Eu passo os dias no desfrute & no deleite
da expectativa...
Eu sei
que o melhor que tinha que acontecer
já aconteceu
Eu! & mais nada...
Vivo na retribuição & na compensação
do que fiz & que não fiz
Constantes marés flutuantes
devolvendo cadáveres à praia
Mas o que imaginei
adormeceu & se perdeu
Lá onde as profecias vão:
o fundo de tudo, o dentro de nada...
O base constante & incontesta
do rumo das coisas no mundo
Depreciação & desaparecimento
& um istmo de lembranças
Que mal persistem
enquanto outros vem & vivem
No trânsito pelo estreito caminho
que leva do existir à inexistência
Quem nos conheceu
faz também parte da outra multidão
dos que não souberam de todos os outros
& cada vez enfileram mais
aqueles que queriam não ter nos conhecido
ou os que queríamos esquecer
Até enfim sermos só ausência

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