18 de jun. de 2013

Acabou o sossego! Brasil - Junho de 2013




   As multidões nas ruas têm um significado profundo, além mesmos das bandeiras e lutas que levantam imediatamente, além das manipulações obscuras e do significado básico do protesto e da anarquia.
   As multidões nas ruas, quando reunidas e aglomeradas na distância pessoal de um abraço e do calor de cada corpo carregam a vontade adormecida e inconsciente de todo um povo, que talvez em seu sentido mais profundo seja se tornar uma raça enfim, mas isso é trabalho de milênios, não para agora.
   Agora vemos a exteriorização de décadas de silêncio e dormência. As multidões carregam no presente um vontade de mudanças, um desejo de justiça, um clamor por respeito, pois das ruas só podem despertar e se fazer ouvir os impulsos básicos de uma sociedade que não quer se deixar desaparecer sob a camada de lixo econômico e social gerado por grupos corruptos e truculentos, que como vermes roem a vitalidade de toda a sociedade nos gabinetes fedorentos da administração pública.
   As manifestações populares que as pessoas do Brasil assistem ou participa pessoalmente nos últimos dias são mais do que a luta por redução em passagens de ônibus ou contra os gastos na Copa do Mundo, ou contra a violência policial, o que está acontecendo é um PARTO DE CONSCIÊNCIA por parte da sociedade brasileira.
   Por um lado temos uma geração, da qual faço parte, que é a chamada geração do meio, aqueles que cresceram nas décadas de 1960, 1970 e até 1985 (+/-) que saem às ruas que por nossas vivências somos cientes da urgência de um novo tipo de afirmação humana e atuação social do indivíduo, nós que compramos e apoiamos todos os sonhos políticos e os vimos fracassar com o seu contato com os tapetes dos palácios para debaixo dos quais se varre o pó de todos os idealismos graças aos subterfúgios e imposições de uma vida voltada para a busca de êxito financeiro e social e a criação de uma família ou de um negócio que garanta uma renda.
   Estas gerações idealistas são os pais e avós das gerações mais novas, do final dos 1980 e 1990 em diante que carregam agora uma visão de mundo integrada e que em parte ainda carregam os ideais sociais libertários e comunitários.
   Essas gerações novas herdaram subconscientemente uma raiva e uma fúria que pede para escapar à qualquer momento, pois são crias de muita censura social, governamental e moral que não pode ser contida indefinidamente, como a História sempre revela, mas pouco se aprende.
   São esses jovens que comportam a função de uma força indomável que aqui e ali se revelam esses dias nas ruas, chocando-se de frente contra os pelotões de choque e o discurso intransigente de políticos profissionais, e a primeira coisas que todos temos a dizer é que não suportamos mais esse tipo de atitude por parte do poder estatal estabelecido, e gritamos alto enfim:
“Acabou o seu sossego!”
   E isso quer dizer muitas coisas. E é necessário que aqueles que estão com o mandato do poder cedido por uma democracia trôpega soerguida à custa de um exercício incompleto da liberdade popular, pois é maculada pela TV e por meios midiáticos particulares, que agora estamos a criticar e a desaprovar as suas administrações, e estamos munidos com uma raiva inconsciente de seus símbolos de poder e de sua maneira de mandar no país.
   Essa coisa toda inconsciente e difícil de definir aqui, em poucas palavras pode ser sintetizada como um pulsão social rumo à novo patamar de identificação e necessidade com o próprio tempo e momento histórico mundial.
   O que podemos dizer é que se acabou o mundo que comporta a violência, acabou se atrofiando qualquer via de ditaduras e de corrupções, isso não é mais aceitável, isso não faz parte mais da consciência humana que nos últimos anos se estabeleceu diante toda a conectividade do mundo.
   Os perigos são muitos, pois a violência ainda agita em meio à sociedade e cuidados devem ser tomados nesse momento.
   Vivemos no Brasil uma forte imposição midiática pela redução da maioridade penal e um caminho conseqüente para se impor pela formação de opinião do desejo social pela pena de morte. Na TV o medo e a violência são massivamente divulgados para que a sociedade tão logo exija isso, pois isso faz bem aos que ganham com o medo e com a violência, e não devemos deixar de dizer que fazem parte desses grupos os que implantam agora uma crescente evangelização da política ao lado daqueles que optam pela truculência policial como solução para o crime.
   Esses grupos sabem que o fim da violência social só se dera enfrentando o trafico de drogas, o desemprego, a desigualdade econômica e a falta de educação e cultura da sociedade. Mas isso eles não darão à sociedade porque estão armados sob um esquema de corrupção onde todo o inverso da igualdade social, da educação plena e da dignidade humana é a energia do prolongamento de seu assentamento no poder da nação.
   Assim agora eles torcem pela violência nas ruas, eles torcem para que os jovens dêem vazão à sua raiva, eles torcem para que não haja nenhum ponto de coesão nos movimentos nas ruas dos dias de hoje, diminuindo na tela da TV os “porquês” dos protestos.
   Há já a suspeita da mão e do financiamento de pessoas dentro do governo nas manifestações e esses indícios serão preciosamente trabalhados na TV e nas revistas nos próximos dias.
   Mas o que há para além disso, na linha do que eu vinha falando sobre uma exteriorização de desejos inconscientes da sociedade brasileira e com que os manifestantes e todas os indivíduos de nosso país devem prestar atenção nesses dias é diretamente no embate da VIDA CONTRA A MORTE, pois é nesse âmbito que a consciência que agora quer se estabelecer nesse país embate.
   O que todas as gerações de populares que hoje saem à rua na verdade lutam é pela DIGNIDADE humana, pela VALORIZAÇÃO DA VIDA como um todo nessa nossa sociedade.
   O bombardeio dos últimos meses a respeito da violência urbana, dos crimes do tráfico, da pacificação das favelas, tudo girando em torno de Copa do Mundo e Olimpíadas é o desvencilhar do grande embate do MONSTRO DA CORRUPÇÃO contra a FORÇA DA DIGNIDADE NACIONAL DOS BRASILEIROS, como nunca encostado na parede contra os interesses internacionais das empresas como a FIFA, os FUNDOS FINANCEIROS INTERNACIONAIS que são donos do SISTEMA ENERGÉTICO no país e das empresas de comunicação TELEFÔNICA que aqui se estabeleceram, entre outras frentes econômicas.
   Vivemos o momento delicado de estabelecer o que e como continuará a gestão dos recursos financeiros e naturais pertencentes naturalmente ao povo brasileiro, a força vital que deve suster nosso “sangue latino” contra a ordem global que não vê empecilhos contra seu avanço em favor do SISTEMA FINANCEIRO INTERNACIONAL.
   Tudo isso é o que clama o momento histórico e faz pressão, mesmo que inconsciente, sobre a consciência do povo brasileiro, e por isso que como que de repente explode nas ruas tais manifestações, à principio dito e repetido na TV como se “por causa de 20 centavos” no peço de uma passagem de ônibus”! Será mesmo???
   Ou vocês não acham que de uma forma ou de outra a consciência humana do povo brasileiro não sabe o tamanho do crime que está sendo cometido contra esse próprio povo, o grande e silencioso crime financeiro que está sendo engendrado nesse momento mesmo com a organização de Copas, Olimpíadas, Feiras, etc.
   De uma forma ou de outra o espírito sabe, e ele se convulsiona de raiva e indignação, e por isso é tão fácil da noite para o dia agrupar 20, 30, 100 mil pessoas nas ruas para gritar e protestar...
   Nas mentes das pessoas pode-se já ver que é aceita a violência dos grupos de protesto, mas não a da policia, pois lá no fundo as pessoas sabem que ali está se operando uma força benéfica para o Brasil, só o fim da acomodação de décadas da sociedade já é um alivio para as pessoas.
   Outrora, as força reacionárias quiseram vender aos povos a idéia de que para se construir o novo deveria se proceder a destruição total do velho, e é com isso que ainda se assusta boa parte dos que preferem permanecer calados em suas casas assistindo a ancora do JN com cara de dor de barriga anunciar os protestos nas ruas. Vendeu-se essa idéia para que se amedrontasse com o sufoco de se perder o pouco que tem ao se destruir tudo.
   Mas o povo brasileiro deve prestar atenção justamente que esse velho tipo de idéia é justamente a fonte do poder de quem sempre permanece no comando das armas e do cofre em um país não importando qual governo viesse. Por isso é mister agora todos os manifestantes prestarem atenção na premissa que deve nortear todos esses protestos:
Que a vida humana vale mais do que qualquer coisa!
É por ela que devemos lutar agora!
   A luta agora é por DIGNIDADE, por JUSTIÇA. Só assim algo de bom pode adentrar na nossa realidade na forma dessa CONSCIÊNCIA que falei.
   É necessário como nunca termos amor e força nas ruas, termos informação e inteligência, e ao final da noite, quando se acabarem as manifestações, que voltemos são e ilesos para nossos lares, com a mensagem que queríamos dar entregue no endereço certo:
   -O endereço: O velho poder que iremos mudar a partir de então.
   -A mensagem: Acabou o sossego! Vocês já eram e agora uma nova consciência vai aflorar no país e logo estará mudando as bases do poder por dentro!
   Dada a mensagem, voltemos então ao nosso recanto, vamos queimar incenso e baseados, vamos festejar e fazer amor, beber vinho e chás, vamos nutrir nosso corpo e mente com a proximidade e força que esses dias provaram ser possível, vamos realmente mudar esse país.


4 de jun. de 2013

... (O dia da festa do) Ego

Às vezes
   onde está aquilo que desejamos esquecer
   habita justamente muito do que devemos nos lembrar,
Para que daí surja a lição
   à respeito de onde brota o ato que não requer
   nenhum perdão, apenas ponderação!

Mas que seja reconhecido como condição
   da eterna graça
      do que deve ser revivido em sua própria
         infinita felicidade!

Aqui eu falo do eterno retorno...
Aqui eu calo...


                                                      “Eis que aqui
                                     o tempo se transforma em espaço...”

(O dia da festa do) Ego

Montado na costela do dragão
À cem mil pés de altura
O dragão são nuvens costelentas
Que se esparramam pelo céu azul
Meu pensamento está lá no alto...

Olhando o sol quebrado pela mão lunar crescente
Encho os olhos dos cristais escuros da mina da solidão
E o olho, cara a cara, olhos nos olhos,
“Estrela, estrela”, eu canto triste
Na esperança do sol me desintegrar
Pela boca do dragão...

Nesse dia
Que me faça ter,
Não há céu ou sol
Nem luz nem lua
Mão ou mãe
Um minuto inteiro de alegria
Me faça ter
O demônio em mim me resignou
A me tornar parte das cinzas
Do fim de tudo...

O mundo inteiro está aí à minha volta
Bruto, belo, excitante e agonizante
Meu extenso suicídio é cheio de prévios ressentimentos
E eu agora já consigo repousar
Em seu leito de dores mil
Com sua esteira de plumas ocres
Da ave de mil culpas...

Todas as vias fechadas
Todo prazer atrofiado
Todo bem cerceado
Toda riqueza negada
Todos os erros possíveis cometidos
Todo dicionário de impropriedades soletrado:

Aflição, banalidade, Câncer, Desinteligência, Excomunhão,
Fatalismo, Gula, Humilhação, Imbecilidade, Jocosidade,
Languidez, Moléstia, Niilismo, Ódio, Procrastinação, Queixa,
Rapinagem, Sovinismo, Truculência, Ulcera, Vilipêndio, Xulisse,
Zombaria... 0, 1, 2, 3, 4, 5... 

Dies irae
Dies illa
Solvet saeclum en favilla
Teste davidcum sybilla
(Estou na concha aveludada
sufocado pela egocidade…)



6 de mai. de 2013

A Festa & o Fático

(Exercícios Escritos de Meditação Gnóstica)

Eu não entendo a felicidade, mas sei que ela existe, pois a vi no rosto das pessoas dentro do salão de festa, e a vi expressa nos corpos das pessoas na pista de dança, mas nem por isso eu a entendo.
   O que talvez me cause estranhamento na felicidade, e faça ela ser uma desconhecida para mim, seja o fato de que neste estado de euforia nós confundamos felicidade e alegria. Eu não sei...
   O que eu realmente sei é que me encabula o fato de nas festas o ser humano estar tão aberto a se jogar imediatamente nos braços dessa alegria então, assim que uma música comece a ser tocada, e a pista de dança se inunde da expressão da felicidade e da libertação através das expressões corporais de dança e do espírito comum de uma alegria desencadeada a partir da premissa de que estamos festejando.
   Festejar é uma celebração humana justamente referente a uma ocasião de jubilo, de alegria, de felicidade.
   Ricos e pobres, crentes em Deus e ateus, homens e mulheres, todos os tipos e classes se jogam sempre que podem na circunstância de expressar sua alegria quando reunidos para uma ocasião especial, porque tal ocasião preenche de uma certa dose de contentamento os corpos e as almas de todos os presentes.
   Assim, boa e farta comida jubila o corpo e o enche de alegria, muito mais à medida que à ele é suprida doses de álcool e/ou outras substâncias. Isso talvez indique uma primordial sensação de nutrição temporária que extravase desde os tempos imemoriais de carência geral, fome, medo e dor, que ative algo no cérebro e faça o corpo se agitar, rir, dançar, externalizar sua sensualidade benfazeja.
   Provavelmente nesses tempos precários os bandos semi-humanos, quando se fartavam de uma caça mamute, acrescidas por cogumelos alucinógenos e abundância de água, se lançavam a dançar em volta do fogo dentro das noites escuras da pré-história acudidos por batidas em pedaços de madeira ou algum instrumento primitivo de sopro, e depois disso no escuro das cavernas fétidas por flatulências se entregavam à uma orgia cheia de abnegação.
   Hoje, sob a luz elétrica sempiterna que espanta qualquer escuridão, até mesmo a escuridão necessária para se ver a luz das estrelas que agora foram supridas pelos brilhos dos vestidos das mulheres, hoje, com nosso espírito civilizados, nos achegamos à uma festa como convidados para celebrar os motivos de jubilo da sociedade, e tão bem vestidos comemos do bom e do melhor que o dinheiro à disposição pode então comprar e depois dançamos e dançamos cheio de alegria, pois agora a dança é nossa orgia, pois se não mais praticamos o sexo grupal, devemos suprir essas necessidades atávicas com a dança, a mesa, o luxo.
   E para suprir a dor mansa que nosso corpo se engendra, não mais em caçar grandes monstros de carne farta, mas monstros mais interiores, onde na relação humana cotidiana, buscamos suprir, aliviar, dispor, fazer, tudo para ganharmos a carne do dinheiro com a qual compramos todas as outras carnes, e legumes e bebidas e ópios também. Assim, caçando de nosso jeito especializado e muitas vezes injusto podemos mesmo comprar a diversão na qual nos entregaremos por um motivo nobre ao jubilo.
   Nosso holocausto da caça é a culinária, nossos cogumelos selvagens são o chocolate e a cerveja, nossa orgia primordial é a dança, e nossa alegria é tão somente a carência e a busca da felicidade. E a festa em seu total segue já um padrão espiritual, não inteligidos por todos, mas sempre manifesto à nível subconsciente onde todos vão para tentar engendrar nas suas existências a dimensão da felicidade. Se si consegue ou não, isso é outra questão!
   Primeiro nos retiramos de nosso espaço comum cotidiano conhecido. Enfeitamos os nossos lares ou vamos à um salão de festa especializado.
   Então instalamos o espaço sagrado. Enchemos de cerimônia a própria Cerimônia. Chamamos o pontífice, que deve tomar para si o altar, acima de todos os convidados para as núpcias. Há também seus auxiliares, ministros experientes como magos que devem se servir da música, em coro, capelas, bandas, para invocar os deuses dos sentimentos do corpo, do coração e da alma, cantando, louvando.
   Logo entram os escolhidos, sempre em procissão, denotando dignidade. Os patriarcas e as matriarcas, a força e a proveniência do sangue é anunciada à todos que ali compartilham uma ligação de fato ou de amizade com o líquido da vida escondido dentro de todos os corpos, o mais secreto e universal sinal de união entre os seres humanos e que se expande à toda  natureza e cosmos através dos animais e dos seres vivos que possuam o sinal indelével de vida contido na informação genética.
   Far-se-á ali presente o esposo, o recebedor, a representação da meia força total, o macho, o candidato escolhido a se lançar na paragem do patriarcado, comprometido com a união pelo amor ou pelo interesse, e há sempre o interesse, por mais elevados que seja a vontade até o amor, é sempre o interesse, a busca da felicidade. Ele é o que se põe na posição de ter o mesmo destino que sua outra metade.
   Então, no apogeu destes momentos iniciais do ritual adentra noiva, ela é a beleza encarnada, representa a pureza, denotado em sua alva túnica, ela é a prometida, a aurora dentro da noite, a novidade que chega ao altar.
   O altar é o portal à câmara de núpcias, onde diante o sacerdote e a audiência como testemunha se realiza a operação mágica do enlace, mediante as leis dos homens e a lei de Deus.
   Ali, com o noivo e a noiva presentes, se desenrola a sugestão ancestral no inconsciente de todos os presentes que já começa a desencadear energias subliminares em todos, os já unidos se achegam, os comprometidos sorvem da tensão do momento, os livres e solteiros são assediados pela força dos noivos. Uma mensagem circula para todos, em sua profunda força humana superior.
   O que é admoestado é a vitória do homem e da mulher. A sugestão profunda das forças do provedor e da virgem. O aviso e a censura da ordem sobre o caos, a formalidade de tudo que precede o caos permitido da conjunção de corpos e almas, mas do que uma lembrança dos êxitos e falhas de todos os presentes, dos casais e ex-casais, dos solteiros e dos ex-solteiros, se expressa ali o sinal contra a incorreção de se ser feliz sozinho, um presságio da queda atroz promovida pelos deuses do sangue e do cativar contra o que fora um dia o ser perfeito, o andrógino universal, que a se bastava e que não rendia graças aos deuses, esses deuses do sangue e do cativar.
   A núpcias é muito mais do que o esforço humano para retornar à paragem da perfeição pelo único caminho agora disposto ao ser humano, à núpcias se releva o ato de contrair, tal qual contraímos uma doença, ela significa uma redução, uma promessa, uma obrigação, com ela se ganha parte de outro mas se perde algo de si.
   Esse perder, que é celebrado inconscientemente sobre o altar diante o sacerdote, deve ser suprido psicologicamente com a honra mútua, pois se a fêmea perde a virgindade e o homem a libertinagem, eles ganham a honra de serem só um para o outro, de corpo e alma.
   A noiva, ultima expressão em nosso mundo da esquecida Sophia, a Sabedoria Divina, se entrega ao noivo, a expressão conhecida do Cristo, familiar, mas nem tanto, do Verbo Divino. Eles fundaram no mundo um novo tipo de sangue, que será concretizado no nome e no sangue que correrá no rebento advindo de sua união civil e sexual, antecipada pela aliança, o anel que representa o circulo que se fechou quando da comunhão do casal do alimento de seus corpos e almas, que será materializado só quando o herdeiro de seus nomes e de seus sangue se fizer presente na face da terra. Tudo isso está expresso naquele momento, na porta da câmara nupcial.
   Efetuado tal ato de magia sagrada, todos, os noivos recém-casados e todas as testemunhas podem agora adentrar na ante-sala da câmara de núpcias, na câmara comum onde enfim irão extravasar sua alegria, encher o corpo dos alimentos concernentes ao corpo, e encher a alma dos alimentos da alma.
   É ali onde surge a felicidade aparente ou a alegria que não consigo entender.
   Há a sugestão da graça, a sugestão do prazer dos casados, a sugestão dos significados e dos sentidos de tudo que foi rememorado no altar, na cerimônia.
   Todos então parecem se esquecer da carência individual de cada um e da carência geral do mundo inteiro. Não há menção da indigência humana, somente arranhada pela presença dos que servem aos convidados, mas eles estão sendo justamente pagos para servir, um dia eles também comemoraram e irão comemorar em outros lugares, e também serão servidos, e esquecer-se-ão da miséria do mundo no grau em que podem esquecer. Eles também procurarão a felicidade na alegria de comer e dançar.
   Assim mesmo a tristeza me penetra, é uma tristeza da falta de sentido de todo aquele sentido apresentado na forte significância da festa. A tristeza ou a não compreensão talvez me falem de uma solidão particular, ou de uma falência pessoal, já que não danço, não entro na orgia, não comemoro junto da maior forma de expressão da busca da felicidade, talvez mesmo por não compreender a alegria ou por me aferrar na distinção enorme desta para com a felicidade.
   Talvez eu pense demais! Ou talvez eu saiba que a alegria seja um sentimento e a felicidade seja uma ciência! Talvez eu entenda ou não entenda o motivo de ser o que somos. Talvez me impregne a inveja ou o pessimismo. Talvez eu esteja fugindo da realidade ao convidar a permanecer em meu pensamento a realidade, a indigência, a pobreza e o sofrimento do mundo que por algumas horas ficaram lá fora. Talvez isso seja hipocrisia, talvez não. Talvez seja só fuga.
   E há muito a dizer sobre fuga, porque ela pode vir urdir sua cerca de espinhos no âmbito dos discursos das pessoas, que adentre na significância do real e do momento impetrando discursos e entendimentos sobre o que quer dizer a riqueza e a pobreza, sob o prisma de dogmas religiosos escutados nos altares de outras igrejas onde verdades particulares são ditas à respeito das glórias que um Deus dê à quem creia nele e o sirva. Isso serviria para explicar, mas não justificaria nada, e só prolongaria o discurso.
   Sim, há mesmo ali, naquele espaço para se extravasar a alegria um discurso implícito e absorvido pelo ego sobre às promessas dos deuses dos homens, há todo um discurso sobre a nobreza e a riqueza concedida pela graça do louvor à Deus, mas coitados dos que assim pensam, pois não justificam o encontro da felicidade, mas apenas abonam o extravaso da alegria.
   Entremente, em um grau ou em outro, somos todos imersos em alegria dentro da festa. Há prazeres para a boca e o estomago, há prazeres para os olhos e para o ego, há prazeres para a alma, e há prazer até para quem trabalha e serve. Haverá prazer para o noivo e para noiva é claro, e haverá prazer nas orações do dia seguinte dos que amam ao seu Deus.
   Então, mediante tudo isso, procuro me esforça e chegar à um entendimento sobre o que não entendo, toda essa alegria.
   Ela não é conquistada, ela é exposta, ela vem de dentro das pessoas, não é algo que vem de fora, apesar de alguns poderem dizer que é o espírito de todo aquele momento que as tomou. Se assim o for mesmo, seria um espírito menor, como uma euforia ou uma espécie de pânico coletivo, sempre seria um exagero, independente de suas causas justas ou não.
   E como exagero ela denota carência, não supressão. O influxo de um ritual profundo, a barriga cheia por delicias, a mente esmaecida por álcool, música e erotismo, o corpo zelado por finos panos e perfumes, a beleza e o bom gosto do ambiente e da decoração, tudo isso não supri uma carência inerente às pessoas que se entrega à orgia permitida no momento.
   Falta algo ainda! Como são ingratos os convidados!
   As pessoas recebem tudo, mas seus atos apontam para uma carência ainda. Mas não é culpa de ninguém, não é culpa dos noivos, não é culpa de Deus.
   A entrega à alegria é parte da disposição da demência humana em geral. Somos insaciáveis. Somos tolos e loucos por atenção. Dançamos para chamar a atenção para carências que não temos consciência, mas que o corpo e a alma sabe, eles sempre sabem de toda a pobreza inconsciente que carregamos, e pior, que nenhum ritual é capaz de suprir, mas só aumentar.
   Talvez no fim de toda expressão de alegria esteja o reconhecimento indesejável e tornado subliminar de que vamos morrer, de que tudo passa. O ritual sagrado, a festa, a saciação, o prazer, tudo que damos o nome de “alegria” comporta o sentido de que o profano, a cotidianidade, a fome e o sofrimento voltarão com o fim disto tudo. E pior, está subentendido na alegria, e talvez ninguém note, que ela não durará para sempre.
   Mesmo os que se apeguem à crença de um Deus provedor e benfazejo que prove através destes eventos sua proeminência para com seus devotos, ao pensar assim eles estão apenas diminuindo o que seja Deus, pois Deus não pode ser um deus das coisas passageiras. E mesmo que haja os argumentos de uma promessa de vida e festa eterna em um paraíso, há ainda a morte para implicar a falência da própria festa agora, mesmo como prova terrena do poder deste Deus.
   Toda alegria é contraposta à Felicidade, pois a felicidade não é passageira, ela é o humor da eternidade. A alegria não pode ser nunca e nem em situação nenhuma uma promessa da Felicidade, pois ela aponta por demais para o contrário do que a Felicidade quer dizer, nada passageiro pode sugerir algo sempiterno, pois vincula as pessoas ao erro do mundo.
   No salão de festas, espelhos colocados providencialmente com um ângulo voltado para o teto revela uma significância psicológica de um ato falho sobre toda a festa.
   Nele se espelha não só mais a parte superior do salão onde reflete a imagem de velas acopladas sobre ornamentos de ferro belos. Lá dentro pode-se vislumbrar um outro salão, de onde o olhar atento pode dar o sentimento de silêncio e vazio daquele mundo paralelo.
   Deste reflexo mesmo emana o silêncio do outro salão, e esse silêncio à quem consegue percebê-lo e mais alto que a própria música que embala a dança. Lá dentro está a pura calma, como a própria calma que está no espírito que busca a felicidade.
   Dirão os alegres que aquilo é apenas um reflexo e por isso uma ilusão forçada aos sentidos. Mas a alegria expressa no salão de dança é também apenas um reflexo da profunda frustração interior de cada conviva ali presente.
   Aquele reflexo cheio de silêncio é o verdadeiro banquete do espírito, onde a felicidade se encontra, para além do passageiro, para além das carências do mundo que foram expulsas do salão de festa pela música e a comida, pela dança e pelo afastamento da fome.
   O reflexo no espelho fala da vitória da felicidade sobre a morte, pois o reflexo e a ilusão ali expressas relata a ilusão e o reflexo que a própria vida desvairada se impõe ao fugir da morte.
   O que o futuro trará de toda aquela festa e do motivo de sua comemoração também passará, sejam relacionamentos, filhos, fartura, fezes e cansaço corporal. Tudo passará, assim como passou minha incompreensão sobre a alegria, meu desentendimento sobre a felicidade.
   Eu não vi essa compreensão no espelho dos rostos felizes a extravasarem sua alegria na pista de dança ou na pista de frios, eu a vi no espelho eterno da Sabedoria, na profundidade e no silêncio do reflexo de meu próprio espírito que não se preocupou com o fim ou com a morte, mas com aquilo que nunca acaba, pois nunca teve princípio.
   Eu vi, ou senti isso, a partir da própria Felicidade, não porque eu a estava procurando, mas porque ela me encontrou quando eu não me fechei na alegria passageira da insatisfação no divertimento, mas quando me abri para o contentamento eterno da satisfação do entendimento.
   Não sou tão alegre como o mundo acha que eu deveria ser, mas sou tão contente quanto meu espírito compete ser à medida que eu evoluo.


4 de mai. de 2013

Sóliton

Nunca antes
   minha solidão foi tão intensa como agora...
& eu ouvi falar por ai, lá onde os Anjos abatidos murmuram seus sonhos
   que isso é a proximidade da morte,
      um grande espaço aberto em meu peito,
         aberto para abrigar o que não tem medida.

Pois o que temos de encontrar no futuro
   retorna tão depressa quanto o presente se torna passado
& se anuncia no agora com um hálito de libertação...

& quando essa solidão chega
& impetra todo sua fama de veracidade
Contanto ao corpo e à alma
   suas verdades inauditas de momento final,
A tristeza é convocada a urdir uma benção para toda a vida
   para que não fiquem nós na existência que se tornará ausência
& todas as máculas sejam lavadas
   na bacia dos sofrimentos que nunca mais serão...

(Foi um último sorriso de AL
Foi uma última proximidade de seu corpo esguio
Uma última adoração ao feminino
Que me encheu dessa solidão ainda mais devassa
& derramou enfim da taça do saber
   tudo que já está tão perto
      &tão distante como a próxima estrela que não é a do dia
Mas da noite onde o Espírito torna a vagar
Para de novo nascer na Terra do chão das tristezas incomuns...
Adeus também... AL)

Sabemos disso,
   nós que somos da imensa solidão,
Pois viemos nascendo e morrendo assim
   para suprir no excesso de alegria do mundo
Um pouco da sanidade do verdadeiro Amor.

O qual nem sempre atingimos,
   quase nunca realizamos,
Mas estamos sempre disponíveis a pagar o preço dessa desmedida solitude.
Uma crença na gratidão pela vida
Que por vez não se completa, e acaba antes, de tanto doer!



16 de abr. de 2013

(A Arte de Esquecer)

Agora estou cansado
   porque andei a longa curta estrada da minha vida
      & não sei o quão mais longa ela ainda pode ser...
Mas o que já trilhei me cansou
   porque tudo à minha volta se tornou tão velho
     que não quero mais nem mesmo as lembranças de ontem...
Ah! Como estou... apaixonado pelo dia de hoje!

Eu não quero mais
   voltar àquele lugar onde fui me embrenhar,
Todo esse jeito morto & definitivo de se estar magoado,
   irreversivelmente magoado.
Eu não quero mais chegar ao ponto
   onde só a doença ou a morte podem nos modificar.
Eu não quero mais estar aqui!

Pois mesmo entre o que quero esquecer,
   entremeado como cipós em árvores,
     estão boas lembranças do que eu queria que as coisas fossem,
Todas as chances & todos os sentimentos
   que me fizeram quem sou,
Até o dia antes de hoje...

& quando essa manhã veio
   trazendo toda a chuva que trouxe,
Eu andei pelos mesmos lugares & falei com as mesmas pessoas...
Mas hoje havia algo diferente,
Havia a influência de algo transcendente
Algo que é de um “você”, mas que não “te” pertencia.
Uma presença, uma promessa,
   uma proximidade, um acalanto, um toque, um sorriso.
Essas coisas que eu tive vislumbres
   quando estive perto de um verdadeiro amor.
Você sabe, “você” é tudo que amo & que me amou!

& em uma cena geral tão longa como uma manhã e uma tarde
   eu pude recordar do que nunca quis esquecer,
      & essa lembrança é uma maré de dor & amor
         que me perpassa & me mostra que sou menor,
            menor do que todo sentimento que posso comportar.
& assim transbordo, transbordo tanto que me fluem lágrimas dos olhos
& me enchem o peito de lacerações
& me reduz a vida esfacelando todos os anos que se foram
& fazem desse dia o primeiro dia
   do resto de minha vida...
Um caminho sempre a acabar & começar...

Eu não quero chegar naquele lugar, naquele momento, naquele instante
   em que só a morte ou uma doença podem mudar algo em uma vida.
Eu não quero voltar para esse momento de minha vida...
Eu quero hoje ter a chance de esquecer
   & poder lembrar
      de todo o bem que o amor um dia me fez...

Brilho nos olhos,
Alegria de viver...
Brilho nos olhos,
Alegria de viver...





1 de abr. de 2013

O Nome Secreto do Amor

Caos & efeito
   é do que é feito toda coisa.

Pois se primeiro surgiu o caos
   & só depois o amor...
É porque o amor é efeito do caos,
O amor é feito de caos.

O caos causa amor
& em caos eu sempre amei;
Cobra de duas cabeças,
Sentimento de prazer & dor,
Sublime graça & pecado.

Em tempo & espaço
Abri duração para teu ser
& abrangi campos para te encontrar;
Pois requeria meu nada
A primordial sensação
Que o amor & caos me instruíram.

Pois para além de toda medíocre idade
Onde eu vaguei pasmado por ignorância
Já o amor desabava sobre mim
E sussurrava seu hálito de tempestade
Dizendo-me seu nome secreto:
Caos!




18 de mar. de 2013

.:L:. (Pela última vez ao passado)



Em mais um dia no sonho dessa existência
Eu corri os olhos nos aromas de
lembranças daquela mulher...
Como ela pode vir assim sem anunciar?
& irromper no meu dia sem avisar!
& refazer o meu sonhar
Com a força de simplesmente anunciar o fim de sua ausência
   por
um instante?

Essa minha Rosa,
Minha
cor verde,
Meu doer & meu amar...

Quão longe está
     o gosto de tua boca
     o tom de tua voz
     a forma do seu sorriso
     o calor de sua proximidade
     a sensação de sua calma de mulher
     a
intimidade que nunca ninguém mais me deu,
Quão distantes estão
     essas coisas que são só suas
          que nunca ficaram
longe de mim...

Lembro-me bem,
   no
esquecimento da desesperança
      a luz que você trouxe até mim
         & me arrebatou:
Um dia você chegou
   com seu sorriso & seu cheiro de água fresca
Volvendo os campos de minha inocência
   sem pedir licença, com a indolência de todo amor
& no caminho da floresta de doces
   sacudiu minha alma
      com o vento de sua alegria.

Só ficou de você o
nome,
Nem foto
Nem lembrança material,
Só memória
Em formas
& suores sagrados,
Ficaram músicas
De um disco de capa cinza
   que cobre quatro estações
& que ainda canto
      quando me lembro do tanto que te amei;
Ainda está lá aquela esquina
Curva com a forma do L de teu nome,
Monumento de minha dor
E tudo mais que ficou no teu rastro:
A rua, a casa, o carro
A sala, o salão, o quarto
A saudade que nunca mais
   eu vou sanar...

2 de mar. de 2013

Memorando GNoSe (I)

Em profunda ignorância jaz toda a humanidade.
   Tudo se tornou uma grande ilusão dentro de um grande sonho, e assim subjazem todas as raças e todos os credos.
    Engajados na sobrevivência e no consumo de mentiras cada vez mais ferozes que delas não se pode mais fugir sem grandes desgraças desencadear, assim vive cada homem e cada mulher.
   Toda a esperança da humanidade jaz abaixo, em uma ciência que contradiz o que sua fé diz, e nem por isso os agentes dessa fé não deixam cada vez mais de fazer uso dos processos tecnológicos desencadeados pela ciência. E um controle cada vez maior cai sobre tudo e todos.
   O fato é que essa humanidade faliu. Toda essa civilização está destinada ao forno que queimará tragicamente toda imperfeição e erro, e tão logo a beleza superficial desse mundo se revele na mais fétida podridão, desabará todas as nossas certezas e todos os sentimentos aos quais somos tão apegados.
   Agora o mal já combate o mal. O mal governa o mal. O mal faz justiça ao mal e o mal responde à injustiça como se ela fosse injustiça, pois assim o é mesmo. Tudo é mal no mundo, a muito tempo...
   No Brasil aquilo que se designa como “classe” política conduz a nação à um grande ajuste de contas. Eles basicamente imploram por isso quando a cada segundo vão aumentando o grau de corrupção do governo, cumprindo desta forma uma missão cármica de lançar nossa sociedade em um irreversível embate brutal, que cedo ou tarde será deflagrado.
    Mas mesmo isso é algo tardio para a nação brasileira. Quando vier a guerra civil ela apenas servirá agora para a perpetração da linha de domínio que o mundo se engajou, o mal contra o mal.
   Porém fará queimar tudo que tem que queimar, senão assim, por catástrofes naturais.
   Mas ainda cabe à certas pessoas distenderem de tudo isso, é um esforço inútil, mas é um esforço do espírito, pois não mais tem guias ou mestres para os guiar, e assim cabem agir como melhor puderem diante do mundo que lhes apresenta.
   Que os maus lutem contra os maus, que os perversos cantem seus cantos perversos, que os pueris tratem de sua poeira, seja ela digitalizada ou análoga, aos ainda bons, não inocentes, apenas bons, cabe dar as costas ao mundo de vez e deixar que queime.

14 de fev. de 2013

A Glória da Oliveira?

   Existe um profeta que vaticinou a respeito dos Papas. Tal homem é um santo da Igreja Católica conhecido como São Malaquias, ele teria nascido por volta do ano de 1111 dC. e se tornou vigário da diocese de Celsus na Irlanda, e mais tarde chegou a ser bispo de Connor.

   Em sua época mesma ele tinha a reputação de “monge santo” e de “anjo vestido de bispo”, tal era sua reputação. Ele foi canonizado no ano de 1190.

   Por volta do ano de 1500 começou a circular pela Europa as Prophetiae de Summis Pontificibus, obra atribuída ao santo, na qual se profetizava através de epítetos que faziam referencias à sucessão de quais seriam os Papas que ocupariam o Trono de São Pedro. Há de se dizer que nenhumas de suas profecias falharam.

   São Malaquias referia-se aos brasões de família ou cardinalícios dos homens que viriam ocupar tal posição dentro da Igreja.

   Para abreviar a história e chegar ao ponto que nos interessa tomemos o exemplo das designações dos Papas de nossos tempos aos quais as profecias de São Malaquias se referiram.

   Ao Papa Pio XII (1939-58) ele designou como “Pastor Angelicus”, e a profecia se referia justamente à grande espiritualidade que as pessoas viam nesse homem e que ele mesmo demonstrava. Pio XII tinha visões de seres celestiais, e dizem ter visto certa vez o próprio Jesus Cristo em uma aparição.

   “Pastor et Nauta” foi a designação que São Malaquias deu ao substituto do Pastor Angelico. Então quando aquele foi sucedido por João XXIII (1958-63), que era natural de Veneza, uma cidade marítima, ficou fácil comprovar o acerto do profeta, mas esse Papa também conduziu como timoneiro a Igreja nas águas turbulentas do inicio da guerra fria.

   Depois de João XXIII seguiu-se na profecia anunciando “Flos Florum”, e assim assumiu o pontificado Paulo VI (1963-78), que tinha em seu brasão cardinalício Flores-de-Lis em seu interior, e pelo fato de ter interrompido o isolamento do Vaticano em relação ao resto do mundo e ter tomado contato com todas comunidades católicas e cristãs ele foi reconhecido como a “flor das flores” da cristandade.
O epíteto seguinte de São Malaquias foi “De Medietate Lunae”, e João Paulo I (1978) foi Papa pelo período de uma lunação, 33 dias.

   Seguido a ele veio então João Paulo II (1978-2005), para o qual o epíteto do profeta era “De Labore Solis”, ou seja, “O Trabalho do Sol”, e essa característica marcou plenamente seu pontificado. Ele trabalhou incansavelmente como o Sol, percorreu o mundo de leste a oeste inúmeras vezes, e indolente como o astro rei reuniu em sua órbita toda a Igreja.

   Então em 2005 foi eleito um novo Papa, ao qual o epíteto profetizado por São Malaquias foi “De Gloria Olivae”, ou seja, “A Glória da Oliveira”.

   Os estudiosos da obra de São Malaquias viam nesse Papa um mensageiro da paz, com um pontificado curto, e criam esses peritos que tal Papa seria Italiano.

   Com a ascensão de Bento XVI (2005-2013) ao pontificado a profecia pareceu finalmente demonstrar falhas, já que Ratzinger não primava pela sua fama de bondoso dentro da Igreja, já que ocupou o cargo de Inquisitor do Santo Oficio. Mas assim vimos que aconteceu...
   Depois da Glória da Oliveira, São Malaquias previu o epíteto “Petrus Secundus”, sendo este o último Papa em sua lista de epítetos proféticos. Os estudiosos diziam que o pontificado desse “Pedro Segundo” terminaria no ano de 2013, havendo depois disso grandes reviravoltas na Igreja e no mundo.

   Bom, para entender o que queremos propor aqui voltemos ao “De Labore Solis”.

   O que quero sugerir é que de alguma forma a profecia de São Malaquias nesse ponto se referia não a um, mas a dois Papas, justamente João Paulo II e Bento XVI (1978-2013).

   Se reconhecermos o fato que o pontificado de Ratzinger começou de fato antes mesmo da morte de seu antecessor, que por problemas de saúde não podia mais conduzir a administração da Igreja, e seu braço direito, o cardeal Ratzinger assumiu desde cerca de 2001 a condução da política e da espiritualidade do Vaticano.

   E se levarmos em consideração também que o Sol, a estrela mais próxima de nosso planeta é na verdade parte um sistema binário de estrelas, ou seja, um sistema onde duas estrelas companheiras interagem entre si, como a grande maioria das estrelas dentro do Universo, então podemos chegar a conclusão que João Paulo II e Bento XVI eram as partes componentes deste “sistema binário” estelar que executaram juntos o “Trabalho do Sol” ao qual o profeta São Malaquias se referiu.

   Então, agora, com a renúncia de Bento XVI nós veremos de fato comprovada a profecia da ascensão da “Glória da Oliveira” ao pontificado em Roma.

   O que dizem os especialistas mesmo a respeito deste Papa?

   Que provavelmente será um Papa italiano ou europeu, que provavelmente assumirá o nome de “Pio XIII”, que seu pontificado será curto, que ele chegará até a abandonar Roma por causa de algum conflito entre nações, por motivos políticos ou até espirituais dentro da Igreja.

   E seguindo a indicação dos especialistas e estudiosos, seu sucessor, que o profeta impingiu o epíteto de “Petrus Secundus” será finalmente o primeiro Papa não-europeu a assumir o Trono de São Pedro, e eles dizem também que esse papado se concluirá neste mesmo ano em que estamos, 2013. Então a Glória da Oliveira será também um papado rapidíssimo.

   Dizem ainda os especialistas que “Pedro Segundo será crucificado como o príncipe dos apóstolos” e seu pontificado coincidirá com um momento de grande dramaticidade da história da Igreja e de toda humanidade.

   Os fatos que se desenrolam nestes últimos dias, desde a renúncia de Bento XVI apontando uma conspiração dentro da Igreja e os fatos políticos e bélicos, como o teste nuclear da Coréia do Norte, nos deixam próximos desse cenário.

   Bom, estamos então de qualquer forma perto do tempo em que saberemos se São Malaquias falhou no final ou acertou definitivamente.

   Quem viver verá!



4 de fev. de 2013

Músicas para o Baile de Carnaval 2013

Perfeição
Legião Urbana

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...
Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...
Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...


Desperdícios
Tianastácia

A cura da AIDS morreu de fome no interior do Maranhão
A cura do Câncer morreu de esquistossomose no interior de MinasGerais
Físicos, músicos, matemáticos
Sendo salvos da fome pelos carangueijos no mangue
Morreu o filósofo Ianomami
Mataram o filósofo Ianomami
Crackolândia
São Paulo
Futuros empresários
Viram excelentes traficantes
Assaltantes de banco
Caça seqüestráveis
Ação
Reação
Desvio de verba leva à falta de opção
Gente boa vira ladrão
O Prêmio Nobel Brasileiro cheira cola
Pede esmola
No centro do Rio de Janeiro
Morreu o filósofo Ianomami
Mataram o filósofo Ianomami
Morreu o filósofo Ianomami
Mataram o filósofo Ianomami
É tanta alma boa
Que não consegue vingar
Parei pra pensar
A culpa é de quem?
A cura da AIDS morreu de fome no interior do Maranhão
A cura do Câncer morreu de esquistossomose no interior de MinasGerais
Físicos, músicos, matemáticos
Sendo salvos da fome pelos carangueijos no mangue
Morreu o filósofo Ianomami
Mataram o filósofo Ianomami
Crackolândia
São Paulo
Futuros empresários
Viram excelentes traficantes
Assaltantes de banco
Caça seqüestráveis
Ação
Reação
Desvio de verba leva à falta de opção
Gente boa vira ladrão
O Prêmio Nobel Brasileiro cheira cola
Pede esmola
No centro do Rio de Janeiro
Morreu o filósofo Ianomami
Mataram o filósofo Ianomami
Morreu o filósofo Ianomami
Mataram o filósofo Ianomami
É tanta alma boa
Que não consegue vingar
Parei pra pensar
A culpa é de quem?
Os Maluf? Os Quercia? Os Arrais? Cardoso?
Os Alves? Os Magalhães?Os Barbalhos? Os Collor? Os Sarneis?
E suas fortunas inexplicáveis.


Brasil Corrupção (Unimultiplicidade)
Tom Zé


Neste Brasil corrupção
Pontapé bundão
Puto saco de mau cheiro
Do Acre ao Rio de Janeiro

Neste país de manda-chuvas
Cheio de mãos e luvas
Tem sempre alguém se dando bem
De São Paulo a Belém

Eu pego meu violão de guerra
Pra responder essa sujeira
E como começo de caminho
Quero a unimultiplicidade
Onde cada homem é sozinho
A casa da humanidade

Não tenho nada na cabeça
A não ser o céu
Não tenho nada por sapato
A não ser o passo

Neste país de pouca renda
Senhoras costurando
Pela injustiça vão rezando
Da Bahia ao Espírito Santo

Brasília tem suas estradas
Mas eu navego é noutras águas
Como começo de caminho
Quero a unimultiplicadade
Onde cada homem é sozinho
A casa da humanidade.

Venho emporcalhar essa Textura...  mas como dizem... no carnaval, ninguém é de ninguém!
E os otários do Brasil gingam felizes agora, com as casas de show mais seguras pelo país afora...


28 de jan. de 2013

O Beijo da Morte


   Dizem que em uma guerra quem morre primeiro são os pobres, mas a verdade é que em uma guerra quem morre primeiro são os jovens.

   Entretanto, na existência humana cotidiana, mas particularmente na nossa realidade brasileira, nós travamos o pior dos combates, e neste combate a morte não distingue idade.

    Nós guerreamos contra nossa inconsciência, morremos de ignorância, matamos por estupidez.

   Por que toda consciência brasileira tem que ser pós-traumática? Por que sempre choramos depois da festa?

     É porque somos diletos em cultivar nossas tragédias!

   Fazemos isso quando pensamos que a vida é uma festa. E bebemos, e dançamos, e rezamos, e esquecemos sempre na mesma proporção, e assim comemoramos nossa “farra do bode”.

   Quando fazemos uma Copa ao invés de hospitais, quando fazemos uma Olimpíada ao invés de escolas, quando nos reunimos em estádios para xingar e brigar, quando derramamos lágrimas por um time de futebol, quando dirigimos bêbados, quando combatemos crenças alheias em nossos templos, quando compramos coisas roubadas, quando levamos celulares para dentro de presídios, quando gastamos tanto dinheiro em cabelos e silicone, quando queimamos ônibus, quando massacramos animais, quando fazemos casas nas encostas, quando pomos café na veia de doentes, quando espancamos crianças, quando acontecem incêndios em favelas, quando incendiamos os corpos de mendigos, quando a policia assassina pessoas, quando queimamos florestas, quando... quando... quando... Tudo se repete...

     Assim, estamos sempre procurando verdadeiros motivos para chorar.

   Em nossa guerra, somos massacrados pelo nosso inimigo, a nossa própria inconsciência, pela qual zelamos tão bem, regada à álcool, facebook, energéticos, diversão, reality shows, leis, novelas, multas, anfetaminas, etc.

   Então, quando nos deparamos com todas as nossas faltas de limites, impulsionados pelo desejo imenso de viver em um lugar onde a corrupção é o idílio da morte, sua principal ajudante, nós nos indignamos com aquilo que permitimos.

   Dizem, também, que um povo consciente de seus perigos gera um gênio, e reza o mesmo pensador que disse isso, que devemos acautelar-nos de nos tornarmos monstros ao combater os monstros... Mas quando somos inconscientes, quando somos tão “belos & felizes”, e nunca exigimos limites às nossas imperfeições sociais, nossas falhas morais e nossa indignação pós-traumática, essa nossa grande capacidade de sentirmos tanta pena e paixão por nós mesmos, continuaremos flertando com a tragédia, seremos vitimas indiferentes dos monstros da corrupção e do “jeitinho”, beijaremos amorosamente a morte, e nunca, nunca gênio nenhum irá surgir onde tantas pessoas são assim massacradas por motivos ao mesmo tempo, surreais e previsíveis.

   Infelizmente somos uma princesa de um conto de fadas que desperta com o beijo da morte.

10 de jan. de 2013

2013 - Rumo ao Sol


...foi-se uma data
   em um pedaço de papel
      que já não está mais dependurado na parede;
...agora os miméticos da superficialidade da alma
   riem convencidos
      com suas glórias de dogmas falaciosos;
...eles, que são cegos & tolos
   se fartam de suas bondades supersticiosas
      que ajudam o mundo ficar mais ruim;
...a força com que cobiçam a prosperidade
   é a confusão de sua índole
      que mistura progresso & esperança vã.

E nós, os rebentos do “fim do mundo”
   os enamorados da nova consciência
      tivemos nosso parto definitivo
         no berço de uma decepção mal compreendida,
Agora o mundo nos parece mais claro
   na evidência de uma ilusão
      discernida na surpresa
         de que tudo parece permanecer igual,
É o preço & nossa lição
   para podermos apreender uma novidade.

Aquilo que devíamos aguardar
    não é a dor da destruição
      mas a coragem de uma revelação...
O mundo se desnuda ao olhar atento do espaço
   & o tempo que clama ajustes
      é o mesmo que nos dá a abertura para vermos a Luz...
O mundo continua o mesmo?
Eu pelo menos
   continuo em perene & serena
      Evolução!