18 de abr de 2011

Pálido Ponto Azul

"Olhem de novo para esse ponto. Isso é a nossa casa, isso somos nós. Nele, todos a quem amam, todos a quem conhecem, qualquer um do quem escutaram falar, cada ser humano que existiu, viveram as suas vidas. O agregado da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões autênticas, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e colheitador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor de civilização, cada rei e camponês, cada casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada mestre de ética, cada político corrupto, cada superestrela, cada líder supremo, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu aí, num grão de pó suspenso num raio de sol. A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pensai nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, vieram eles ser amos momentâneos duma fração desse ponto. Pensai nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores dum canto deste pixel aos quase indistinguíveis moradores dalgum outro canto, quão frequentes as suas incompreensões, quão ávidos de se matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.
As nossas exageradas atitudes, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são reptadas por este pontinho de luz frouxa. O nosso planeta é um grão solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de algures para nos salvar de nós próprios.
A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que alberga a vida. Não há mais algum, pelo menos no próximo futuro, onde a nossa espécie puder emigrar. Visitar, pôde. Assentar-se, ainda não. Gostarmos ou não, por enquanto, a Terra é onde temos de ficar.
Tem-se falado da astronomia como uma experiência criadora de firmeza e humildade. Não há, talvez, melhor demonstração das tolas e vãs soberbas humanas do que esta distante imagem do nosso miúdo mundo. Para mim, acentua a nossa responsabilidade para nos portar mais amavelmente uns para com os outros, e para protegermos e acarinharmos o ponto azul pálido, o único lar que tenhamos conhecido".
(Carl Sagan - http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1lido_Ponto_Azul)
"Esta é a Pedra Fundamental, mais conhecida como A Rocha, simplesmente. Judeus acreditam que foi a partir dela que Deus criou todo o mundo. E que foi sobre ela que Ele testou a fé de Abraão ao pedir o sacrifício de seu filho Isaac. É o pedaço do planeta mais sagrado para o judaísmo. Mas, há muitos séculos, ela repousa sob o Domo da Rocha, na mesquita de Omar, em Jerusalém. Muçulmanos acreditam foi a partir dela que o profeta Maomé ascendeu aos céus pela mão do anjo Gabriel. Muitas guerras foram travadas, muitos templos destruídos e muito sangue foi derramado pelo direito de posse desse sacratíssimo pedaço de chão. Hoje, mesmo com o controle israelense sobre Jerusalém, não muçulmanos são impedidos de entrar na mesquita e ver essa pedra.
A foto pequena chama-se “pálido ponto azul” foi tirada pela sonda Voyager. É o retrato mais distante feito da Terra e nos foi enviado do espaço em 1990. E inspirou o astrônomo Carl Sagan a batizar seu livro de 1994 em que escreveu o trecho:  “A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pensai nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, fossem amos momentâneos duma fração desse ponto. Pensai nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores dum canto deste pixel aos quase indistinguíveis moradores dalgum outro canto, quão frequentes as suas incompreensões, quão ávidos de se matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.”

Eu quis reproduzir essa fantástica página da revista Trip deste mês. Ela faz nos pensar um pouco sobre nossa imensa mediocridade e como o pensamento religioso pode aumentar mais ainda nossa pequenez a transformando em idiotia generalisada nossa. Ponha-se em seu lugar macaco!!!

Nenhum comentário: