23 de nov de 2010

Biblioteca Perenis 2010

-Segue abaixo um video-guia com indicações de livros para os visitantes do Abismo:


-Postem também suas sugestões.

19 de nov de 2010

Máscara Negra - Léopold Sédar Senghor

à Pablo Picasso



Ela dorme e repousa sobre a candura da areia
Koumba Tam dorme. Uma palma verde vela a febre dos cabelos, a fronte curva cobre
As pálpebras fechadas, corte duplo e fontes seladas.
Esse estreito crescente, este lábio mais negro e até pesado
– onde o sorriso da mulher cúmplice?
As patenas das faces, o desenho do queixo cantam o acordo mudo.
Rosto de máscara fechado ao efêmero, sem olhos sem matéria
Cabeça de bronze perfeita e sua pátina de tempo
Que não suja ruge nem rubor nem rugas, nem marcas de lágrimas nem de beijos
Oh rosto tal como Deus te criou antes da própria memória das eras
Rosto do amanhecer do mundo não te abra como um colo terno para emocionar a minha carne.
Eu te adoro, oh Beleza, com meu olho monocórdio!

8 de nov de 2010

Saudades no tempo fugido...




Vai virar-se mais um ano
vira-se um década,
e devemos nós
decadentes,
volver também a cabeça,
os olhos
o espírito
e agora olhar outros horizontes
Abandonando os horizontes passados
pois tudo que precisamos mesmo
levamos agora e desde sempre
dentro de nós
o relicário de saudades
prazeres & desgostos
que há de um dia formar nossa
futura vida
onde os desgastes dessa vida
do real e da matéria
não serão mais do que ranhuras finas
falhas sob o manto das existências
só mais um longo dia que passou...


3 de nov de 2010

El Desdichado - G. Nerval

O Deserdado

Sou o tenebroso – o viúvo – o inconsolado,
O príncipe na torre abolida de Aquitânia;
Morta minh’única estrela – meu alaúde constelado
Porta o Sol negro da Melancolia.
Na noite tumular, tu que me consolaste,
Traga-me o Pausílipo e o mar d’Itália,
A flor que agradava tanto ao meu coração triste,
E o parreiral onde o pâmpano à rosa se alia.
Serei Amor ou Febo? … Lusignam ou Biron?
Minha fronte está rubra, ainda, dos beijos da que reina;
Sonhei na gruta em que nada a sirena,
E por duas vezes, vencedor, atravessei o Aqueron:
Modulando alternadamente na lira Orféica,
Os suspiros da santa e os gritos feéricos. 


(retirado de: www.revista.agulha.nom.br/ag63nerval.htm)