18 de mai de 2014

Um Canto na Rua do Silêncio




Do foco da vida se esvaiu
   todo & qualquer vazio que lá se auto-definia 1

O centro escapou em uma órbita louca para o lado escuro

É o nada do nada

O sentido conflitante de tudo que é

Carência & fartura que a alma abrange



O carrossel da vida

   a galaxia

      a constelação 2

Colapsam

Eclipsa & submerge, dispersa

   em uma aurora obscura…

 O brilho das estrelas se mostra estranho 3

Fosco nos olhos em transe

Aqueles olhos da sentelha que se dilacera & apaga…



Com a mente entorpecida

Deslocada da essência que é a senda que o espírito percorre

O corpo pesa mais do que nunca

& a lentidão se apega à existência

   como goma que não adere mais



Não há palavras que definam

   o sentido de alheiamento,

      que todo espírito, que já é um estrangeiro,

         queira definir com gritos ou sussurros

& assim subimos pela rua do silêncio até nunca mais…



…até que:

Qualquer ato prove seu sentido quando tomado,

& o sorriso seja sempre graça mesmo que doído,

A vontade esteja certa com a sua coerência,

& a fé seja de novo a dança ao som do hino, 5

Onde o corpo recupere o seu centro de gravidade,

& o amor seja de novo, ou pela primeira vez,

   afronta contra todo tipo de morte.




1- "Trinta raios se unem em uma roda. Mas o funcionamento da roda depende do espaço entre os raios. Os vasos são feitos de argila. Mas seu uso também depende do espaço vazio dentro deles.
Fazem-se as paredes, as portas e as janelas nos edifícios. Mas o uso destes também depende do espaço nele. Desta maneira, se vinculam o uso dos objetos com o espaço vazio". (Lao Tse - Tao Teh Ching)
2- “Quando eu digo que as “constelações foram surgindo de acordo com a própria evolução humana”, sendo que as Pequena e Grande Ursas e o Dragão (Polares) surgiram com o próprio MONTE MERU, etc, deixo à descrição ou bom entendimento dos V. Munindras a solução do problema, isto é, que todas as constelações estão ligadas às funções vitais do Globo Terrestre, e seres que nele habitam (como prova ZIAT ou ZAIT o ter em relação aos Tattvas, etc), por isso mesmo cada uma delas ser um verdadeiro barômetro cósmico, em relação a semelhantes funções (com vistas ao plano vital ou de Prana, Jiva, etc), que os próprios antigos, seja na Atlântida como no Egito, Índia, etc, preferiam denominar de “profecias”.”(José Henrique de Souza)
3-  O Demiurgo criador aprisionara as partículas da Divindade em três cárceres: a matéria, a razão e a moral. Para a Gnose, a matéria é considerada má por ser a causa da individuação e da limitação no homem. A razão enganaria o homem, pois, por meio dela, o homem compreende o mundo, construído como inteligível pelo demiurgo. E, compreendendo o mundo, o homem pensa que ele é bom. Compreendendo o mundo, qual cômoda gaiola de ouro, o homem se considera feliz em sua prisão cósmica Portanto, a inteligência enganaria o homem. Uma intuição mística é que o libertaria dos laços da lógica e do silogismo. A moral, explicitada nos dez mandamentos, seria a lei do Demiurgo mau. Como disse Lutero, seria preciso abolir todos os mandamentos, porque a lei de Deus fora dada a “Moisés, servo do Deus do Mal” (Cfr.F. F. Brentano, Lutero, Ed. Vecchi, 1943, pp.22).
4-  "E agora responde ao Meu dançar! Veja a ti mesmo em Mim que falo; e vendo o que faço, guarda silêncio sobre os Meus Mistérios. Se tivesses sabido como sofrer, terias o poder de não sofrer. Conhece (pois) o sofrimento, e terás o poder de não sofrer." (GRS. Mead O Hino de Jesus - Um Ritual Gnóstico)


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