13 de ago. de 2016
1 de ago. de 2016
Ano Sabático: Finnis
Se
vai enfim
o
tempo que entreguei ao tempo
o
espaço que sacrifiquei ao nada
Sem
querer ou sem sofrer
Apenas
passou dentro do mesmo estado vago
Ínfima
vaga de minha mente!
Uma
volta no Sol
pra
descobrir de novo
que
o Sol não cabe entre a Terra e a Lua
prisão
da alma
Mas
um instante de tédio preenche o Universo
E
sacrifica ao silêncio possível a carga da solidão...
Devagar
Pelo
seu vagar confuso
O
cadáver redivivo
ergue
a caveira da sepultura milenar
Oh!
Corpo de desejo,
queres
te desvencilhar enfim
do
descaso de teus órgãos e sistemas artificiais!
Acalma-se
tudo em volta de mim
Minha
preguiça contagiou até a virtualidade
porque
efetivamente fiz do descaso com tudo
um
ato de ofensa máxima possível
ao
criador da criação... feira de insignificados...
Fugir
de tudo
é
uma forma de dizer à realidade
que
ela não conseguiu te corromper!
18 de jul. de 2016
A Localização da Consciência
The Origin of
Consciousness in the Breakdown of the Bicameral Mind
(“A Origem da
Consciência na Ruptura da Mente Bicameral”)
de Julian
Jaynes
“A Localização
da Consciência”
(pág.50 e ss.)
A falácia final que analisarei é importante e interessante; a deixei
para o final porque creio que dá o tiro de misericórdia na teoria comum da
consciência. Onde é o lugar da consciência?
Todo mundo ou quase todo mundo tem como resposta à isso: na cabeça. Isto
se deve a que quando introspectamos parece que buscamos ali dentro ver um
espaço interno, situado atrás dos olhos. Mas o que queremos dizer com ver ou
buscar? Às vezes até fechamos os olhos para observar os pensamentos, para
introspectar com mais clareza. Introspectar o que? Esta índole espacial parece
inquestionável. Todavia, parece que avançamos quando menos “vemos” em
diferentes direções. E se esforçamos muito para caracterizar mais este espaço
(apesar de seu conteúdo imaginado), sentimos uma vaga irritação, como se
houvesse algo que não quisera ser conhecido, uma qualidade que resulta ser
desagradável indagar sobre, como, digamos, uma atitude rude em um lugar
amistoso.
E não nos basta situar este espaço da consciência em nossa cabeça, supomos
que aí está no caso das demais pessoas. Ao falar com um amigo mantemos um
contato periódico olho a olho (esse vestígio de nosso passado de primatas em
que o contato olho a olho se relacionava com o estabelecimento de hierarquias
tribais), e sempre supomos que há um espaço detrás dos olhos do nosso
interlocutor, similar ao espaço que imaginamos haver em nossas cabeças, do qual
vêm o que dizemos.
E este é o verdadeiro centro da questão, porque sabemos perfeitamente
que não há nenhum espaço dentro da cabeça. Na cabeça não há outra coisa que
tecidos fisiológicos de um tipo ou de outro. O que seja predominantemente
neurológico não tem importância.
Não é fácil nos habituarmos à este pensamento. Significa que
continuamente estamos inventando estes espaços em nossa cabeça e nas dos
demais, sabendo bem que anatomicamente não existem; a localização destes
“espaços’ é de todo arbitrária. Os escritos aristotélicos, por exemplo, situam
a consciência ou a morada do pensamento precisamente em cima do coração;
segundo este pensador, o cérebro não era outra coisa a não ser um simples órgão
refrigerador, pois era insensível ao toque e às lesões. E muitos leitores não
lhe tiraram sentido nesta analise porque situam seu pensamento em algum lugar
da parte superior do peito. Sem embargo, para a maioria de nós está tão
arraigado o hábito de situar o pensar na cabeça que seria difícil pôr-lo em
outra parte. Mas, em verdade, você poderia ficar onde está e situar igualmente
sua consciência no ambiente em volta, junto à parede e perto do piso, e
realizar seu pensar ali tão bem como o faz em sua cabeça. Bem, não tão bem
porque há importantes razões para situar nossa mente-espaço dentro de nós,
razões que tem a ver com a volição e as sensações internas, com a relação de
nosso corpo e nosso “eu”, as que serão mais destacadas conforme avancemos em
nossa investigação.
Que não exista necessidade fenomenológica de localizar a consciência no
cérebro é uma tese que vêm a reforçar alguns exemplos anormais, no que parece
que a consciência está fora do corpo. Um amigo meu que recebeu uma lesão
frontal na parte esquerda do cérebro recobrou a consciência localizando-se
eufórico em um lugar do teto de um hospital, de onde podia ver-se a si mesmo
deitado em um leito e envolto em bandagens. Os que consumiram a dietilamida do
ácido lisérgico (LSD) falam de experiência fora do corpo, ou exosomáticas, que
é seu nome. Coisas como estas não indicam nada metafísico, simplesmente indica
que localizar o lugar da consciência pode resultar arbitrário.
Mas não tomemos conclusões errôneas. Quando estou consciente, sem duvida
estou usando sempre partes de meu cérebro, que estão dentro de minha cabeça.
Mas o mesmo ocorre quando ando de bicicleta, se bem que o andar na bicicleta
não ocorre dentro de minha cabeça. Os exemplos são diferentes, claro, porque
andar na bicicleta ocorre em uma localização geográfica, o que não se sucede
com a consciência. Na realidade, a consciência não tem localização nenhuma,
exceto quando imaginamos que tenha.
(tradução e.m.t)
12 de jul. de 2016
Koans da Quirilidade
Tem coisas que
simplesmente nos atropelam
Outras que ignoram nossas
vontades
Algumas que são
impossíveis de ser
Implique com tudo
menos com a Terra rodando...
Se revolte contra qualquer coisa
menos com a morte...
Ande na corda bamba
ao menos se
pensas com os pés...
A música das esferas é o
som da queda
As certezas são opiniões fulminantes
O caminho do meio não é
uma estrada
& se não entendes do
que eu falo aqui,
& vai piorar,
É porque tudo te falta
para ser eu
Não te preocupe com o que
te escapa
A luz com seus desvios nos
envia para o mesmo lugar
Passado presente futuro
são estados de humor do espaço
É irresistível fugir do
sentido das coisas
Girando para esquerda
Tudo contraria o que te
conto
Me dê só essa licença
poética
De um Eon eterno
Para findar a munição de
minha metralhadora de metáforas
Tanto assim me perdoe a
gramática
Para mim ainda existem
estórias
E minhas idéias ainda tem
acento
Avexe-se rebolando na
ponta das agulhas a língua dos anjos
La Madruga só será Aurora
Quando a Estrela da Manhã
lhe abandonar
Adeus, Adeus, Adeus
Me lembra de Lennon
Antes da mão do apanhador
Poderia ficar assim no
instante oco
Telegrafando insônia
Mas vou acabar...
Sua benção Burroughs
Cut Ups no escuro do quarto
de pensar
Live is a Killer, que o diga Hassan
Contra o muro da realidade
Berlim ainda faz ponte com
Tóquio
Onde bonzos tontos meditam
nesses koans da quirilidade.
2 de jul. de 2016
Ampulheta de Cores em Preto & Branco
Olho para as
pequenas imensidões
que me roubam o fôlego quando as encaro
Quero ouvir a
voz do espanto dentro de mim
que sempre fala sobre esse mundo mudo
Seus cantos
& encantos de abismo irrecuperável...
Diante de todas
as provas de tudo
a voz fala do nada
Apesar das
impressões dos sentidos
a sensação é da falta de sentido
& o saber
que não mais me deixará dormir
Lança-se rápido
na viagem desde o nada
até emergir nessa superfície do tudo
Somos fruto de
um pensamento
Com o qual pela
eternidade
queremos nos encontrar
fugindo
dele...
...fugindo dele
encontramo-nos
O peso disso se
chama existir!
Ampulheta que
não registra
o pó que caí no esquecimento...
“Joga teu pesar
no abismo!
Esquece, Homem! Esquece, Homem!
Divina é a arte do esquecer!
Queres voar,
Queres habitar as alturas:
-joga o que mais te pesa no mar!
Aí está o mar, joga-te no mar!
Divina é a arte do esquecer!”
Esquece, Homem! Esquece, Homem!
Divina é a arte do esquecer!
Queres voar,
Queres habitar as alturas:
-joga o que mais te pesa no mar!
Aí está o mar, joga-te no mar!
Divina é a arte do esquecer!”
N.
27 de jun. de 2016
Os Cinco Saberes do Pensamento Complexo*
Saber Ver
O
essencial é saber ver,
Saber
ver sem estar a pensar,
Saber
ver quando se vê,
E
nem pensar quando se vê
Nem ver quando se
pensa.
Fernando Pessoa
“Saber ver é antes de mais nada saber ver os nossos semelhantes. De
fato, a localização anatômica dos nossos olhos mostra que eles estão orientados
para ver o mundo — isto é, para ver o outro. Todos sabemos que há certas partes
de nossa anatomia que só podemos enxergar em ângulos muito precários, e outras
que não podemos ver de modo algum”. (Humberto
Mariotti)
Saber Esperar
Tudo de novo, tudo eternamente,
tudo encadeado, forçado: assim amaste o mundo; vós, os eternos, amai-o
eternamente e sempre, e dizeis também à dor: ‘Passa, mas torna!’ Porque toda
alegria quer a eternidade.
Nietzsche
“Saber esperar não é uma condição que deriva de um conjunto de regras,
de um sistema filosófico ou de uma disciplina pragmática. Tampouco é uma condição
transcendente, à qual devemos nos curvar movidos pela fé. Trata-se de uma
dimensão importante da condição humana, e negá-la é negar a própria essência do
viver”. (Humberto Mariotti)
Saber Conversar
Só depois de se
haverem arranhado penosamente uns aos outros, nomes e definições, percepções e
sensações, só depois de tudo haver discutido em discussões benévolas em que a
má vontade não dita a pergunta nem a resposta, a sabedoria salpica todas as
coisas intensamente, quando a força humana lhe permite.
Platão
“Reaprender a conversar significa aprender
de novo a utilizar nossos espaços de criação. Ou seja, dizemos o que os outros
querem ouvir para que eles nos respondam o que queremos ouvir — e assim nada se
aprende e nada se ensina”. (Humberto
Mariotti)
Saber Amar
Oh! Irmãos humanos e futuros cadáveres
tenham piedade dos reles mortais; que
dessa piedade nasça, enfim, uma humilde
bondade, mais verdadeira e mais digna do
que o presunçoso amor ao próximo.
Albert Cohen
“Se o inferno são os outros, a felicidade
também o é. Se não existe inferno sem os outros, também não há felicidade sem
eles. Amar é algo que já se nasce sabendo. Em geral, os pais tentam educar as
crianças para aperfeiçoá-las nesse saber. A inteligência é ao mesmo tempo o resultado do amor e a vertente
que o faz brotar. Quem ama estende a mão. Quem estende a mão prepara-se para o
abraço — e não se pode abraçar a quem não se ama.”. (Humberto Mariotti)
Saber Abraçar
Joga teu pesar no
abismo!
Esquece, Homem! Esquece, Homem!
Divina é a arte do esquecer!
Queres voar,
Queres habitar as alturas:
-joga o que mais te pesa no mar!
Aí está o mar, joga-te no mar!
Divina é a arte do esquecer!
Esquece, Homem! Esquece, Homem!
Divina é a arte do esquecer!
Queres voar,
Queres habitar as alturas:
-joga o que mais te pesa no mar!
Aí está o mar, joga-te no mar!
Divina é a arte do esquecer!
Nietzsche
“Para saber abraçar, é preciso antes saber
amar. Surge então a pergunta: o que será que eu preciso ver no outro para que
possa sentir vontade de abraçá-lo, isto é, tornar-me solidário com ele? Em
primeiro lugar, preciso ver a mim mesmo, e é por isso que devo evitar projetar
nele o que não desejo em mim. A maneira como vejo o outro depende mais de mim
do que dele, isto é, como trabalho o meu ego e dos resultados a que chego”. (Humberto Mariotti)
[*
A partir de H. Mariotti: “Os Cinco Saberes do Pensamento Complexo - (Pontos
de encontro entre as obras de Edgar Morin, Fernando Pessoa e outros escritores) in: I
Ciclo Multiplicadores de Cultura de Paz nas Políticas Públicas ConPAZ conpaz@uol.com.br]
/rompendo o muro/
16 de jun. de 2016
Às vezes ainda me perguntam para que serve a filosofia?
Crianças
“Certo dia passeava com minha filha em um
Shopping e passando por uma loja de brinquedos ela insistiu para que eu
comprasse para ela uma linda boneca loira de princesa...
É claro, não comprei!
Fomos depois a uma livraria e comprei um
livro para ela, na loja de música comprei um CD e depois lhe comprei roupas.
Gastei mais do que com a boneca, mas afinal,
o que se gasta com filhos é investimento, e ela começou a gostar de ler, ouvir
boa música e a se vestir com bom gosto.
Então fico pensando em que um pai que
realmente ama um filho deve investir:
Em um ser humano que veio para brincar com a
vida e crescer, ou um que nasceu para crescer com a vida brincando com ela?”
Adultos?
As pessoas se preocupam muito com brinquedos, discutem até sobre a cor
da “pele” de bonecas, fazem um escarcéu a respeito de que bonecas ou carrinhos
servem para doutrinar futuros adultos em seus padrões de comportamento, dizendo
até que são degradantes, que bonecas, jogos de chá e utensílios domésticos de
brinquedo são para ensinar as meninas a serem mães ou donas de casa, e que
carrinhos, bolas ou armas de brinquedo servem para moldar um trabalhador, um
jogador de futebol ou um soldado ou assassino...
Creio que o que molda as pessoas é a Educação, mas mais ainda as ideias
que compartilham, adultos e crianças, e não os ideais, que tentam nos impor. Os
ideais servem apenas para fazermos discursos raivosos ou resignarmos com a
realidade, porém as ideias são libertadoras, desde que saibamos educar uma
pessoa para que elas tenham suas próprias ideias, independentes com o que
brincam...
A maior e mais forte ideia no mundo é que alguns podem dominar a vontade
da maioria, isso se chama política. Tão perniciosa, que já foi dito que de
todas as artes humanas, a política foi a única que criou monstros... enquanto
as outras criaram maravilhas!
Fico vendo essas crianças crescidas, cheias de seus ideais esperneando
com suas frescuras na internet, querendo provar que são adultos, defendendo
erros crassos, mentiras, defendendo bandidos. Com certezas elas brincaram de
bonecas quando crianças, e brincaram com carrinhos e armas de plástico... se eu
for seguir a linha de raciocínio que como querem, levam à alguém imaturo!
Pois são poucos que realmente tiveram pais como mestres, e logo quando
cresceram foram buscar um pai ou um ídolo cheio de certezas, foram buscar um
lugar-tenente, um pequeno sargento para comandarem suas vidas fúteis e
canalizarem sua incapacidade de pensar livremente, seu medo da vida, se
escondendo em ideais de rebanhos, na força bruta das multidões.
Muito tarde amaram a sabedoria (se um dia realmente amaram), se
enamoraram de bons livros e uma boa cultura, e quando pretenderam estar
recebendo educação superior, estavam sendo doutrinados, pois não há diferença
de lojas de brinquedo com a sociedade competitiva, tudo é feito para nos manter
infantilóides, bobões!
Agora, quando nossa sociedade esgotou-se em suas barbáries, e as
continuará a repetir para todo o sempre, desolados correm de volta para a barra
da saia da mamãe mandona e do papai canalha, esperando um ato de violência que
justifique de novo a paz de consciência de não poder mais mudar o mundo, pois
trocaram a chance de fazer isso por um punhado de diversão, ou pelo menos por
bilhõe$ de reai$ que podem comprar brinquedos e confortos na vida.
Voltando as costas para a sanidade, mesmo porque só é sadio mentalmente
quem viveu crescendo e brincando, se dedicam de novo à farsa maior, à
ingenuidade perversa, de viver sendo brinquedo e brigando com tudo.
Eu sei que as coisas serão melhores no futuro, pois não depende de um
político ou um facínora me dizer que posso melhorar minha vida, não preciso da
permissão deles e nunca dei permissão à eles me dizerem tais coisas, mas sei
também que quanto mais continuarmos a querer depender dos “grandes homens e mulheres”, os insaciáveis, mais vai demorar a
chegarmos em um lugar melhor.
Como uma criança que teve uma boa família, um bom pai e uma boa mãe, sou
livre para acreditar só em mim, tenho minhas ideias próprias, pois tenho
conteúdo!
Fora Temer!
Fora PT!
Fora PTemer!
Fora PoliTichiqueiros/SDB/SOL/RB/TB/DT/ETC!
Que entre a
Sabedoria. Sempre foi bem-vinda!
7 de jun. de 2016
Alhures incomuns
A verdade dói
porque
as aparências
enganam
&
os números não
mentem.
Lugares
comuns
Clichês
repetidos
A
vergonha das palavras
A
frieza matemática
O
números não mentem
pois não tem aparência;
As
aparências enganam
pois não enumeram o irreal;
A
verdade dói
pois ela é usada para enganar
com números e poses
estatísticas e propagandas.
Tudo
é mentira
Quando
a mente vai
Dormir
o sono do acordar
Em
passividade e ira.
...p0es1a numér1ca
Ah!
Como dói!
Justiça
& espelhos
Ah!
Como dói!
Essa
dor de aprender com os erros...
Arte
que não me prende à nada
nem ao espaço & tempo
nem ao comum & banal...
1 de jun. de 2016
Passaporte-ParadoXo
&nte
do não-ser,
Sou
um romântico
sem ninguém para amar...
Filósofo
irracional,
poeta da feiúra.
Durmo
de dia,
vivo à noite.
Meu
prazer está na exaustão
& se choro é para alegrar as horas
tristes.
Rio
de mim mesmo
& não acho graça na comédia da vida.
Para
mim nada é sagrado,
mas o mais sagrado é a mulher.
Escuto
músicas violentas
para apreciar seu silêncio quando acabam.
Sonho
para provar a ninguém
que a imaginação é melhor que o real.
Sou
um comunista egoísta,
um socialista solitário;
Creio
nas fronteiras
tão quanto for
a maldade dos homens ali cercados.
No
meu passaporte paradoxal
estão as chancelas de estrelas
dos mundos imaginários que visitei.
Creio
na alma
quando na imensidão
do impacto da carne sobre a carne.
O
meu Deus tem como anjo
o sátiro que disse
que o melhor para o homem é morrer.
Meu
caminho, um arco-íris,
que sigo como um mapa de nuvens cintilantes
& multicoloridas em cromo negror
rumo ao me perder.
24 de mai. de 2016
na luz
...
passei
por todas as portas
que
abrem para dentro & para fora
procurando
uma cor
mais
clara que a branca
...
fui
até onde
o
longe se perde no aonde
tentando
achar
a
palavra que te chamasse sem chamar
...
em
volta do fogo,
que
queima em ardor,
senti
o calor de ninguém
que
queria que fosse de você
...
no
ar que respirei
que
aspirei ser o hálito seu,
sufoquei
a vontade
de
te querer por querer
...
enquanto
você mudava
desconstruindo
a memória de outrora,
fui
aprendendo que amar o que não se vê
é
a forma de amar sem poder perder
...
das
portas
das
cores
do
nome
no
ar, na luz que partiu
...
permaneci
fiel às três letras
que
fazem jus à sua essência,
&
depois da distância
encontrei
no longe o lembrar
...
longe
de tua luz
longe
de te encontrar,
o
que fica de bom no exílio
é
só a sensação de poder tornar
...
distância total
eclipse do revelar,
eu fico no escuro
até a luz me levar.
...ela tem um nome
que
eu guardo
na luz
do fogo
da memória
enquanto aprendo a te encontrar...
3 de mai. de 2016
Dos Sonhos
“Por que a flor inexistente é mais flor que
todas as flores,
por
que a Criação já pode criar somente através do homem,
por que é somente através de nós como agora
que há criação?”
Rilke
A
Flor Inexistente
Desabrocha
diante de meu olhar fechado
Traz
a mensagem carregada de coisa nenhuma...
Estou
no centro do círculo
&
daqui enxergo todo o desfile de i n s i g n i f i c a d o s
Crio
a mim mesmo, destruo a mim mesmo...
Fala
a fonte do oceano eterno dentro desse corpo
Sobre
aventuras percorridas sem nenhuma novidade
Que
encantam o espírito, chamando-o de volta ao lar...
Nada!
As
paredes da realidade são construídas de energia negativa
Nossas
agruras são os únicos sucessos que teremos
O
eterno retorno às vezes vacila
Para
engendrar na senda uma flor que desvia-nos do caminho.
São
crateras de espinhos gozosos
São
arquiteturas de açúcar & fel
Véus
de cores incolores,
Lugares
nunca vistos tão comuns...
Deus,
morto, na encruzilhada do tempo
Ainda
vive dentro de cada um
Que
o nega em sua crença tão arraigada
Que
ele esteja sempre ressuscitando...
Não
há sentido nenhum na vida
E
isso me enche de alegria;
O
mundo pode ser aquilo que eu digo que é:
Pensamento
de um demiurgo
Eternamente
ecoando em um lugar sem por que!
Eu
só sonho
Para
marcar minha presença
Em
um círculo fechado
Que
está preste a se desfazer.
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