11 de abr de 2018

Novos Dias


aquela estrela distante,
  quase nada de luz
    dentro da escuridão?
Em torno dela também é dia,
  se aproxime para ver
    ela irradiando delicado âmbar
      nos céus de mundos
        em torno de si...
Há quem tem a capacidade
  de ver esses novos dias
    nem tão distantes
      com o olho da imaginação!

30 de mar de 2018

Banalidades Essenciais

[Notas de uma manhã calma para os dias seguintes...]

Não descuide de estar sempre
escutando música
& lendo um livro...

Esteja sempre zelando
de tua arte
do teu lar
das coisas em alta estima...

É sadio estarmos com saudade
de certos lugares,
de certa pessoa...
É o que nos faz voltar
É o que nos faz procurá-la...

Não há nada errado em trabalhar
& ganhar dinheiro honesto
É isso que afasta escuridão material
& nos livra das teorias de má-fé
intelectuais & espirituais...

Discipline a mente
a estar sempre imaginando aventuras possíveis,
& abra espaço para um livro imaginário
fonte de suas frases mais belas...

Somos um tanto de coisas banais
misturadas de jóias secretas & raras
Somos únicos & multidão
Estrela entre constelações de estrelas
Tão banais & essenciais...

Um & muitos
Compartilhamos do Tempo
Mas o Espaço que ocupamos
é só nosso...

Seja coveir@ de indiferença
& jardineir@ de Amor
Do ódio seja inimigo
pois ele é as tuas doenças
& a face real abaixo das máscaras
da verdade & da razão...

Para as coisas que te tiram a paz
lembre-se de usá-las para o prazer,
& para as que te elevam
faça delas sua fé particular!

25 de mar de 2018

Crise dos Limites

Tudo está disponível
   acessível & liberado
Mas o cérebro é um filtro redutor
A cultura uma sistema de amestrar
& o tempo o senhor das urgências...
Tudo está disponível
    ao alcance das mãos
As portas do céu abertas
Todos pecados perdoados
mas achamos que não podemos...
Tudo está disponível
   todas as máscaras caíram
Nunca houve tanta verdade nua
Os lados bem definidos
mas achamos que isso não é evoluir...
Os limites se transformam em crise
As crises reinventam o humano
& o humano é
a abertura do aberto
Sempre...
Tudo está disponível
Lá fora!



19 de mar de 2018

Pós-Opinião

Tempos de hiperbólicos sentimentos
mataram a Liberdade de Expressão
Conjugamos novos verbos
como ervas em combustão
Esse senso pós-moderno
de máximas & evidências
Nos leva ao imutável da burrice
agora parece obrigação o desfile de opinião
Só há Escravidão de Expressão!

18 de mar de 2018

Vida

A luz
não diminui de tanto olhar,
Sentir
não desgasta a alma;

Diferente da palavra que se repete
até perder o sentido,
Ou encarar a face no espelho
até ver um estranho;

Longe da palavra,
Além do espelho,
Viver é uma imensidão
que só a luz & o sentir alcançam...

17 de mar de 2018

Ainda...


Tempestade ao longe,
aproxima pelo canto do olho
que irriga com uma lágrima,
a esperança que um dia aventou
nos sinais de fúria & poesia
que sucumbiram junto ao dia;
Naquela tarde escura,
pairava depois do trovão
o sussurro que não mentia,
mas era avesso às lamentações;
Quando tudo se perder,
como o casco da nau que tripulas,
ainda podes acreditar em ti,
para além da comoção das multidões
que naufragam entre enchentes de injustiça;
& o afogamento dos heróis,
sempre servidos mortos,
na ressaca que devolve à praia
a coragem que sempre se refaz
aos pés da opressão que desconhece que o que se verga ali
é a imortalidade do Espírito...
Quanto mais morto
o dom da rebeldia há de viver
& reinventar a si
como a própria tempestade, ainda,
ao longe mesmo;
& os olhos que choram
fazem-na presente
aqui!



13 de mar de 2018

• Supercordas •



Somos feitos
de estilhaços da eternidade

A perfeição
que se estraçalhou 

Só para
se recompor



Primeiro & Último Texto da Fogueira


No fogo do meio das pernas
ela ferveu o duplo prazer que te fez
& no fogo do fogão
cozinhou a matéria que te fortaleceu
Sob o fogo do sol
plantou a cura em um canto do reino
& quando tua fome de leite passou
costurou couro para ti
para que no fogo da forja fizesse armas para lutar
Do fogo nasceu, o fogo te protegeu
no fogo fortaleceu, o fogo te iluminou
O fogo amou, o fogo sempre buscaste
& ainda chamas o fogo de Mulher
só porque da fogueira você esqueceu...



fissura no real


['rachar' - palavra de etmologia obscura
'fissura' - de fissus
físsil \/ fácil]

...pois a tua luz perambula facilmente
pelas minhas obscuridades...
eis o que se abre,
um segredo: tudo é fácil
pela fissura, entra & sai
a luz...
rachas do real
fissura que urra
sem compromisso
de se tender
ao final omisso
poemas como rachaduras
trincas que destravam
urdiduras arcaicas
como mordidas dispensadas
nas páginas de seus membros
que cedem aqui & ali,
magros, frescos, carnais
que acolhe toda dor como tatuagem,
santificando-as no corpo
como meu toque que te alcança
pelo olhar
& cravo assim esse encadeamento de palavras
rumo à sua ex-insistência
quero-me nefasto
pois só assim afasto
o dever de ser
conforme a ordem natural das coisas
tu que adivinhe logo,
pois já faz uma eternidade,
pelo caule que meço o tempo,
que você já devia estar aqui,
na sala de tortura & gozo
ao alcance de minhas mãos
& boca, & espírito...
que te amam, te querem
demais
assim... no arcaico
escondo sofisticação
de um incomodo
por falta de palavra melhor que amor
digo fissura \/ obsessão
a rocha rachada no caminho...
onde você me tocou
& o meu coração explodiu
abriu uma fenda no tecido da realidade
fissão constante
no céu do meu mundo que acabou
dali agora pulsa
paradoxos & obsessões
incoerências
para inundar o ar de prejuízos
& fazer voar minhas tomadas de juízo
rachas
trincas
fissuras
aberturas do aberto
fraturas
fúrias
todo homem que ama
assume a responsabilidade por um abismo...
sou só um afogado
no canal aberto do mundo
que inunda de querer
atrai imergindo
daqui pra lá & de lá pra cá
fenda
ofenda
oferenda
ofensa
confessa
renda-se...
tecido
que tens sido
ofendido
investido
apela à sede
de ser
tencionada
ao limite
...sedição
...sedação
...sedução
nossa moralidade de criança
onde o juízo alcança
o prejuízo da ânsia
fratura que faz irmãos
distantes
nessa fartura de te ver & ouvir
& tocar
que não sacia
é duro o ato
de se desnudar aqui
ejacular um pouco de si
em público
onde se vê
mas não imagina
a altura da defenestração
urdir
ardor
rachaduras
puro duro ato
de se aturar
..........desnudar
...........se
em palavras
em um sentido
um rumo que não consola
que não se acha
não serve para
nada
o que é
tornar-se
o que é
se tu és
aquilo...
nessa taoística das fissuras
casuística aleatoriedade
fulguras figuras de linguagem
furta na junta entre yin & yang
a linha da navalha
onde se equilibra
a falha que é o gozo
& seus rascunhos de ultimatos
ao nada
pedra racha
madeira racha
paredes trincam
a terra trinca
o som destoa
as pessoas mudam
estranho viver
impedem a seqüência
no impessoal
de continuarmos órbitas de uns & outros
nas encruzilhadas nos abandonamos
& seguimos sozinhos, mas em outras companhias
& se eu dissesse
que hoje é dia de fissura
você dançaria?
me daria esse prazer?
sorriria da aurora ao ocaso?
notaria que eu existo?
-estou aqui por um 'sim' seu!
uma https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/ffc/1/16/1f44d.png
👍!
então
racha meu refrão
que não te chamo mais
pelo teu tão pouco
& subliminar nome de labirintos
rara
de beleza verde viril desde o olhar
fissura
de teu jardim & pomar
& fonte fome
de minhas aflições
trinca meu ser
mas só quero te ver feliz...
do começo
ao
fim**.






*pós-citação:
"Quebra, quebra, quebra
Nos pés de tuas pedras, oh! mar!
& eu pronunciaria
Os pensamentos que nascem em mim!"
(Frater Perdurabo)



**pós-fissuras:
(pois o real só se completa
quando eu o abarco
ingiro, inverto
& o emano de dentro de mim)
-por isso você não é só você
mas o que eu fiz de você
em mim-
{ a saber: Nada É = Algo É }
...r-achou...



22 de fev de 2018

Geração Agnoia

Gerações para as quais
não precisa se explicar nada
Porque não querem saber
Porque não entenderão

Estamos no limite da sabedoria
ela já não gera sábios mais
Porque o mundo não quer
Porque o mundo não precisa

Imagens com função de dar prazer
& frases expressando o máximo do mínimo
Porque já não sabemos ver
Porque não queremos ler

21 de fev de 2018

P-Machin&

Instalação Astral]
em exponencial funcionamento
         moto perpétuo
lubrificado por ruídos inferentes
           & fragmentos de visão
Esferas dançantes
     em órbitas pluriconexas

produtos espermáticos escorrem
    caldos potenciais
são numes liqüefeitos de sonhos
                                        & sanhas
               solirrarificados
Etéreos dizeres

   A anti-
   máquina de poematizar
 expande & recolhe
         sensos-sonhos
engendrante copulares se encaixam
& espargem

Lavra Palavras Avras Naves
           palo-aves
               de perfuração oposta
    das procissões de letras que se mordem

Tudo é uma cópula perfeita
                    do engenho encantado
Gozo é o que pró-duz/diz
       emana
          êxtase
emendando seqüenciais
     desabamentos de orgasmos

A antes-máquina se protege
     da utilidade
        amassa & arrasa
           o valor & a safra
Produz ácido de críticas

Pelo canal macio da carne
desde o suco elétrico
        herege da consciência
                                    Flui
sua praxi-proxi-produx
   escorre do, & pelo, & para, o fulcro
desterritorializado de órgãos

Emana-se assim Poiésis & Mitos
vômitos arqui-digestivos
     da P-Machiné abutre
em sua parte aparte
     o X espalha
acoplado ao sistema analógico
                               da Poesia...

A atmosfera abala
& faz silêncio para escutar!

20 de fev de 2018

Ver em vão

Quase no fim
    o Verão irá até o alto
       para sacrificar nas enchentes
                         o Verde
Doar o ver
Doer a vista
Tornar cego
   outro ou o tom que torna a chegar
& o Verão será visão
    de mais uma estação
           que se foi
                 na repetição
                   sem render nada!