28 de out. de 2020

25 de out. de 2020

Antes, Agora...


Antes,
passava na vida
como um personagem em cena,
Atuava
na paisagem
como um ator...
Agora,
a vida passa por mim,
Imóvel
é o cenário que me usa
como um enfeite dentro dele.

Antes,
a vida passa por mim
como um personagem em cena
é o cenário que me usa...
Imóvel
na paisagem
como um ator...
Agora
passava na vida
Atuava
como um enfeite dentro dela.



21 de out. de 2020

A Formação Literária

Labirintos de leituras, afinidade com temas, recorrências oníricas, prazeres literários... há uma espécie de sabedoria potencial apontada no gosto de quem lê!

Leio na cama, leio no banheiro, leio no ônibus, e esperando o médico. Leio na fila do banco, no serviço, no bar, até em estádio de futebol.
Leio jornais, revistas, internet, livros principalmente. Leria papiros e pergaminhos, se os encontrasse.
Leio gestos, sorrisos, leio corpos de mulheres, leio-me também...
No reflexo da luz, letras, viajando no tempo, da coisa escrita aos olhos, e ao espírito então!
Poesias, teorias, ficção científica, ciência, haikais, psicologia, quadrinho, terror, ensaios, magia, romances, filosofia... leio-os.
Gosto de escritores do séc. XX e atuais, mas me apego à antiguidades, taoistas, pré-socráticos, medievais... leio-os todos e releio.
Leio... & escrevo também. Pois há momentos em que não basta. Sente-se uma falta, e tenho que emanar algo que ainda não li, mas é tão cheio do que sempre li, é cheio de tudo que me cativou, formou, influenciou.
A formação literária é evidentemente um diferencial, não qualificado e ou quantificados, mas sim, transubistancializador, há estilhaços de alma espalhados pelo mundo, e eles se agregam na matéria morta-viva da literatura, da escrita.
A Alquimia não existiria sem a escrita, já que a idade da cultura oral foi deixada para trás quando se pintou a primeira parede de uma caverna. E é como um aprendiz de feiticeiro que o leitor mais dileto age, agrupando livros nas estantes, e as ideias contidas neles no espírito.




11 de out. de 2020

Ariadne



N o     l a b i r i n t o 
deixamos migalhas 
para quem queremos 
que nos encontre . . . 
É t a r d e d a n o i t e 
m u i t o 
o u c e d o  demais ... 
& s ó q u e r e m o s 
encontrar a s a í d a 
 s e m cruzar c o m 
m o n s t r o s... 

5 de out. de 2020

Expirar

Aquela sensação de que, 

 a qualquer momento, 

 Junto com as cinzas que caem do céu 

 chova também uma faísca incendiária 

 Que apague a vida 

 enquanto acende nossa imaginação 

 & o desejo de nos consumir... 

 Os pulmões não aguentam mais  

a im-pressão im-precisa atmos-férica 

de vírus & cinzas 

 & tudo é um cabisbaixo sufocar 

 antes da próxima fixação do preço da vida...

Respiremos ar morto! 



2 de out. de 2020

Desvario

Não existe sonho mais impossível

do que aquele que achamos estar perdido...

Pois perder-se é estar dentro de uma força,
de um sistema, de um jogo,
que não se conhece...

Por isso que pode haver referências
para o ódio, para a devoção, para o sexo,
Mas não há nenhuma referência
para o que se Ama...

& quando a paixão desperta
é como se uma estrela raiasse
no horizonte de eventos
de um buraco negro...

Quando desperta a paixão
é como se todas as flores de um jardim se abrissem
& o olfato é inundado pelo caos
do qual não se distingue
a flor com seus espinhos
da seda veluda do lírio...

Quando desespera a paixão
sem regra, com sua lei do crime,
Só nos entenderão
os insanos, os inúteis, os rejeitados,
& os condenados!



1 de out. de 2020

Sede

 Somos plantas com sede


em canteiros de ignorância...

Assolados por tempestades solares

& invernos siderais.

Somos ervas daninhas

espalhados por esse deserto virtual,

Querendo só encontrar

a água da serenidade.

& que ela seja doce

do tamanho inverso de toda essa sede.



20 de set. de 2020

Arcano 19

 Vai chegar um momento na vida,

depois de milhares tardes de Domingo,
Que vamos ter que reinventar
o sentido dos dias,
& gritar contra toda uma falsa calmaria,
mecanismo que faz tudo reiniciar
pela forma semântica da semana...
Pois submetidos aos sete até o Deus foi,
& o descanso não passa de um fôlego
no afogamento deste soma temporal
que nos descama,
Ao que a tarde de Domingo
sempre se parece com o mais próximo
de um momento fora do tempo,
quando morre qualquer esperança
de algo realmente ser diferente
de agora para frente!
É quando a mesmice salta de novo sobre nós
& finalmente afogados nesse silêncio,
cheio do medo pelo que retornará:
Labuta, batalha, sustento,
celebraremos então cada dia
como uma suspensão não do Tempo para o outro,
mas do Espaço que é só nosso,
Pois todos os dias
são dias de sol, com a noite além,
& os dias finalmente,
não pertencerão à ninguém!



18 de set. de 2020

Anacrônico

 Vou a lugares 

que sei que você não está
para te encontrar,
Cometo pecados
pra nos santificar,
Eu faço orações
para demônios
que sei que não vão me ajudar,
Isso tudo para me provar
que o que está perdido
é o que nunca deveria se encontrar.

Tenho oceanos profundos
para mergulhar,
& marés transbordantes de gozo
& insatisfações
para me enganar,
Teus passos perdidos no mundo
bem do lado dos meus
Me falam que apesar
do muito querer
deve-se levar em conta o 'nada a ver'.



8 de set. de 2020

Anuário

 Ciranda do Tempo

Ampulheta do Espaço
em conjunção
fornicam retorno & peso,
Ali, meus passos incertos
sobre minha própria & única sina...

É preciso vastidões
de florestas, campos, mares & desertos
para se perder & encontrar-se!

O Tempo circula
& ejacula permanência
onde não devia haver coisa alguma,
& o Espaço desaba
destroços que se amontoam
no campo onde dançamos com o nada...

Viventes & existentes
coabitam nesse abismo do eclipse
Cindindo cada um
entre o retorno & o novo
de novo & de novo &...

Quem é vivo
se afoga no tempo...
Mas quem existe,
cruza os espaços!



4 de set. de 2020

O Novo Terror

 Quando o medo,

ah! o medo...

Doma o demo, essa coisa do desejo;
Quando o medo
é maior que o tesão,
não tem jeito,
é o medo, é o medo, só & medo!

Assim, não deitamos,
nem amanhecemos,
repousamos, no medo, com medo,
Sem respirar, sem tocar, sem amar,
É, o medo!

Quando o medo,
ah! o medo, de medo, no medo,
Nos toma o desejo, a vontade, o enredo,
nossas vidas...
no medo, em medo, de medo,
não tem jeito,
é só temor!

Assim, não vivemos,
nem sequer morreremos,
já parecemos, no medo, com medo,
Sem viver, esperando, em cada dia,
sim, o medo, que já chegou!

Quando o medo
dita a meta: temer, tremer, tê-lo, terror
ah! esse medo, essa não-métrica
de passo para trás,
de deixar de viver;
Sinta-o,
mas não faça dele, modo de ser!



1 de set. de 2020

Gravitar

 Em nosso imaterialismo 

a mente à deriva
como monolito a orbitar
cacos de mundos, acima
um satélite de consciência
que perdeu a rota,
é impossível naufragar nesse nada
são só saudades, vislumbres,
em um exílio sem tempo nem lugar...

Tão alto, maior a queda,
que nunca chega
& há de começar
para quando cair, nunca mais parar
como a Terra em volta do Sol
& as quatro luas que vieram o chão beijar
& o Sol que baila
em torno de um poço sem fundo
é toda nossa sina a retornar...

Lá fora, no escuro, coisa profunda,
o silêncio & o silenciar
da mente que não pensa
repetindo que no início
não foi a luz nem foi o mal
mas foi o peso do nada a não se suportar
que fez tudo começar,
desde o átomo até o desmoronar
da matéria & do corpo a amar.