7 de jan. de 2026

Ninfa

 

Borboleta, ser completo
Forma, cor, textura, ideia
   entra na vida, no pensamento
      pelos olhos, pela porta da frente
         pelos sentidos que a recebe
             em todos os deleites...
No imago já erra o âmago
   & não se sabe se o seu voo
      é para vir & ficar onde não se esconde
         ou se vai deixar se levar pelo vento
            pela onda, pela corrente, para longe...
Então se torna crisalida
   se fecha para mim
      no casulo de sua própria distância
         no muro da ignorância
            na porta fechada que um dia foi certo
               a cor & as asas leve
                  de um sorriso aberto...
Agora não é mais que larva
   se arrastando por ali
      diante dos meus olhos, de minha vida
         lavada de você momento a momento
            largada no pó de um desvio
               nessa estrada única do estranhamento...
Dessa distância que observo os ovos
   embriões de uma amizade & paixão
      abandonados no não-ninho de silêncio
         de olhares que não se cruzam mais
           de tudo reunido & separado pelo vento...
Pois se falar
   é compartilhar voos
Se olhar nos olhos
   é reconhecer a existência mútua
Como duas asas espelhadas
   de uma borboleta adulta
Que por não bater mais
   reverte na desesperança
De uma praga
   depositada na flor
      em uma metamorfose reversa
   do que um dia poderia ser um amor.



5 de jan. de 2026

Poesia.:.Bruta

 

Qual sentido tem uma poesia feia?
[.]
Eu aqui
querendo arrancar da palavra
do verbo, da frase... algo mais!
Querendo torcer sentidos
criar termos, poedesmimetizar...
Porque ainda há
coisas banais a se dizer
ainda há profundezas a se expressar!
Passar a língua no rasgo aberto do inaudito
& fazê-lo gozar!
[:]
Ainda há brutalidades a se poetizar
Violências doces
Amoreamargura, mel & sal
da morada do ser-em-nós!



2 de jan. de 2026

Cultura

 

Mal assisto mais filmes...
Mas antes
    deixei de ler gibis
    deixei de ver revistas
    deixei de ficar em casa...

Filmes, vídeos
   são rápidos suceder de imagens
      com cores & sons
         que querem suspender a realidade
Eles se chocam com a imaginação
   em um embate entre superfície
      & profundidade

Ainda leio livros
Ainda escrevo
Ainda trabalho
Ainda imagino

Negando ou aceitando
   o condicionamento digital
O dentro & o fora da caixa
   não é mais uma necessidade
      nem uma desistência
         ou revolta

É apenas o cansaço de uma época
   que chegou cedo
Pois nesses tempo
   tudo é rápido
& ainda precisamos de lentidões
   para crescer
      & pensar por nós mesmos



1 de jan. de 2026

Hoje/Amanhã

 

H
O
J
E
não senti diferença nenhuma
   na mudança da D
                                A
                                T
                                A
caminho de rato a seguir
buracos de minhoca a transitar
já que somos seres de trilhas
que abrem estradas
erguem P
              O
              N
              T
              E
              S
lançamos foguetes no espaço
& bombas em pessoas
um dia a mais próximo ao dia final
que afinal sempre fora o A
                                            M
                                            A
                                            N
                                            H
                                            Ã