18 de nov de 2018

AnoiTecidos

Noite adentro
   pela espiral das horas
       penetrar...

...despertos desassombrados desdormidos...
Somos o véu
   em que a noite inscreve sua sedação...

Adentrar na noite
   não pelo horizonte
       mas pelo vertigo...

...de pé, caminhando pelo túnel que se abre...
Somos a seda
   pela que a noite exala seu desvelar...

A noite sendo
   na mente o peso dos momentos
      que o nó soturno ata-nos...

...descamados nocivos desacomodados...
Somos vagas noturnas
   que se diluem na escuridão...

Noite adentro
   mergulhando na vigília
       em uma lucidez noctívaga...

15 de nov de 2018

Sacr-ário/ilégio

No lugar escuro do teu coração,
aquela sala aveludada
de espinhos rasteiros,
Ali onde repousa o vermelho
& a insanidade...
Eu vou entrar...
Lá onde são cultuados
os santos & os pecadores
em ídolos de verbos mal ditos,
Lá onde não há consciência
do desejo por prisões...
Eu vou blasfemar...
Não rezarei para os deuses da melancolia
que te extirpam sorrisos
& te fazem quimera,
Se você insiste em ser
tudo aquilo que o perigo manda...
Eu vou te perpetuar...

9 de nov de 2018

Seis Cantos do Mar

Cais,
um porto do outro lado do mar.
Caos,
um ponto dentro do amar...

Nessas águas circulares
impossíveis de sair
Torvelinho de anelos & afetos
afagos no fado
Eu vou naufragar...

Há um mar que teu nome transborda
são vagas breves de paixão
abertas entre dois aa
que comportam a imensidão...

O imã de nossas bocas
secreta a fauna do nada
que vamos buscar
Ave marinha, peixe de asas
Barco a navegar...

O oceano é imenso
quero inconsciente me jogar
Mas sempre lembro
Afogo... Há fogo nesse mar...

Pois o mar é você
Quatro encantos para se navegar
um para aportar
& um para se afogar...

3 de nov de 2018

❤️Persephane & Hades

-Coração de Persephane

Ela, que mastiga
a primavera & o verão
entre os dentes...
Ela, que cultiva
beija-flores
para o abate...
Ela, que transmuta
do negro
ao dourado...
Ela, que possui
um humor
para cada estação...
Ela, que se afoga
no caldo sangüíneo
de romãs maduras...
Ela, que tem dois corações
o dela no peito
& o meu nas mãos...


-Coração de Hades

Meu inferno está cheio... de boas intenções,
Aqui eu reino, aqui eu sirvo...
Fico ao alcance, não me distancio
desse animal que morde
desse fogo que se espalha
dessa dor que não cessa
desse frio que quer seu calor;
Aproximo-me, eu abro as portas dos sentidos,
Eu deixo a carne saber que eu quero esse mal
quando olho para luz que se reflete em você;
A dor que resta, a dor que não basta
é a insanidade que te acolhe dentro de mim,
Espero... um mal maior... para me livrar de você...
Mas se você vier... eu sacrifico a eternidade...
& te abraço,
necessidade maior que o Amor!


2 de nov de 2018

PoetizAr-te

Fazer de você arte,
é recolher os cacos que eu mesmo despedaço,
& com eles cortar os pulsos
para esgotar o desespero de te amar...
Fazer arte por você,
é armazenar as lágrimas
em que eu me afogo
& misturar à lembrança do teu odor
destilando o veneno
que nos liberta da prisão do caso...
Fazer, por você, a arte,
é contrair as feridas abertas
para que nelas não polulem
máculas de um outro amor,
& nas noites de febre
inalar a solidão que da arte trago
a anti-cura dessa paixão!
Você: arte & dor/prazer,
Emendar os cacos para de novo quebrar...
Enxugar as lágrimas para de novo chorar...
Cicatrizar as feridas para de novo machucar...

27 de out de 2018

AO - livro arcaico


murmurados desde a epinóia que se convulsiona do cotidiano até ao Pleroma da imaginação livre, amorosa, dinâmica, emanadora, que se quer & quer seu conduto em paragens melhores, mantém aberta as sendas do sonho, para que não morra o espírito antes do tempo-findus que lhe deve a existência...
Mas eis que se encontra exausta (a palavra), quer romper, quer desaparecer, mas aparecer também, quer se iluminar, tornar-se luz, ser levada pela luz serena, de sentido, sentidos, sem tidos...
Consciência nova e já antiga, que erigiu sua mito-poiesis ao longo de uma curta vida que se repete desde sempre. Eis o presságio do Meio-dia, da liberação dos ciclos repetitivos do eterno-retorno do mesmo... eis os murmúrios do perdão, da libertação...
Quer-se então simples, rustica, serena, original, mínima, vazia, caótica ao máximo...
Quer asas de abutre & ventre de aranha...
& para isso ousa uma obra, uma ato de emanarte, um manuscrito digital, que seja, um simples rastro no monumental momento de armazenamento de dados & extrapolações...
Siglas, signos, escarificações na pele digital, com ímpeto analógico, sempre, pois nosso arcaico é o analógico, & nada mais antes disso nos cabe...
&ntão compõe um livro primitivo, livro corpo, livro energia, caderno coisa, casa, lar, vila, cidade, loja, loucura, locus, logos, lugar... pois o lugar das ideias de um poeta... é o livro, livro, libre, livre...
Com “palavras” rompidas, que parem,
ejaculam, alucinam, original varginalmente,
virgens nunca faladas, novi-sem-idade, palavras

criminais, marginais, originais, incestuosas, extra-vagantes, pal-aves ar-tificiais, inaugurais, inauditas até então...
& nessa forma de expressão sonorrealista, surreal, irreal, real, mas não fatal, leal, serial... compõe a obra em movimento... fisiológica, alucinada!
&





é que
existe uma mulher
ela é tudo
corpo, alma, espírito
razão, loucura

hora, dia, mês, ano...




22 de out de 2018

Tomei partido dos lúcidos

Tomei partido dos que caíram
& preferiram reinar
em seu inferno pessoal
do que ter que servir
à qualquer promessa de paraíso!
Tomei partido dos que sorriem
& não se apegaram
aos motivos que tem para chorar!
Tomei partido do amor
mesmo os mestres dizendo
que viver é sofrer
& dar a outra face!
Tomei partido do vinho
& das festas que levam ao êxtase,
os ritos de morte & loucura
que revelam aquilo que somos!
Tomei partido da fêmea
dos animais, dos mendigos, das crianças
que nada exigem a não ser atenção!
Tomei partido,
Tornei partido
& emendei
sentimento & razão!
Tomei partido do lúcidos!


19 de out de 2018

Inspiração

No jardim,
quintal de si,
ela dança em instantâneos...
Em volta da amoreira,
esse pé de fruta-borboleta
que a sonha,
& ganha asas de papel
para seus pés bailarem...

No quintal
jardim de si,
ela colhe o silêncio
que as cigarras não deixam fazer...
Quem sabe se ela pisa as folhas
ou apenas voa por ali?
Há sucos a se macerar
sem tocar os pés no chão...
É o caldo da imaginação!

No instantâneo
lugar nenhum,
ela esconde um olho
de trás de uma folha verde...
& olha adiante,
ela olha o instante
que metade do seu sorriso
também escondeu...

Lá,
no jardim-corpo-quintal,
ela come pela metade
a fruta da realidade...
Logo pássaros crisálidas gatos
cães poetas gente
peixes que voam virão po(u)sar,
& pela sua mão & arte
há de metamorfosear
a dureza que levou metade de seu sorriso
em cor & paz!

17 de out de 2018

Mentiras Reveladas

Vou te vestir de cordas
te vestir de beijos
te vestir de tatuagens...
Te cobrir de poros eriçados
de carne mordida
de pele branca suada...
Vou despir teu pescoço das jóias
te despir das cercas do pudor
te despir do desespero de chegar lá...
Quero te cobrir de vergonhas novas
de fantasmas dos dogmas
de culpas por não ter deixado...

Como são tolas as mentiras dos homens!
Você já estava vestida,
já estava coberta,
Você mesma se despiu
& veio aqui - revelada!
Eu só fiz o que você quis...

15 de out de 2018

Ainda vale a pena

Ainda vale a pena
escrever poemas?

Se sim, sempre valerá!
Se não, nunca valeu!

Porque hoje
nada dói mais do que ontem,

& os motivos para sorrir ou chorar
sempre estiveram dentro de mim,

Pois meus sorrisos nunca foram vagos
não são movidos à álcool, sadismo, escárnio...

Cada vez que amei a beleza
foi porque ela é maior que toda insanidade,

& se amanhã descobrir dores maiores
farei delas temas para poemas,

Não vou mudar o mundo
mas o mundo também não vai me mudar!

13 de out de 2018

Cante Essa Canção

Tem dias que não quero te ver'
Passo por outro caminho,
onde sei que teu perfume não vai estar;

Com você aprendi como o amor faz sofrer'
& nada valem palavras de carinho,
O amor é da brutalidade do dizer ou calar;

Quase não te reconheço mais'
Você se torna tão rara no trato,
Mas nunca, por nada, sairá do meu coração;

...& quando me ler aqui, paixão,
Não passe rápido,
Cante isso como se fosse uma canção...

Fora os dias que só penso em você'
Tem dias que não quero te ver
& como é difícil deixar de pensar...

Tirando as horas de obsessão,
Passo por outros caminhos,
me tornei mestre em rotas de colisão;

O amor é da brutalidade do dizer ou calar,
Te amo, silêncio, canção,
Nunca falei ou deixei-me calar;

...& quando me ver aqui, no chão,
Não passe tão rápido,
Cante isso pra ti, como se fosse uma canção...

Eu te chamo, te componho'
de trás para frente, dá no mesmo,
Você se torna tão rara, no sonho;

Teu nome está onde não o ponho'
começa com A, luz que vejo,
& não diminui em desejo...

...Quando não me ler mais aqui
Não pense rápido, ainda a almejo,
Somente cante essa canção,
   que para você é mais um beijo...

1 de out de 2018

A Abelha

A vespa salvei,
tinha dorso cor de flor de laranjeira,
& vendo melhor
era uma abelha do cerrado;
Agradeceu se penteando
diante dos meus olhos
& afastou de mim
seu ferrão;
Voou para o Leste
pra trazer a Aurora
Sem maior satisfação
sem agradecer minha obrigação;
Voou, não mais perdida,
rumo onde brota mel
do céu do sol do fel
da vida...