4 de ago. de 2026

Vidario

 

As coisas engastalhadas
Que pensamos que as águas do rio da vida
   Tivessem levadas...
Muitas vezes emergem de novo
   Na época de seca
Eu tenho medo que elas voltem para ficar
   No final da vida...

Lembranças ruins, erros que cometemos
   Coisas que pensamos ter perdoado
      Esquecido, enterrado, superado
Essas coisas que ficaram engastalhadas
   Na margem do rio da vida
Que pensamos ter deixado para trás
Eu tenho medo que voltem
   Emerjam, estejam lá, na mesma margem
      No mesmo lugar, ou na foz do rio
         Onde ele desagua no mar...

& muitas vezes pensamos que estamos no rio
A correr com a água
    Cremos estar no fluxo, no curso
       Pensamos ser um barco na correnteza
Mas somos um barranco
    Erodindo na correnteza
Muitas vezes somos enseadas
   Ou fundo do rio onde tudo afoga
      Remansos calmo ao lado da corrente
Muitas vezes somos fossos de remoinhos
   Valas cobertas de água pesada
      Que só guarda lama

Rolam as águas
Mas vez ou outra volta lembranças dos engastalhos
   Funis, cachoeiras, quebradeiras,  sumidouros
Muitas vezes voltam falhas
   Pecados, ressentimentos
      Que as águas não levaram
   Ou apenas se puseram deitadas
      Encobertas pela alta água
         Riovida mais abaixo

Barrancos, sevas, balsas, pesqueiros
Galheiras, bancos de areia, mangues
Engasta-anzóis, barreiros, pântanos
Nascentes, vida rio, foz...
Nos meios, beiradas, rasos
Fundos de tudo... nós!



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