7 de jan. de 2026

Ninfa

 

Borboleta, ser completo
Forma, cor, textura, ideia
   entra na vida, no pensamento
      pelos olhos, pela porta da frente
         pelos sentidos que a recebe
             em todos os deleites...
No imago já erra o âmago
   & não se sabe se o seu voo
      é para vir & ficar onde não se esconde
         ou se vai deixar se levar pelo vento
            pela onda, pela corrente, para longe...
Então se torna crisalida
   se fecha para mim
      no casulo de sua própria distância
         no muro da ignorância
            na porta fechada que um dia foi certo
               a cor & as asas leve
                  de um sorriso aberto...
Agora não é mais que larva
   se arrastando por ali
      diante dos meus olhos, de minha vida
         lavada de você momento a momento
            largada no pó de um desvio
               nessa estrada única do estranhamento...
Dessa distância que observo os ovos
   embriões de uma amizade & paixão
      abandonados no não-ninho de silêncio
         de olhares que não se cruzam mais
           de tudo reunido & separado pelo vento...
Pois se falar
   é compartilhar voos
Se olhar nos olhos
   é reconhecer a existência mútua
Como duas asas espelhadas
   de uma borboleta adulta
Que por não bater mais
   reverte na desesperança
De uma praga
   depositada na flor
      em uma metamorfose reversa
   do que um dia poderia ser um amor.



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