10 de ago de 2014

nihilsamsara



o ~ do til
o ar da boca
a luz do escuro
o pó do chão
o vago das ruas
a inutilidade do que está vazio
a presença dos mortos
lembranças do que passou

os pingos dos ii
os atos falhos
os textos inteligentes
os desenhos de Dali
as juras de amor eterno
os olhos que se confundem
 haicais impenetráveis

a infinitude do universo
o desvio para o azul
o desvio para o vermelho
as estrelas frias
os neutrinos do sol
o conceito de tempo
as crateras do lado escuro da lua
estrelas cadentes que ninguém vê

o monge incendiado
os gastos dos mendigos
os lixeiros da cidade
as orgias dos drogados
a solidão do poeta
o paradoxo da vida
o holocausto humano
guerras para justificar a civilização

a vida dos gatos da cidade
os séculos do carvalho
os pássaros em gaiolas
os esgotos que dão nos rios
a comida inventada
os cães atropelados
a memória dos elefantes

datas inventadas
crimes postergados
dividas vencidas
amores impossíveis
apêndices da alma
geometrias não-euclidianas
crises financeiras
cirandas inúteis de suor e sangue

o s do silêncio
o a da angústia
o d do desejo
o & da ampulheta
os aa de ana
e o h de aga?
e o g do ponto?
e o x da questão?

os ventos de agosto
as chuvas de abril
o sol de setembro
o carnaval de fevereiro
o equinócio
o solstício
a lunação
e o eterno retorno

o eterno sobre o eterno
o impossível de se pensar
o Deus de Deus
a eterna jornada
escadas que não tem fim
sentidos que se invertem
agruras da datura
mil platôs para o espírito se perder
e um peso enorme que se dá em existir.


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