4 de jun. de 2026

Pó Eira

 

Matando a fome
No pó diverso dos avessos
   Comendo átomo solar
   Comendo ácido dos mares
   Comendo ossos moído
A nutrição nos torna monstros
Boca banguela
   Buraco sem fundo da ampulheta
   Buraco de bala que come chumbo
   Buraco negro que come pó de estrela
É do chão que a gente come
Da sola da bota do maioral
   Do rastro de cobra na estrada
   Da pegada na areia da pessoa amada
   Da trilha repisada na mata fechada
Se na queda a gente levanta
Sacode a poeira, dá a volta por cima
   Na fome a gente deita
   Ajunta o pó de tudo
   & não vê a hora que para... de comer



Nenhum comentário: