Pague
& eu mastigo para você!
Sou um "criador" terceirizado
copiando a realidade... com inutilidades
Que os seus olhos sorvam
o absurdo mínimo
de uma "luz" de silício
que se transforma em cifras
em um cofre digital
Estando mais interessado
em excretar novas distâncias
Convulciono no pensamento crítico
contra tudo disponível na rede
Interessado ainda
no corpo, na forma, na carne
Garimpando ainda nisso
a fonte do sustento
Encaro o nojo contra o simulacro de vidro
& tela
Uma defesa da vida contra a artificialida
mesmo me sentindo assim
mais iso-exo-exililado
Pague
dê a eles seu suor
seu sangue, tempo, sua atenção
Em "troca" pelo que pouco antes
não precisávamos pra viver
& então tente se enluvar
instalado em um espaço
que não precisa para ser
Talvez daqui meio século
outros futuros cadáveres
venham a compreender
onde erramos
& isso seja visto como acerto
Para explicar, apaziguar a consciência,
sobre esse novo modo de existência
Ou melhor
novo modo
de insistência social

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