1 de ago. de 2016

Ano Sabático: Finnis

Se vai enfim
   o tempo que entreguei ao tempo
      o espaço que sacrifiquei ao nada
Sem querer ou sem sofrer
Apenas passou dentro do mesmo estado vago
Ínfima vaga de minha mente!

Uma volta no Sol
   pra descobrir de novo
     que o Sol não cabe entre a Terra e a Lua
        prisão da alma
Mas um instante de tédio preenche o Universo
E sacrifica ao silêncio possível a carga da solidão...

Devagar
Pelo seu vagar confuso
O cadáver redivivo
   ergue a caveira da sepultura milenar
Oh! Corpo de desejo,
   queres te desvencilhar enfim
      do descaso de teus órgãos e sistemas artificiais!

Acalma-se tudo em volta de mim
Minha preguiça contagiou até a virtualidade
   porque efetivamente fiz do descaso com tudo
      um ato de ofensa máxima possível
         ao criador da criação... feira de insignificados...

Fugir de tudo
   é uma forma de dizer à realidade

      que ela não conseguiu te corromper!







18 de jul. de 2016

A Localização da Consciência

The Origin of Consciousness in the Breakdown of the Bicameral Mind

(“A Origem da Consciência na Ruptura da Mente Bicameral”)

de Julian Jaynes


“A Localização da Consciência”
(pág.50 e ss.)

   A falácia final que analisarei é importante e interessante; a deixei para o final porque creio que dá o tiro de misericórdia na teoria comum da consciência. Onde é o lugar da consciência?

   Todo mundo ou quase todo mundo tem como resposta à isso: na cabeça. Isto se deve a que quando introspectamos parece que buscamos ali dentro ver um espaço interno, situado atrás dos olhos. Mas o que queremos dizer com ver ou buscar? Às vezes até fechamos os olhos para observar os pensamentos, para introspectar com mais clareza. Introspectar o que? Esta índole espacial parece inquestionável. Todavia, parece que avançamos quando menos “vemos” em diferentes direções. E se esforçamos muito para caracterizar mais este espaço (apesar de seu conteúdo imaginado), sentimos uma vaga irritação, como se houvesse algo que não quisera ser conhecido, uma qualidade que resulta ser desagradável indagar sobre, como, digamos, uma atitude rude em um lugar amistoso.

   E não nos basta situar este espaço da consciência em nossa cabeça, supomos que aí está no caso das demais pessoas. Ao falar com um amigo mantemos um contato periódico olho a olho (esse vestígio de nosso passado de primatas em que o contato olho a olho se relacionava com o estabelecimento de hierarquias tribais), e sempre supomos que há um espaço detrás dos olhos do nosso interlocutor, similar ao espaço que imaginamos haver em nossas cabeças, do qual vêm o que dizemos.

    E este é o verdadeiro centro da questão, porque sabemos perfeitamente que não há nenhum espaço dentro da cabeça. Na cabeça não há outra coisa que tecidos fisiológicos de um tipo ou de outro. O que seja predominantemente neurológico não tem importância.

   Não é fácil nos habituarmos à este pensamento. Significa que continuamente estamos inventando estes espaços em nossa cabeça e nas dos demais, sabendo bem que anatomicamente não existem; a localização destes “espaços’ é de todo arbitrária. Os escritos aristotélicos, por exemplo, situam a consciência ou a morada do pensamento precisamente em cima do coração; segundo este pensador, o cérebro não era outra coisa a não ser um simples órgão refrigerador, pois era insensível ao toque e às lesões. E muitos leitores não lhe tiraram sentido nesta analise porque situam seu pensamento em algum lugar da parte superior do peito. Sem embargo, para a maioria de nós está tão arraigado o hábito de situar o pensar na cabeça que seria difícil pôr-lo em outra parte. Mas, em verdade, você poderia ficar onde está e situar igualmente sua consciência no ambiente em volta, junto à parede e perto do piso, e realizar seu pensar ali tão bem como o faz em sua cabeça. Bem, não tão bem porque há importantes razões para situar nossa mente-espaço dentro de nós, razões que tem a ver com a volição e as sensações internas, com a relação de nosso corpo e nosso “eu”, as que serão mais destacadas conforme avancemos em nossa investigação.

   Que não exista necessidade fenomenológica de localizar a consciência no cérebro é uma tese que vêm a reforçar alguns exemplos anormais, no que parece que a consciência está fora do corpo. Um amigo meu que recebeu uma lesão frontal na parte esquerda do cérebro recobrou a consciência localizando-se eufórico em um lugar do teto de um hospital, de onde podia ver-se a si mesmo deitado em um leito e envolto em bandagens. Os que consumiram a dietilamida do ácido lisérgico (LSD) falam de experiência fora do corpo, ou exosomáticas, que é seu nome. Coisas como estas não indicam nada metafísico, simplesmente indica que localizar o lugar da consciência pode resultar arbitrário.

   Mas não tomemos conclusões errôneas. Quando estou consciente, sem duvida estou usando sempre partes de meu cérebro, que estão dentro de minha cabeça. Mas o mesmo ocorre quando ando de bicicleta, se bem que o andar na bicicleta não ocorre dentro de minha cabeça. Os exemplos são diferentes, claro, porque andar na bicicleta ocorre em uma localização geográfica, o que não se sucede com a consciência. Na realidade, a consciência não tem localização nenhuma, exceto quando imaginamos que tenha.

(tradução e.m.t)




12 de jul. de 2016

Koans da Quirilidade

Tem coisas que simplesmente nos atropelam
Outras que ignoram nossas vontades
Algumas que são impossíveis de ser

Implique com tudo
   menos com a Terra rodando...
Se revolte contra qualquer coisa
menos com a morte...
Ande na corda bamba
   ao menos se pensas com os pés...

A música das esferas é o som da queda
As certezas são  opiniões fulminantes
O caminho do meio não é uma estrada

& se não entendes do que eu falo aqui,
& vai piorar,
É porque tudo te falta para ser eu

Não te preocupe com o que te escapa
A luz com seus desvios nos envia para o mesmo lugar
Passado presente futuro são estados de humor do espaço

É irresistível fugir do sentido das coisas
Girando para esquerda
Tudo contraria o que te conto

Me dê só essa licença poética
De um Eon eterno
Para findar a munição de minha metralhadora de metáforas

Tanto assim me perdoe a gramática
Para mim ainda existem estórias
E minhas idéias ainda tem acento

Avexe-se rebolando na ponta das agulhas a língua dos anjos
La Madruga só será Aurora
Quando a Estrela da Manhã lhe abandonar
Adeus, Adeus, Adeus
Me lembra de Lennon
Antes da mão do apanhador

Poderia ficar assim no instante oco
Telegrafando insônia
Mas vou acabar...

Sua benção Burroughs
Cut Ups no escuro do quarto de pensar
 Live is a Killer, que o diga Hassan

Contra o muro da realidade
Berlim ainda faz ponte com Tóquio
Onde bonzos tontos meditam nesses koans da quirilidade.


2 de jul. de 2016

Ampulheta de Cores em Preto & Branco

Olho para as pequenas imensidões
    que me roubam o fôlego quando as encaro
Quero ouvir a voz do espanto dentro de mim
    que sempre fala sobre esse mundo mudo
Seus cantos & encantos de abismo irrecuperável...

Diante de todas as provas de tudo
   a voz fala do nada
Apesar das impressões dos sentidos
   a sensação é da falta de sentido

& o saber
   que não mais me deixará dormir
Lança-se rápido na viagem desde o nada
    até emergir nessa superfície do tudo

Somos fruto de um pensamento
Com o qual pela eternidade
    queremos nos encontrar
         fugindo dele...
         ...fugindo dele
        encontramo-nos

O peso disso se chama existir!
Ampulheta que não registra
   o pó que caí no esquecimento...


“Joga teu pesar no abismo!
Esquece, Homem! Esquece, Homem!
Divina é a arte do esquecer!
Queres voar,
Queres habitar as alturas:
-joga o que mais te pesa no mar!
Aí está o mar, joga-te no mar!
Divina é a arte do esquecer!”
                                                 N.

27 de jun. de 2016

Os Cinco Saberes do Pensamento Complexo*

Saber Ver
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
                                                                   Fernando Pessoa

   “Saber ver é antes de mais nada saber ver os nossos semelhantes. De fato, a localização anatômica dos nossos olhos mostra que eles estão orientados para ver o mundo — isto é, para ver o outro. Todos sabemos que há certas partes de nossa anatomia que só podemos enxergar em ângulos muito precários, e outras que não podemos ver de modo algum”. (Humberto Mariotti)


Saber Esperar

Tudo de novo, tudo eternamente, tudo encadeado, forçado: assim amaste o mundo; vós, os eternos, amai-o eternamente e sempre, e dizeis também à dor: ‘Passa, mas torna!’ Porque toda alegria quer a eternidade.
                                                                             Nietzsche

   “Saber esperar não é uma condição que deriva de um conjunto de regras, de um sistema filosófico ou de uma disciplina pragmática. Tampouco é uma condição transcendente, à qual devemos nos curvar movidos pela fé. Trata-se de uma dimensão importante da condição humana, e negá-la é negar a própria essência do viver”. (Humberto Mariotti)


Saber Conversar

Só depois de se haverem arranhado penosamente uns aos outros, nomes e definições, percepções e sensações, só depois de tudo haver discutido em discussões benévolas em que a má vontade não dita a pergunta nem a resposta, a sabedoria salpica todas as coisas intensamente, quando a força humana lhe permite.
                                                                                                             Platão

   “Reaprender a conversar significa aprender de novo a utilizar nossos espaços de criação. Ou seja, dizemos o que os outros querem ouvir para que eles nos respondam o que queremos ouvir — e assim nada se aprende e nada se ensina”. (Humberto Mariotti)


Saber Amar

Oh! Irmãos humanos e futuros cadáveres
tenham piedade dos reles mortais; que
dessa piedade nasça, enfim, uma humilde
bondade, mais verdadeira e mais digna do
que o presunçoso amor ao próximo.
                                                                  Albert Cohen

   “Se o inferno são os outros, a felicidade também o é. Se não existe inferno sem os outros, também não há felicidade sem eles. Amar é algo que já se nasce sabendo. Em geral, os pais tentam educar as crianças para aperfeiçoá-las nesse saber. A inteligência é ao mesmo tempo o resultado do amor e a vertente que o faz brotar. Quem ama estende a mão. Quem estende a mão prepara-se para o abraço — e não se pode abraçar a quem não se ama.”. (Humberto Mariotti)


Saber Abraçar

Joga teu pesar no abismo!
Esquece, Homem! Esquece, Homem!
Divina é a arte do esquecer!
Queres voar,
Queres habitar as alturas:
-joga o que mais te pesa no mar!
Aí está o mar, joga-te no mar!
Divina é a arte do esquecer!
                                                                                                   Nietzsche

   “Para saber abraçar, é preciso antes saber amar. Surge então a pergunta: o que será que eu preciso ver no outro para que possa sentir vontade de abraçá-lo, isto é, tornar-me solidário com ele? Em primeiro lugar, preciso ver a mim mesmo, e é por isso que devo evitar projetar nele o que não desejo em mim. A maneira como vejo o outro depende mais de mim do que dele, isto é, como trabalho o meu ego e dos resultados a que chego”. (Humberto Mariotti)


[* A partir de H. Mariotti: “Os Cinco Saberes do Pensamento Complexo - (Pontos de encontro entre as obras de Edgar Morin, Fernando Pessoa e outros escritores) in: I Ciclo Multiplicadores de Cultura de Paz nas Políticas Públicas ConPAZ conpaz@uol.com.br]


/rompendo o muro/

16 de jun. de 2016

Às vezes ainda me perguntam para que serve a filosofia?


Crianças

   “Certo dia passeava com minha filha em um Shopping e passando por uma loja de brinquedos ela insistiu para que eu comprasse para ela uma linda boneca loira de princesa...
   É claro, não comprei!
   Fomos depois a uma livraria e comprei um livro para ela, na loja de música comprei um CD e depois lhe comprei roupas.
   Gastei mais do que com a boneca, mas afinal, o que se gasta com filhos é investimento, e ela começou a gostar de ler, ouvir boa música e a se vestir com bom gosto.
   Então fico pensando em que um pai que realmente ama um filho deve investir:
   Em um ser humano que veio para brincar com a vida e crescer, ou um que nasceu para crescer com a vida brincando com ela?”


 Adultos?

    As pessoas se preocupam muito com brinquedos, discutem até sobre a cor da “pele” de bonecas, fazem um escarcéu a respeito de que bonecas ou carrinhos servem para doutrinar futuros adultos em seus padrões de comportamento, dizendo até que são degradantes, que bonecas, jogos de chá e utensílios domésticos de brinquedo são para ensinar as meninas a serem mães ou donas de casa, e que carrinhos, bolas ou armas de brinquedo servem para moldar um trabalhador, um jogador de futebol ou um soldado ou assassino... 
    Creio que o que molda as pessoas é a Educação, mas mais ainda as ideias que compartilham, adultos e crianças, e não os ideais, que tentam nos impor. Os ideais servem apenas para fazermos discursos raivosos ou resignarmos com a realidade, porém as ideias são libertadoras, desde que saibamos educar uma pessoa para que elas tenham suas próprias ideias, independentes com o que brincam...
   A maior e mais forte ideia no mundo é que alguns podem dominar a vontade da maioria, isso se chama política. Tão perniciosa, que já foi dito que de todas as artes humanas, a política foi a única que criou monstros... enquanto as outras criaram maravilhas!
    Fico vendo essas crianças crescidas, cheias de seus ideais esperneando com suas frescuras na internet, querendo provar que são adultos, defendendo erros crassos, mentiras, defendendo bandidos. Com certezas elas brincaram de bonecas quando crianças, e brincaram com carrinhos e armas de plástico... se eu for seguir a linha de raciocínio que como querem, levam à alguém imaturo!
    Pois são poucos que realmente tiveram pais como mestres, e logo quando cresceram foram buscar um pai ou um ídolo cheio de certezas, foram buscar um lugar-tenente, um pequeno sargento para comandarem suas vidas fúteis e canalizarem sua incapacidade de pensar livremente, seu medo da vida, se escondendo em ideais de rebanhos, na força bruta das multidões.
    Muito tarde amaram a sabedoria (se um dia realmente amaram), se enamoraram de bons livros e uma boa cultura, e quando pretenderam estar recebendo educação superior, estavam sendo doutrinados, pois não há diferença de lojas de brinquedo com a sociedade competitiva, tudo é feito para nos manter infantilóides, bobões!
    Agora, quando nossa sociedade esgotou-se em suas barbáries, e as continuará a repetir para todo o sempre, desolados correm de volta para a barra da saia da mamãe mandona e do papai canalha, esperando um ato de violência que justifique de novo a paz de consciência de não poder mais mudar o mundo, pois trocaram a chance de fazer isso por um punhado de diversão, ou pelo menos por bilhõe$ de reai$ que podem comprar brinquedos e confortos na vida.
    Voltando as costas para a sanidade, mesmo porque só é sadio mentalmente quem viveu crescendo e brincando, se dedicam de novo à farsa maior, à ingenuidade perversa, de viver sendo brinquedo e brigando com tudo.

    Eu sei que as coisas serão melhores no futuro, pois não depende de um político ou um facínora me dizer que posso melhorar minha vida, não preciso da permissão deles e nunca dei permissão à eles me dizerem tais coisas, mas sei também que quanto mais continuarmos a querer depender dos “grandes homens e mulheres”, os insaciáveis, mais vai demorar a chegarmos em um lugar melhor.
    Como uma criança que teve uma boa família, um bom pai e uma boa mãe, sou livre para acreditar só em mim, tenho minhas ideias próprias, pois tenho conteúdo!

   Fora Temer!
   Fora PT!
   Fora PTemer!
   Fora PoliTichiqueiros/SDB/SOL/RB/TB/DT/ETC!



Que entre a Sabedoria. Sempre foi bem-vinda!

7 de jun. de 2016

Alhures incomuns

A verdade dói
porque
as aparências enganam
&
os números não mentem.


Lugares comuns
Clichês repetidos
A vergonha das palavras
A frieza matemática

O números não mentem
   pois não tem aparência;

As aparências enganam
   pois não enumeram o irreal;

A verdade dói
   pois ela é usada para enganar
      com números e poses
          estatísticas e propagandas.

Tudo é mentira
Quando a mente vai
Dormir o sono do acordar
Em passividade e ira.

...p0es1a  numér1ca
feiúra bela...
 ...núm3r0s  1rrac10na15
beleza onipresente...


Ah! Como dói!
Justiça & espelhos
Ah! Como dói!
Essa dor de aprender com os erros...

Arte que não me prende à nada
   nem ao espaço & tempo
     nem ao comum & banal...


1 de jun. de 2016

Passaporte-ParadoXo

&nte do não-ser,

Sou um romântico
     sem ninguém para amar...

Filósofo irracional,
     poeta da feiúra.

Durmo de dia,
     vivo à noite.

Meu prazer está na exaustão
     & se choro é para alegrar as horas tristes.

Rio de mim mesmo
     & não acho graça na comédia da vida.

Para mim nada é sagrado,
     mas o mais sagrado é a mulher.

Escuto músicas violentas
     para apreciar seu silêncio quando acabam.

Sonho para provar a ninguém
      que a imaginação é melhor que o real.

Sou um comunista egoísta,
     um socialista solitário;

Creio nas fronteiras
     tão quanto for
          a maldade dos homens ali cercados.

No meu passaporte paradoxal
     estão as chancelas de estrelas
          dos mundos imaginários que visitei.

Creio na alma
     quando na imensidão
          do impacto da carne sobre a carne.

O meu Deus tem como anjo
     o sátiro que disse
          que o melhor para o homem é morrer.

Meu caminho, um arco-íris,
     que sigo como um mapa de nuvens cintilantes
          & multicoloridas em cromo negror rumo ao me perder.


24 de mai. de 2016

na luz

...
passei por todas as portas
que abrem para dentro & para fora
procurando uma cor
mais clara que a branca
...
fui até onde
o longe se perde no aonde
tentando achar
a palavra que te chamasse sem chamar
...
em volta do fogo,
que queima em ardor,
senti o calor de ninguém
que queria que fosse de você
...
no ar que respirei
que aspirei ser o hálito seu,
sufoquei a vontade
de te querer por querer
...
enquanto você mudava
desconstruindo a memória de outrora,
fui aprendendo que amar o que não se vê
é a forma de amar sem poder perder
...
das portas
das cores
do nome
no ar, na luz que partiu
...
permaneci fiel às três letras
que fazem jus à sua essência,
& depois da distância
encontrei no longe o lembrar
...
longe de tua luz
longe de te encontrar,
o que fica de bom no exílio
é só a sensação de poder tornar
...
distância total
eclipse do revelar,
eu fico no escuro
até a luz me levar.

...ela tem um nome
         que eu guardo
                                na luz
                                do fogo
                                da memória
                                                   enquanto aprendo a te encontrar...


3 de mai. de 2016

Dos Sonhos

“Por que a flor inexistente é mais flor que todas as flores,
por que a Criação já pode criar somente através do homem,
 por que é somente através de nós como agora que há criação?”
Rilke



A Flor Inexistente
Desabrocha diante de meu olhar fechado
Traz a mensagem carregada de coisa nenhuma...

Estou no centro do círculo
& daqui enxergo todo o desfile de  i n s i g n i f i c a d o s
Crio a mim mesmo, destruo a mim mesmo...

Fala a fonte do oceano eterno dentro desse corpo
Sobre aventuras percorridas sem nenhuma novidade
Que encantam o espírito, chamando-o de volta ao lar...
Nada!

As paredes da realidade são construídas de energia negativa
Nossas agruras são os únicos sucessos que teremos
O eterno retorno às vezes vacila
Para engendrar na senda uma flor que desvia-nos do caminho.

São crateras de espinhos gozosos
São arquiteturas de açúcar & fel
Véus de cores incolores,
Lugares nunca vistos tão comuns...

Deus, morto, na encruzilhada do tempo
Ainda vive dentro de cada um
Que o nega em sua crença tão arraigada
Que ele esteja sempre ressuscitando...

Não há sentido nenhum na vida
E isso me enche de alegria;
O mundo pode ser aquilo que eu digo que é:
Pensamento de um demiurgo
Eternamente ecoando em um lugar sem por que!

Eu só sonho
Para marcar minha presença
Em um círculo fechado

Que está preste a se desfazer.