10 de mar. de 2011

Rosto

Rosto
...uma máscara
fruto da sorte...
...uma carapaça
fulcro da trapaça...

 
Rostrum

Atávico anátema ou benfazejo

das agruras & doçuras

do corpo inteiro...

“Corpus vivendis”.

Rosto

enrosco de nada & carne.

Remoinho remoído remoente

que inquieta & remansa:

-Minha cara!


Rosto meu

Uma tal rota

traçada na interface de um mapa espelhado

face a face

no espelho interdito

dos ditos da cara.


Carântula Mascara!

Esse emaranhado

com ranhuras, distensões & cicatrizes,

Tudo moldado em cima

da símia herança

que é o esqueleton do crânio

Óssea caída de Pandora

de ressonância pessoal.


 Meu rosto

é o lótus & o lamaçal

O broto que se abre aqui

vindo de algures interdimencionais

direto para meu tempo presente,

Aflorar brotoejo como cara,

pra todo mundo ver...
 


Isto é o meu “cara à cara”

com o agora,

Minha “cara à tapa”

para a realidade encouraçar,

A “fronte à cuspe”

donde escorre & destila a seiva

dessa madeira-de-lei:

Cara de pau!



Meu rosto

é o final do repuxo

de um nexion

onde não cresce limo.

Mas meu rosto

é depredado & nodoso

Pela vergonha própria

Pelo desprezo alheio

Pelas desculpas recorrentes

Pelas bênçãos necessárias

Pelos sorrisos desusados

& os socos recebidos & os sarros aparados

os anseios infligidos, os desejos reprimidos

os muros erguidos, os gritos sufocados

os choros guardados, o suor escorrido,

Tempestades isoladas & surpresas insuperáveis...




E é com isso,
Esse rosto

essa máscara

Essa cara

esse monólito

Essa face

esse contraste

Pau pra toda obra

Com que vou encarando

à tudo & à todos...


(Peço então continuem

não me olhando nos olhos!

Peço que continuem

me jogando verdades na cara!

Peço que desviem & riam & refugam...

‘Desprezar antes de ser desprezado...

ou devoradas com os olhos!’

Pois eu também repugno

esses encontros do acaso...

E eu sei,

olhando na cara de quem

eu realmente amo,

Que nem o tempo

ou nada na face da terra

Muda meus sentimentos

por ‘aquele rosto lindo’

Que comigo

adentra nos tempos...

moitas de espinhos...)


Esse meu rosto

essa minha cara

essa minha face

É tudo que dou

para o mundo enojar-se!

Esse meu resto

essa minha tara

essa minha praxe

É tudo que tenho

para ao mundo embelezar!


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