11 de mar de 2019

Madrugana

Madrugada, apaga a noite,
Círculos concêntricos em volta de você...
Um sonho, dois sonhos...
O grande nada... Meu tudo...

Madrugada, acende o dia,
Imersa em silêncio, sede & solidão
Não há nada que limite a imaginação
A não ser o desejo...
Só nos sonhos te vejo
& toda a manhã toma a forma
do seu cheiro...

Madrugana... Ascenda às estrelas,
& as esconda em mais
um poema meu... para você!

1 de mar de 2019

Luz Própria

Às vezes adormece em mim
a lembrança do que criei,
mas o que criei não se esquece de mim;
Os sonhos tem
uma forma de gratidão onisciente
em tudo na vida desperta...
A concepção é o ar-tista
em forma fluida,
Cópula, luta, pleroma/rizoma,
rito, dança, feitiço
Com a musa, anjo,
esperma, plasma, pensar...
É um silêncio & um canto
um tudo & um nada,
Engendrando novidades
desde uma Chama Dupla
no fim do meu mundo,
Que viajam sempre
na Luz Serena da emanação!

24 de fev de 2019

Extr@rbs

(-Obra Póstuma-)

["Extras Órbitas": obra de Emanarte de uma palavra só & muitas imagens: 'Extr@rbs']

I
Órbitas extras apontadas no eclipse permanente do Sol com a Imaginação.

Só de muito alto se vê essas órbitas se abrirem, como rotas de rompimento com a realidade.

Elas descendem, descem & se instalam dubiamente na mente, possuindo pensamento, visão, palavra & toda uma sinestésica des-formação deste corpo-sem-órgãos.

Cada sentido foi substituído por uma apreciação obscura, uma imersão de influência complexa para além da realidade gratuita.

Tudo se dissolve & se refaz, o real foi feito para ser negado, redefinido, superado... Essa é a lida do ser humano com o tempo-espaço, onde emana a pulsão da Criatividade: insatisfação suprema com o dado, rumo ao Além-humonstro: Vultur!

Assim o próprio Sol se torna outra mensagem (men-sage), torna-se uma "extrela", que emana o apelo ao "Sol Negro", o qual nos ilumina/obscurece...

Tal conjunção sideral revela uma "data" fora do tempo graças ao influxo de novidades: asteróide-nave, eclipse lunar, aproximação de Vênus, chuva de estrelas, alinhamento de Júpiter, vulcões, tsunamis, profecias, tragédias... Uma data sideral fora do Eterno Retorno! Um Roto!

II
Talhar então palavras nas imagens... Atalhos analógicos entre a visão & a imagem, trazidos de lugares mais claros, cegantes, dos tempos de escola no jardim do Éden (onde fomos aprisionados):
•não gravita mais nas lembranças as cores & suas nuanças...
•perdidos & achados dentro do real & do imaginário...
•black-out, black-in...
•in-satis-fazer, des-fazer, re-fazer...
•visita, evita... vê, vá...
•des/via/jar em uma extra órbita na senda ereta da luz da extrela...
•extrela obscura onde não orbita a cor/ação...
•instantes reais em fuga, as cores
refrataria luz, Meia-Noite nos olhos
Inverno Verão...
•só o real é instante, só as cores descolorem & a sombra não assombra...
•extra-órbita no trâmite da visão, luz submissa à imaginação...
•visionária aleatória o que só a calma enxerga...
•& o instante grão de realidade que abandonamos no ar entre o futuro & o passado...
•refazemos a própria i-realidade, na mito-poieses existencial...
•crear um mundo é um ato de cegueira...
•pelas redondezas circulamos na rota das possibilidades...
•assim rompemos o exílio...

III
Usando o velho disfarce
voltamos o mesmo
& outro...

Outras órbitas... Outros centros de gravidade... Outros eclipses... Outras colisões...

Como as galáxias,
Há em nós mesmos órgãos
inconscientes do que fazem...

Rumamos de um lado para outro
achando que somos algo
mas é só a luz... & a sombra...

Uns brilham,
Outros afundam,
Alguns equilibram
todas essas mentiras...

Todo morto sabe algo da vida
que os vivos não sabem
Que a vida é destruição...

Disso os vivos sabem
aos poucos, como órbitas,
movimento, vibração
que o contrário da vida não é morte
É dançar!

(& sendo o contrário da vida
É também da morte!)

Lança na outra órbita
Chance extra, outras rotas
Mais do que voar sobre abismos
mais do que chegar no nada
Agora
Dançar uma nova dança
com a vida & a morte
Desfazendo-as!

20 de fev de 2019

Centro

A estrada deu um nó
antes de se depen-der/durar até o fim
na dobra do horizonte;

Depen-di/durei & rodopiei
sem saber os limites do círculo
& quando o círculo se torceu
eu lembrei que não era retorno
mas eternidade;

Os pés sem chão
A cabeça sem as nuvens
O corpo parindo toneladas
É hora...
...De procurar meu outro
centro de gravidade!

[&mtronconi]

10 de fev de 2019

05h05

Nem noite nem dia...
É a madrugada
que redime o mundo,
dela os amantes tiram a sobriedade
para as horas que os destroçarão;
Ali, entre a sombra & a luz,
entre o cochicho & o gemido,
se prolongam imensidões
de tempo & espaço
transmutados em intimidades
que a luz do sol não iluminará;
Na madrugada, só nela,
nos alcançamos, nos tocamos,
mundo adentro...
Um precipício que nos eleva,
a madrugada é esse outro mundo
onde as estrelas colidem
com a cegueira da vida,
Alinhamento de sono & gozo...

2 de fev de 2019

{Platônica}


Imóvel
Não em uma encruzilhada
Não em uma fronteira
Parada onde se encontra
Vendo tudo, acessando nada
Ela mais parece uma pérola
Do que um monumento
Talhada na carne
Como se esgotasse todo mármore
Em curvas & ideais
Ela esculpida em uma esquina
Em uma trilha, no quintal
Sabendo o que faz de si
Ao acaso
É mais silêncio do que falar
É mais beleza do que mostrar
É mais ela mesma do que quereres
Uma menina, uma mulher
É mais distância do que presença
É mais sonho do que sofrer
É mais solidão que multidão
Pichada nas paredes
Rolando por entre folhas caídas
No vento, no vento
Nos casulos & nos ninhos
No gosto perdido do morango verde
Em sua língua vermelha viva
No azul que adotou do céu
Pouca notícia pela cidade
Um diploma na gaveta
Flores de madeira perto do espelho
Também dorme no escuro
Usa do ar como todo mundo
Paga pela gasolina
É feliz de graça
Seu nome sem nome
O nomos da exceção
A cor predileta dos meus sonhos
Riqueza que passa na vida dos outros
Ela é amor, & fúria também
Rubi esmeralda... Me entende bem
Imóvel quando quer
Não precisa decifrar esses mistérios
Analógica, anacrônica
De tudo isso que não passa
Que vive a última vida
Nesse eterno retorno
Das coisas raras



(Spleen de Oberlandya)



Vi Vênus & aprendendo...
Δesintoxicar de menos!
¡Salve Daimon!
Dionisio revém... desregrado!
...meu corpo-sem-órgãos meu caos!
...minha melancolia minhas regras!
Há exceções soberbas
que não fogem à tréplica...
Shibari Afeto Ocaso
Tua letra minha palavra
Tua seta minha meta
Um nada um de cada aparta
Uma idéia abortada
não se pressagia pedágios
para o paraíso
não bastam parágrafos
para isso
uma tentativação
de ativar a tentação
"Prestidigiestagioradiadores"
Tentações soberbas:
Inventar gramáticas de sussurros
ao pé do ouvido no escuro
& perder o rumo.:.
Glossolalias em japonês
em haicais com rima
横膣の神話
encruzilhada abaixo olhos acima
AlegriAleluiA
-Quem compôs isso não fui eu!
(palavras que se queriam juntas)
Tudo que leram foram
() Ansiedades!
Soco no baço, anomalias!
Ah! deus...



quase verão


...claudicantes passam a todo instante,
eles evitam o contato do olhar,
temem sabe-se lá o que,
talvez um contágio de não-querer...
...do outro lado da rua
o motorista abre a porta do carro
para uma moça,
ela desce encantada,
eu vejo a gentileza que lhe agradou
em seu sorriso...
...no rádio uma pessoa infeliz
anuncia uma música repetida
que provavelmente ele adora,
não sei o quanto gay ele queria
que todos nós fossemos...
...a tarde quente
começa antes do meio-dia,
quem sabe como as árvores
chamam a chuva,
na minha frente um galho se agita
& por isso não há ninhos nele...
...a pressa passa & eu lento faço
a tarde se granular em atos pueris
pela ampulheta do tédio,
tudo é uma espera & a chegada surpresas...
...as folhas na sarjeta,
companhia do pó que varremos,
não repousam na lembrança
da estação que passou
sob os pneus de ônibus da linha I232...
...cotidianamente então se suporta
tudo que vem de graça
ou cobra seu preço justo
& é alto o valor
daquilo que nos faz persistir...
...no céu rios suspensos
sobre pilares de nada & dados,
no calendário feriados virão,
nas ruas quentes uma pulsão de calmaria,
pois, você sabe, já é quase verão!...



hoje eu vi...


Hoje eu vi,
logo depois que você passou,
uma folha caindo;
Ela era da cor dos teus olhos...
& desceu,
atraída pelo mundo,
em uma dança de decanto;
Ela era da forma do meu coração...
Folha frágil, fina,
desgarrada de sua árvore;
Não era flor nem fruto,
era só por onde um dia
entrou alento noutro ser...
Você passou,
a folha caiu,
o mundo seguiu,
em tudo meu coração partiu,
como uma folha que se desgarra;
Não é mais Inverno,
é quase Verão...
Nunca tivemos
a Primavera!



,,,enterrado


...enterrado
nos destroços da perfeição
________... .. . . . . que ruiu
Nada que se compare
com os restos
do impacto contra você
um risco, uma vida, um deflorar,
um encontro
em milhões possíveis
dentro da fração de segundo
em que te conheci!
...arrastado
pelo vácuo tênue
do movimento da galáxia
planta sidero-canibal de si
onde eu afundo,
afundamos,
eu me fundo,
fundamos
um elemento que se anula
quando próximo ao impossível
do amor
& findamos...
...constato
& isso será uma razão só minha
O quanto você me marcou
& sequer soube disso...
...saiba
Eu trocaria
tudo
no cosmos conhecido
por você...



20 de jan de 2019

Campo de Girasois

O primeiro lugar que anoitece na cidade é o campo de girassóis... O sol baixa por detrás dos prédios & um cardume remexe lento na água escura da praça, indo descansar junto com as flores... Há uma sombra extensa que distende de oeste ao leste, ainda é só sombra, & não noite... Sinto como se os girassóis estivessem plantados na minha nuca, & as carpas nadando em meu coração, & meu avesso, que nunca se desdobrou, colhe o calor guardado na cor dos girassóis & na calma da água... Ainda tenho o escuro iluminado das ruas para me afagar... Sinto-me a nadar na correnteza do tráfego, a passear ao longo do muro & sua sombra... Esse muro da noite que me cerca é uma espécie de saudade & o sol que se põe, um desgosto... Não há lugar que me leve as ruas, não há o que me pese mais a não ser não estar perdido lá onde a noite chega, ali onde você está... Penso nos girassóis só porque estão longe, e se vergam, como se fossem dormir, & me lembro das carpas, pois estão próximos de ti, & porque os peixes nunca dormem.

17 de jan de 2019

Extr\Ela

Tr\ilha nas costas da noite
rumo do abismo das estr\elas,
foço sideral... boca de uma flor
onde escorre seiva de matéria negra
dessa nox-canibal;
Anti-subterrâneo,
provo do tato explícito
de suas cost\elas anoi-tecidas,
tecido véu de visceral iluminação
maturada;
Cada ponto de luz, cada sol
é um consumir-se prevalecente,
luz... com som de fim...
luz... com sabor de sal...
luz... da cor da antimatéria...
luz... com aroma de romã...
luz... ao avesso do escuro...
que ao escuro dará tudo de si;
Me recostei em teu torso como morto,
pois mortas serão todas as estr\elas,
& senti sua respiração,
me dei(Lei)tando duas vezes com você;
metade na atmosfera
metade no mergulho;
Eu es\calei pelas costas da noite,
ali me agarrei,
sou sua carga, sou suas asas,
estar aqui é meu êxtase;
Nas suas costas
queda eterna & terna ascensão
An\elo, rever\beração ...