19 de jun de 2018

Ânsia

Ânsia
palavra com plural no meio,
Ao que do grego eu soletrasse
esse sentimento que me enche de anseio,
Digo o motivo desse empasse
-α ν α (Alfa Ni Alfa)
& a serpente que anseia
ali se infiltrar,
Completa o inaudito
de um todo 'só letrar'
Para sorver em gotas
tanta essência & veneno
por palavras rotas:
Teu nome!

18 de jun de 2018

Despedida/Saudação

Me procura no mundo real
(Me encontra lá)
pra falar de amor, amizade
poesia, filosofia...
Me procura no mundo real
(Te encontro lá)
pra saber a cor da sua voz,
o sabor da sua presença...
Me procura no mundo real
(Te vejo por aqui)
pra realmente criarmos laços,
afinidades, & depois saudade...
Me procura no mundo real
(Estarei por ali)
onde se pode olhar nos olhos
& depois se reencontrar...
Porque daqui
já estou partindo...
Assim faço
da despedida saudação!

7 de jun de 2018

Amαr a Aurorα

Acordar cedo 
 para dar o devido valor
   à madrugada,
& aprender a amar a aurora...

No alvoroço da alvorada
 distinguir o que é serenidade
   & o que é a calma
      antes da tempestade...

Na mente ainda
 os silêncios profundos do sono
& os ruídos distantes das máquinas 
   que não dormem
Tudo abaixo da algazarra das aves...

É preciso despertar à força 
  com o gongo do compromisso 
      consigo mesmo tocando 
& levantar do leito lento
   como se marcha para conquistar
      o céu de assalto...

& destronar do corpo em um bocejo
   as toneladas de sucubus
      de cima de si
& crer, com a certeza 
   maior que qualquer fé:
O sol já vai raiar!

3 de jun de 2018

Ferir

Sabes!
& se não, entenda logo,
-Te quero com maldade!
Não há outro tipo de querer:
Ferir é
a mais profunda forma de possuir!

Machucar
é a cor vermelha
na paisagem das paixões!

27 de mai de 2018

#concr&tist@

Amanheci assim
Como se um domingo
caísse em cima de mim =
Meio augusto, meio haroldo
Num campo concretista...
Nem folha de papel
Nem garrafa de vidro
Mas bits em cristal líquido!
Domingo que segue
dormi & acordei
entre o @ e o #.
.......................:.....................

                                               C
                                               O
                                         J A R D I M
                                               P
                                               O
      Hoje sem   cor   por
                                    que
                         o inverno começou...
Tragam as flores de plástico
Sorvam dos corpos seu lastro
                                  de  c a l o r
                                         o  
                                          r
Não tem flor, só ficou espin...

22 de mai de 2018

Você no Azul

Impossível! Sempre assim...
Quando se enche o copo da esperança
seca-se oceanos de promessas
transformadas em tristeza...

Não sei que lei da natureza é essa
que vem repousar, sobre o movimento
do coração que pulsa,
ordens de exílios...

Traça-se distâncias
& não se permite encontros
no tempo, espaço & éter
mas faz sonhar...

& as coincidências que nos envolvem
são apenas para fazer notar
detalhes de tristeza
em frios registros espalhados por aí...

Um olhar vago
um azul sem sombras
falam do vazio
do único laço que nos envolve...

É o grito calado
das bocas fechadas
com sede recíproca
da insaciedade...

& de resto, essa cidade trincada ao meio
de um lado eu, do outro você
& a fissura entre o irreal & o seu contato
separando o céu do azul!

12 de mai de 2018

Corpo de Baile

Sou um prisioneiro,
aprendendo a dançar...
As grades & os muros
não impedem o movimento...

É o vazio aqui dentro
que me convida,
com volúpia, a percorrê-lo!
É a solidão,
companheira feroz de cela,
que impulsiona meu corpo!
É o silêncio,
que vem de você,
a música que me embala!

9 de mai de 2018

Albergue-Museu-Açougue

A atmosfera vibra
com um sorriso lascivo
disfarçado de britadeira
& dá ao ambiente irreverência,
Uma mãe exuberante
cheira caracóis plantados na calçada
falos visgos que a filha
não pode conceber,
Por aí passa & desfila
uma gestante travesti
divinizada pelo santo espírito
que a concebeu impossível,
Duvidosas beldades excitantes
são expelidas da boca do formigueiro
obesas nulas idosas
encantam à distância
na forma que seduz a carência,
Ainda é só & já
o meio-dia possesso
pelo ardor frio da manhã
que trinca a pele libido sob o sol sub-rosa,
& por falar em vísceras
ninguém falou
fica tudo no subentendido tédio
da inclemência dos corpos
que migram por um pouco de saúde,
Tudo tende a enganar
que para-além do entrevisto
fica o não proposto desmascarado,
Alberga-se multidões de sentidos
no quase nada imediato da pobreza
da lida vida que se revela
para além da morte dada.

7 de mai de 2018

Acerca do Dia do Silêncio

Quem descobriu o segredo do universo? O segredo da nação? Da família, do quarteirão, de si mesmo?
Porque eu não sei de nada e é como se eu precisasse disso toda vida, e não preciso!
É a pressão, o tédio, a porraloquice alheia, o sucesso e o fracasso em cada 'im-post-or' disso tudo!
E de repente vemos pairando em todo lugar uma necessidade incrível de algo novo! Mas na verdade não é algo novo, é algo antigo, e que há muito não temos ou nunca tivemos, talvez se chame Silêncio, Sossego, Simplicidade... eu gosto de chamar Serenidade!
Mas o fato é: não precisamos buscar, conquistar, receber a graça, etc., é algo Natural, e como andamos tão artificiais, porque o artifício se tornou a melhor armadura contra este tipo de mundo onde nos inserimos com um clic depois de não lermos os Termos Legais da "vida", achamos que esse artifício faz parte das regras! Não faz!
Sejamos sinceros, sejamos autênticos, sejamos naturais!
Não estou dizendo pra você mudar, ser como eu acho que deve ser, blábláblá mimimi... Não!
Só estou dizendo que EU não sou tanto o que aparento, e procuro descanso desse Não-Ser! Porque não-ser cansa mais do que ser, e o que eu vejo por aqui, na janela do mundo, é muita exaustão... Cansados de todas as formas, com suas insistências, indiretas, murros em ponta de faca, tesões não saciados, redundâncias, contradições, etc.
Então, de minha parte, parto para o descanso... Deixo as imagens falarem... E o céu se ganha de assalto!

6 de mai de 2018

Δ

Os dias de niilismo
não me levam à opções,
Não há fim do túnel
nem sequer luz,
É a engenharia dos sonhos
refundando desejos
que não passam de soterologia;
No escuro que chega mais cedo,
Nos caminhos sem saída,
No desespero das madrugadas,
se eu calar & não temer
ouço a flauta de Δionisio...
É uma forma de pensar
sem o pesar que todos&tudo me contagiam;
Na dobra do tempo & espaço
que chamam consciência
&u sinto o êxtase
de criar
contra toda essa escuridão!

[&mτ]

29 de abr de 2018

desεsperαs

nem tanto o corpo,
mas o pensamento,
o ponho longe daqui
para me livrar de um
ou dois vícios
centenas enfim...

então a senda, caminhos a se perder,
todos trilhas mal traçadas
que me queimam
&levam até você...
perto... longe daqui...
lá onde o pensamento esvai-se
é onde está o prazer... & o doer...

tento não tentar nada,
como mantra que mente
& repete na insanidade
isso tudo que não acaba
desejar... desejar... desejar-te...
nem tanto o corpo
mas o cessar querer
pela consumação do ter!