19 de abr de 2014

O Peixe



O Peixe é um dos animais, quando usado como símbolo espiritual, se torna um dos mais contundentes na vida e na mente humana.
   Esse animal é tratado de maneira diferenciada em várias culturas de diversos povos ao longo do tempo através dos milênios, e comporta em si uma gama de significações profundas, e a primeira vista até contraditórias entre si, para os que não penetram nos mistérios dos significados do Inconsciente.
    Nesses nossos tempos, dentro de nossa cultura ocidental, o Peixe adentra principalmente na figura de Cristo. Mas as pessoas, mergulhadas na cotidianidade fútil, não sabem os “por quê” que os levam a seguir certas tradições, como se alimentar de peixe na Semana Santa, a grande maioria ignora o que realmente significam estas particularidades a nível espiritual ou psicológico.
   O principal simbolismo que o Peixe carrega nos dia de hoje gira em torno das nossas próprias escolhas de vida e no modo final como nossa sociedade, através dessas nossas “próprias escolhas”, se arregimenta e será no futuro.
   O símbolo zodiacal de Peixes denota dois animais, representados pelo ser humano como os concebemos visualizados na Constelação de Pisces, um nadando verticalmente e o outro nadando horizontalmente, ambos ligados por um filamento. A disposição dos dois peixes, quando sobrepostos, forma uma cruz, símbolo da ligação ou inteiração entre o Divino e o Mundano, o Espírito e a Matéria.




Outras representações artísticas deste Signo mostra os dois peixes disposto como se nadassem em círculo em torno de si, como uma ciranda, lembrando o símbolo oriental Tei-gi do Taoismo, mais conhecido como o Yin-Yang.



   Astronomicamente, sabemos que estamos já no final da Era de Peixes, isso quer dizer que durante aproximadamente os últimos dois mil e cem anos o Sol vem nascendo na direção desta Constelação. Peixes é ainda o último mês do Ano Zodiacal, que tem uma duração total de aproximadamente vinte e cinco mil e oitocentos anos terrestres.
   Curiosamente essas correlações tem profundas implicâncias psicológicas, fator esse que tem a ver com a própria estrutura da natureza universal, na qual o ser humano é o ponto mais sensível por ser arrojado de Autoconsciência e pode “captar” as influências ou significâncias impostas desde o espaço exterior onde estão as constelações fixas.
   Um fato também importante em torno disto é que por possuir Consciência de si, o ser humano também possui um lado latente, que os psicólogos designaram de Subconsciência ou Inconsciente, e é por esse “aparelho consciencial” que o ser humano atua dentro do mundo.
   Crê-se ainda que o Ano Zodiacal implica no próprio desenvolvimento do consciente/inconsciente humano, até o seu apice que deveria se realizar em Peixes, passando para o próximo Ano Zodiacal em um patamar superior, assim adæternum ou até se realizar sua função dentro da Natureza.
   O aparato consciencial humano usa então dos símbolos para se comunicar entre suas partes inconsciente e consciente de sua alma, ou psique. Externalizamos desde os sonhos e as visões para o mundo concreto nossos sentidos mais profundos. É aí onde entendemos quando dizemos que “as coisas são mais do que parecem”, ou seja, todos nossos atos, pensamentos e palavras carregam significados psicológicos profundos, e assim é o caso do Peixe, onde denota-se a formação conciliadora ou em direção à completude dos oposto que giram dentro de cada um de nós.

   Na antiguidade, antes da Era Cristã, o peixe era usado como alimento sagrado, por exemplo, no Egito, onde só certos sacerdotes podiam ingerir tal prato. Ao povo Judeu foi proibido pela Lei Mosaica comer peixes do mar, e com o advento do Cristianismo, que sincronicamente iniciou-se justamente com a Era Zodiacal de Peixes, o peixe ganhou um status mais revelador e passou a se girar em torno da temática do peixe e da pesca diversos símbolos espirituais dessa nova crença da alma humana, ressonando embaixo, no mundo, as significâncias das estrelas, acima.
   Nesse período se implicou mais precisamente o caso de se resolver finalmente o “problema do mal no mundo”, e parece ser essa a principal resposta trazida à realidade para um entendimento final sobre a condição humana e Divina também.
   Psicologicamente se nota uma evolução espiritual, da psique humana, à medida que o Sol vai fazendo sua ronda pelas doze Constelações. Agora vivemos sob as influências dos Peixes zodiacais e particularmente nesse caso, imputa-se uma evolução dentro do Arquétipo paradoxal da Completude imbuído dentro de si mesmo.
   Notamos a disposição contraditória dos animais que representam esse Signo do zodíaco, os dois peixes em posições contrárias, mas que em sua união apontam uma totalização, uma completude, expressão realizada no símbolo da cruz que caracteriza a possibilidade da suspenção do ser humano, ou sua essência, entre o espírito e a matéria, é essa a significação real e abrangente, dito muito suscintamente, verdadeiramente proposta pelo Cristo, a união dos opostos para a realização completa da natureza divina do ser humano, e mais, da dimensão real do próprio Ser, Deus, O qual abarca realmente tudo, o Bem e o Mal, a matéria e o espírito, a luz e as trevas.


   Diz-se que o Indivíduo, tal qual concebemos com este conceito e o vivenciamos hoje, só foi possível de existir graças aos ensinamentos de Cristo, na Era de Peixes.
   O desenrolar da “saga” do Cristo para além das doutrinas metafísicas da Igreja, propôs por exemplo, nas Lendas do Graal, essa figura do Herói, como Percival que parte da inconsciência de sua individualidade, em um estado de inocência bruta, até sua atuação consciente como Cavaleiro que serve ao Graal. Podemos ler dentro da estória de Percival uma evolução espiritual, a qual caracteriza justamente os passos do ser humano rumo à sua autoconsciência.

   Ao longo do tempo, depois do advento histórico, ou mitológico, do Cristo em Jesus (o Arquétipo do Herói de nossos tempos), os seguidores dessa crença se voltaram para as significâncias de Luz e do Bem nos símbolos e ensinamentos Cristãos, e o mal foi relegado à sentidos muito deficitários e insatisfatórios para explicar a realidade cotidiana. Desenvolveu-se o dogma teológico que o Bem era Deus, e o Mal era apenas uma característica basicamente humana, isso psicologicamente teve nefastos efeitos, pois a psique, a alma, não aceita desequilíbrios. Em nossa economia interior tudo deve se desenvolver em harmonia, e ao longo dos últimos dois mil anos, a mente procurou de todas as formas compensar o excesso infinito de Luz e Bem que é o Deus Cristão, manifestado no mundo em Seu filho Cristo, em um antagonista que comportasse também um excesso infinito de Escuridão e Mal, que foi finalmente apelidado de Diabo, assim surgiu a imagem do Anticristo na consciência das pessoas.
   Podemos constatar que tal desenvolvimento já estava “escrito nas estrelas”, há de ver a conotação da representação do Signo de Peixes. Porém do modo como aconteceu, o que reconhecemos é que a Igreja encobriu a faceta negativa das disposições simbólicas de Peixes, voltando-se estranhamente para o lado positivo apenas. Poderíamos dizer que isso é humanamente explicável, pois queremos sempre o que é bom, mas justamente isso não é humano, pois a psique implica em um movimento de abranger a tudo, não só uma parte.
   Para nosso prejuízo psicológico, comportamental, filosófico e social, a coisas prosseguiram no rumo que deviam ir, mas desequilibradamente.
   Nosso mundo atual, repousa sob a influência do final do lombo do peixe horizontal que é o Anticristo, e é justamente esse o peixe usado entusiasticamente nos adesivos em veículos automotores e como símbolo de muitas igrejas cristãs. Adotamos inconscientemente os impulsos anticristãos.
   Nossa sociedade, nosso estilo de vida, nossa espiritualidade, refletem todos, o próprio contrário do Cristo, ou melhor, sua compensação psicológica na mente e na vida humana, e quanto mais em nossa espiritualidade tentamos perpetrar com palavras o Amor de Cristo, mais vamos realizando em atos o desamor do Anticristo. Sucumbimos à “massa”, ao rebanho, símbolo tão caro aos cristãos, e o rebanho é a dissolução da individualidade.

   Por que é assim? Porque esta é a natureza da alma. E agimos e reagimos na realidade cotidiana a partir destes elementos porque faz parte de nossa formatação psicológica buscar o equilíbrio que deve manter nossa sanidade, nossa saúde mental.
   Séculos de imposições psicológicas e físicas feitas pela doutrina cristã através de dogmas onde um Bem infinito e um Deus de plena Luz, impossível até de ser concebido, é então equilibrado por um mal generalizado na sociedade, no mundo, onde de repente somos apanhados boquiabertos diante de uma violência desumana e uma frieza pessoal ou governamental do Estado que prescinde de qualquer alento Cristão que o povo busca em sua espiritualidade comunitária.
   Como pode , por exemplo, uma nação dita cristã, que concebe-se firmada na liberdade de escolha democrática, deixar prosperar tantos desmandos e corrupção sem mudar nada politicamente ao longo de séculos?
   Nosso sofrimento pessoal e social é o preço de nossa ignorância espiritual das coisas como verdadeiramente são, recalcados que somos por dois milênios de inverdades comodas que serviram para implantar o bem-estar social apenas para alguns. É como assevera Carl Jung:
   “O cristianismo, por seu lado, insistiu na bondade de Deus como Pai amoroso e tentou, pelo menos, privar o mal de qualquer substancialidade. A profecia do Anticristo, feita na Igreja primitiva, e certas ideias da teologia judaica tardia, porém, poderiam estar indicando que falta ainda uma premissa menor na resposta cristã ao problema de Jó, premissa cuja realidade sinistra a divisão do mundo em dois blocos coloca-nos ameaçadoramente diante dos olhos: a supressão da imagem divina é seguida de perto pela anulação da personalidade. O ateísmo materialista forma, com suas utopias quiméricas, a religião daquelas correntes racionalistas que fazem a liberdade da personalidade depender da massa, com o que a destroem. Os representantes do cristianismo se consomem com a mera conservação do patrimônio recebido, sem dar continuidade à construção da própria casa, para torná-la mais espaçosa.” (in “Aion”, C.G. Jung – O.C. 9/2 §170 - Vozes).
   Jung fala aqui a respeito do materialismo, do ateísmo, do socialismo e até da ditadura fascista, mas podemos estender sua crítica também ao próprio capitalismo e ao cristianismo voltado para a prosperidade econômica, o qual subverte tudo à massificação, mesmo acalentando a exacerbação da personalidade e da individualidade.
   De tal forma, o significado psicológico e profundo do Peixe e da pesca, que deviam, entre outros símbolos, efetivamente serem desenvolvidos na Era de Peixes não foi realizado pela alma humana, e nosso mundo se tornou o que é. Houve uma cisão completa entre dois lados que deviam ser complementares.
   E qual é este sentido não realizado? Ele se encontra entre os anseios e crenças de grupos estigmatizados, perseguidos e eliminados, crenças esquecidas ao longo da História do Ocidente, como o Gnosticismo e o próprio demonizado Judaísmo, tanto espiritualmente quanto politicamente. E sabemos que Judeus e Gnósticos são as raízes espirituais do Cristianismo!
   Rapidamente, sem apontar as fontes, visando praticidade, poderíamos descrever essas visões e anseios espirituais da seguinte forma: dar conta de nossa natureza significa entender a natureza do próprio Deus, que do Antigo para o Novo Testamento revela uma transformação em Sua própria personalidade Divina, coisa inconcebível para os cristãos de hoje em dia. A cruz de Peixes, na qual se ergue o símbolo encarnado do Si-Mesmo (Deus), comporta a personalidade do ser humano moderno (o Cristo), essa cruz é um anzol, no qual se engata uma isca, um peixinho, com o qual se deve fisgar outro animal, o Leviatã, a representação posterior do inimigo de Deus.
   Na verdade o Leviatã é uma espécie de Super-animal que Deus criou, uma expressão externalizada de Sua própria Sombra, Seu lado negativo, pois como, e até infinitamente mais, que o ser humano,  Deus é Completo (esse é o sentido de nossa própria psique urgir sempre rumo à completude em suas volições, pois carregamos dentro de nós uma Centelha Divina).
   É a carne desse super-animal peixe-ave-terrestre, o Leviatã, que Deus preparou para ser servido no Banquete dos Justos, ou dos Perfeitos que ascenderão ao Paraíso no final da História, ou da Era de Peixes, que está se encerrando, como se fosse uma compensação para todos os sofrimentos não merecidos infundidos pela nossa passagem pelo mundo material e os esforços de alguns para serem seres Completos. Fisgado com a isca Cristo no anzol-cruz, a carne deste “peixe” é pura, e alimentará esses Santos.


O Banquete dos Justos (Bíblia Ambrosiana). Acima o Leviatã nas águas
de onde é pescado, e abaixo os Perfeitos, em imagens terriomórficas,
expressando a completude entre o humano e o animal, cheios de
dignidade, no Paraíso, apreciam a refeição.

  

    O Leviatã que posteriormente na filosofia ganhou um interessante sentido político no qual podemos refletir sobre a “esquecida” função histórica evolutiva da mente na Era de Peixes.
   Ao longo da era Cristã construímos o Reino do Anticristo, nos dia de hoje o Leviatã, que é o símbolo moderno do Estado, de nossa sociedade, pode estar finalmente preso no anzol espiritual, e talvez tivéssemos assim a chance de devorá-lo, ou seja, temos escancarado diante de nós, na ruas, nos jornais e na TV, tudo aquilo que devíamos transformar no mundo, mas será que temos coragem e força psicológica para realizar esse desafio? Ou caímos definitivamente na armadilha da “anulação da personalidade” que Jung apontou, e é irreversível nossa “supressão da imagem divina” e consequentemente, de nossa personalidade? Ou seja, o plano de Deus para Ele próprio deixar de ser o deus dos exércitos do Antigo Testamento e ser o deus de amor do Novo Testamento não vingou de forma plena, ou foi bem sucedido, dependendo da interpretação.
   Espiritualmente falando, os Gnósticos por exemplo atestam que as coisas não ocorreriam como as pessoas comuns, cheias da doutrina do Deus Eternamente Amoroso quisessem que acontecessem, que o mundo seguirá seu destino, que é ser entregue aos pacíficos, como se diz no Sermão da Montanha, e que a materialidade subsistirá sem o ser humano, pelo menos esse “ser humano moderno”. Os Judeus mesmo esperam ainda o Messias, ou o Messias filho de Davi, que virá, segundo seu misticismo medieval, depois do Messias filho de José.
   E nós, que apesar de toda nossa indignação e abismamento diante da violência e da corrupção, parece mesmo que a indiferença e o egoísmo são maiores e mais fortes como guias de nossas vidas e mente, o que impediu de realizarmos os impulsos da Era de Peixes no mundo real. Aparentemente nós falhamos, falhando em parte Deus também.
   No final, o que se dá no caso do Leviatã é uma concepção muito mais profunda e radical, à qual nossas psiques educadas pelo cristianismo não permite pensar por medo e desinformação, essa concepção por si só sinistra e quase incompreensível para a alma das pessoas atuais, se é que hoje tenhamos alma, é a idéia do Mal combatendo o Mal, assim como que, com um peixe, pescamos outro peixe.
   No plano Divino podemos dizer que se realizou seus objetivos, Ele pescou o Leviatã, agora o mundo será abandonado à ignorância, ou à inocência, e no outro mundo os Perfeitos comerão a carne pura do Leviatã, enquanto os que aqui ficarem desfrutarão o banquete do mundo que construimos até submergirmos na anulação. E assim o mundo cumpriu sua função aos olhos de um Deus Uno.

   A Páscoa, data Cristã da ressurreição de Cristo implica um banquete terrestre da pesca espiritual, do Herói que desceu ao Inferno, apanhou ali Adão e demais Justos, e os libertou do mundo material.
   Essa data anual, simbolizava antes a festa pastoril em comemoração à chegada da Primavera, onde vemos se refletir então o Mito grego de Deméter que foi resgatar a filha Persefóne do Mundo Inferior (Infernus) de Hades, e ao voltarem ao mundo da superficie, a natureza volta a florir na Primavera. Coisa que por um trato entre os deuses, arquétipos dos fatores psicológicos humanos, acontece periodicamente, pois Persefóne (Coré - Cristo?) agora pertence ao mundo inferior, como esposa de Hades, onde passa as demais Estações do ano.
   Significante também é o termo “páscoa” ter derivado do Pessach judaico, sua comemoração da fuga do Egito, e sua terminologia ser tão próxima à “pesca”. Na tradição cristã católica então nós realizamos o inverso, comemos o peixe na Sexta-feira da Paixão, e no Domingo de Páscoa distribuímos os ovos, símbolo pagão significando mesmo o renascimento, uma prova da confusão mental instalada no mundo.



   Agora os eflúvios da Era de Peixes vão se desfazendo, a marcha do Sol segue apontando as estrelas exteriores, e logo amanhecerá uma aurora na Constelação de Aquário, e talvez as águas do Inconsciente, que até então eram um mar onde se pescava em fartura os peixes dos símbolos transcendentes, se torne um recipiente fechado onde se depositam apenas alguns espécimes particulares de animais aquáticos, belos e estranhos, como se parecem os ideais zelados de uma Nova Era vendidos nas lojas esotéricas.
      Mas não podemos nos deixar enganarmos pela segunda vez seguida em duas Eras. O espírito humano precisa se precaver quanto a mais um erro de interpretação autoritária das necessidades da alma como o fez na Era Cristã de Peixes. A Era Cristã de Aquário vêm, invariavelmente, sendo pavimentada pela alienada euforia rave, pelos livros de autoajuda, pelo ocultismo, o erotismo e o falatório estagnado evangélico. Estaríamos germinando uma Primavera de entretenimento ou um jardim suspenso de novas falsidades?
   O símbolo do Signo de Aquário não é nosso conhecido objeto usado como viveiro de peixinhos ornamentais, mas é a de um ser humano entornando as águas de um cântaro, que representa a Constelação do Aguadeiro, o que nos leva a pensar que o  impulso estelar seja enfim o de entornarmos no mundo nossas águas interiores, queira nossa sorte, sejam águas harmônicas, ou pelo menos, a dispensa das águas estagnadas que zelamos na psique durante toda a Era de Peixes.
   Curiosamente poderia estar despejando água sobre um peixe que encontrou sob a terra primaveril da nova Estação Zodiacal, o Cristo de Aquário? Afinal, na Bíblia, quando perguntado pelos discípulos onde o encontrariam depois de sua partida, Cristo respondeu que deveriam seguir um homem que encontrassem na entrada da cidade, carregando um cântaro sobre os ombros.



   O Aguadeiro comporta também o inicio de um Ano Novo Zodiacal, ao qual adentramos com a consciência mais elevada, diferente da ronda anterior, caso consigamos escapar imunes aos “gritos e gemidos de parto” (cf. Paulo, na Bíblia) que anunciam guerras fatais por todo o globo, coisas impensáveis para o nível científico e de desenvolvimento social em certas partes do mundo, mas que todos sucumbem também à premissa do Anticristo.
   Parece que em Aquário essas alternâncias paradoxais do espírito, de Deus e da alma humana serão de alguma forma resolvidas ou até mesmo superadas, e esse é o trabalho incessante da alma humana ao longo das Eras, zelar do peixinho que é o ínfimo de ligação entre o espírito divino e o corpo terrestre, até que nos seja possível sermos seres equilibrados dentro desse mundo, e podermos um dia provarmos do banquete do Peixe Sagrado nas paragens astrais que Deus urdiu para receber de volta a mônada que vivificou o indivíduo humano.

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