com o que nunca mais será
É que não buscamos as flores
Apesar de nos serem dadas
Não dependemos dos frutos
Apesar de plantarmos & colhermos
Nos curvamos
Não por obediência
Mas tomar impulso
Para rebelar, tangenciar, escapar
Nossaa estações são outras
Não começo ou fim... ciclos da terra
Não repetições enfim, mas embarque & desembarque
Órbitas caóticas em torno de si
Não andamos sequer em reto giro
A curva que seguimos
Não é para cumprir ciclos
Mas para escapar, pelo centro ou pelo limite!
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