1 de dez de 2011

Tão


Essa vida
de tão amarga
extrai doçura de nós,
E não pede nada
a não ser que acabe!

Esse mundo
de tão árido & estúpido
faz exalar poesias de nossos suores
E não dá nada mais
do que o chão para uma cova seca!

Sugamos o beijo úmido do quinino
engolido com insanidade
de uma sede tão profunda
Que salivamos gozos
no contato com essa mortalha...


Que acabe de tão fraca
essa força que me arrasta pelos cantos de tão forte;
Que cai de tão alta
a atitude de não querer mais lutar de tão baixa;
Que esvaia de tão serena
a curiosidade de permanecer mais um dia de tão revolta.

Vermelho de tão branco sim...
Verde de tão maduro quase...
Azul de tão nu não...
Amarelo de tão sangrado certo...
E cinza de tão bom também...

...tão incerto na certeza tão errada que na verdade de tão nula amassa de tão frágil em sua tão sólida queda no tão devasso chão do porão de tão escuro...

Mas:
Quase lá é tão longe quanto nunca chegar.
Quase sim é tão não quanto nunca deixar.
Quase dois é tão um quanto nada.
Quase tal é tão quase quanto qual.
Oh! Minha tão ingênua nu-li-da-de.


Assim:
Cansado de tão à toa
Calado por cada ato de tão ruidoso
Sem notas de tão gênio
Um idiota de tão esperto
Recluso nessa linha tão curta
Então curta!


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