20 de dez de 2011

"Vinte Regras de Vida" de G. I. Gurdjieff

1) Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em você, analisando suas atitudes.

2) Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.

3) Planeje seu dia, sim, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.

4) Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure.

5) Esqueça, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser você mesmo.

6) Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimônias.

7) Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.

8) Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os, pois são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.

9) Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem no entanto achar que é o máximo a se conseguir na vida.

10) Evite se envolver na ansiedade e tensão alheias enquanto ansiedade e tensão. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação.

11) Família não é você, está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.

12) Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trave do movimento e da busca.

13) É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente ao menos num raio de cem quilômetros.

14) Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância sutil de uma saída discreta.

15) Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.

16) Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é ótimo… para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.

17) A rigidez é boa na pedra, não no homem. A ele cabe firmeza, o que é muito diferente.

18) Uma hora de intenso prazer substitui com folga três horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.

19) Não abandone suas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé!

20) E entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: você é o que se fizer ser!


   Já no início do século passado Gurdjieff falava em autoconhecimento e na importância de saber viver. Dizia ele: “Uma boa vida tem como base o sentido do que queremos para nós em cada momento, e daquilo que realmente vale como principal”.
   Assim sendo, ele traçou vinte regras de vida que foram colocadas em destaque no Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris. Dizem os “experts” em comportamento que quem já consegue assimilar dez delas, com certeza aprendeu a viver com qualidade.

1 de dez de 2011

Tão


Essa vida
de tão amarga
extrai doçura de nós,
E não pede nada
a não ser que acabe!

Esse mundo
de tão árido & estúpido
faz exalar poesias de nossos suores
E não dá nada mais
do que o chão para uma cova seca!

Sugamos o beijo úmido do quinino
engolido com insanidade
de uma sede tão profunda
Que salivamos gozos
no contato com essa mortalha...


Que acabe de tão fraca
essa força que me arrasta pelos cantos de tão forte;
Que cai de tão alta
a atitude de não querer mais lutar de tão baixa;
Que esvaia de tão serena
a curiosidade de permanecer mais um dia de tão revolta.

Vermelho de tão branco sim...
Verde de tão maduro quase...
Azul de tão nu não...
Amarelo de tão sangrado certo...
E cinza de tão bom também...

...tão incerto na certeza tão errada que na verdade de tão nula amassa de tão frágil em sua tão sólida queda no tão devasso chão do porão de tão escuro...

Mas:
Quase lá é tão longe quanto nunca chegar.
Quase sim é tão não quanto nunca deixar.
Quase dois é tão um quanto nada.
Quase tal é tão quase quanto qual.
Oh! Minha tão ingênua nu-li-da-de.


Assim:
Cansado de tão à toa
Calado por cada ato de tão ruidoso
Sem notas de tão gênio
Um idiota de tão esperto
Recluso nessa linha tão curta
Então curta!


19 de nov de 2011

O Pseudo-problema do “Sofrimento"

Quem há para sofrer?
Apenas um objeto poderia sofrer.
Não sou um objeto (nenhum objeto poderia ser eu), e não há nenhum eu-objeto nem-eu-sujeito, ambos os quais então seriam objetos.
Portanto eu não posso sofrer.
Mas parece existir sofrimento, e seu oposto, tanto prazer e dor. São aparência, mas são experimentadas. Por quem, por que, elas são experimentadas?
Elas são aparentemente experimentadas, e por meio de uma identificação do que eu sou com o que não sou, ou, se preferir, pelo que não somos, ilusoriamente identificada com o que somos.
O que somos não conhece dor ou prazer, o que somos não, como tal, conhece nada, pois em nenhum caso há uma entidade objetiva para sofrer experiência.
Qualquer que possa parecer ser a intensidade das sensações, no sonho da manifestação elas são efeitos de causas em uma sequencia temporal, e aparte da sequencia temporal na qual desenvolvem elas não estão nem como causa nem como efeito.
Não há ninguém para sofrer. Parecemos sofrer com um resultado de nossa identificação ilusória com um objeto fenomenal.
Possamos pelo menos compreender.
O que somos é invulnerável e não poder ser limitado.

-Texto do Open Secret, de Wei Wu Wei.

12 de nov de 2011

Fala Cioran:

“Se Nietzsche, Proust, Baudelaire ou Rimbaud sobrevivem às flutuações da moda, devem isso à gratuidade de sua crueldade, à sua cirurgia demoníaca, à generosidade de seu fel. O que faz durar uma obra, o que a impede de envelhecer é sua ferocidade. Afirmação gratuita? Considere o prestigio do Evangelho, livro agressivo, livro venenoso entre todos.”                                              

1 de nov de 2011

Memorandum Imagético Recente

I
“Aurora”
Áurea Hora do Despertar

Cedo olho afora
E na quina do mundo
Entrevejo a aurora...


II
“Relva”
Reles Erva em Descanso 

Do chão cresce & no ar se perde
A relva mansa que cerca a cerca velha
Amalha sua planta verde
No repouso de armada tralha...


III
“Ninhada”
Ninho da Gata





Criaturinhas que pela manhã vêm
Do útero felino emergem
Para seu destino gaiato viverem...


IV
“Minha Sombra”
Umbra Corporales





Minha escuridão exterior
Projeta-se à esmo
Assombra!
Não reflete o interior
Ou de mim mesmo
Sombra...


V
“Raio de Sol”
Radiano Radiante Ralos





Esse que não despenca mas cai em sua trilha
Vêm das alturas
Calor que esquenta & luz que brilha...


VI
“Arco-Íris”
Dispersa Luz Engendra Cores


Esse arco de segredo
De cores em refração
Brilha na íris onde vejo
Toda sua emanação...


VII
“Luar”
Luna Ver
 
 
Da lua, teu ar
-rarefeito-
Raro efeito olhar
-volto ao leito-
Dormir ao luar.

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