1 de dez de 2014

Nossas pequenas Idades de Ouro





 A Era de Ouro

   Há uma espécie de movimento coincidente do qual devemos aprender a lição para que possamos ser mais conscientes em nossa existência e consequentemente em todas nossas relações na vida.
   Podemos dizer que se entendermos esse movimento, poderemos reconciliar nós mesmos com a extensão de nossa existência dentro do tempo que temos para viver.
   É pela idílica noção da “Idade de Ouro” que devemos nos guiar.
   Falam-nos os mitos e as lendas sobre um tempo no passado onde o ser humano vivia em harmonia com seus semelhantes e com a natureza, sua vida era longínqua e não havia doenças, e Deus ou os deuses habitavam o mundo junto ao ser humano.
   Com o passar do tempo tudo se deteriorou então, os deuses abandonaram o mundo, o tempo de vida do ser humano foi se encurtando, doenças diversas começaram a afligir o corpo das pessoas, e a humanidade começou a degradar a natureza, fazer guerras e assim foi se afastando da Idade de Ouro adentrando em outras Idades até chegar à Era mais depreciada, a de Ferro.
   Os mitos e lendas são contraditórios em dizer se o ser humano poderá retornar ou não à esses tempos dourado no futuro, mas as sombras desses tempos bons perseguem os homens e mulheres como referência para seus esforços dentro da escuridão das épocas em que penetra, cada vez mais decadentes.
   Esse círuito do tetro das Eras se repetem na mente e na vida humana comum, cotidianamente.
   A infância é a Idade de Ouro pessoal de cada um, um tempo mágico e cheio de felicidade, galgado à luz da inocência e da esperança que parece que nunca irá terminar. Mas então a infância se acaba e o ser humano tem que lidar com a vida adulta e todas as suas imposições, limitações e brutalidade.
   Porém resta na mente de toda pessoa pelo menos um fagulha de esperança que o futuro lhe traga a benevolência do amor e carinho materno e da segurança proteção paterna, e ainda a sensação, nos que creem, que Deus irá guiá-los pelas mãos o caminho de cada um a uma conclusão mágica da vida, um final feliz da existência, ganhando por fim o Paraíso no pós-vida.
   O que se deveria aprender na vida, com tais mudanças de cenários, é saber fazer com que a referência de uma Idade de Ouro seja a fonte de energia para uma existência sadia, onde o arquétipo da Era Dourada deveria formatar nossos anseios, talvez rumo à uma completude existencial que signifique enfim que nossa própria luz fundamental nos ilumine nos tempos difíceis da idade adulta, que quer triturar nosso corpo e alma na selva muito além do jardim para qual tivemos que rumar.
   Seria a permanência da força da infância que e principalmente um estado de inocência, não de alienação, que devíamos por à frente no ato de conviver com outras pessoas e com o mundo.
   É a ausência deste estado de inocência que faz com que o Ego sobrepuje o Self na função de pautar a existência, onde o estado de inocência, a condição humana na Idade de Ouro, seria justamente nem isto, nem aquilo, de tudo que enrijece o coração humano.



Relacionamentos amorosos

   Talvez se usado nesse parâmetro de desenvolvimento da vida em relação aos nossos relacionamentos poderíamos levar esses mesmos relacionamentos à patamares muito mais elevados, casamentos realmente perenes e uma felicidade familiar e comunitária constante.
   O namoro é a Idade de Ouro de uma relação amorosa, estão presentes ali todos os fatores necessários para fazer de uma relação conjugal algo duradouro e harmônico.
   Com base nisso, nesses fundamentos do porque de uma relação entre duas pessoas, quando chega o momento dos grandes conflitos de uma relação, em se apelando para a paixão dos primeiros tempos, tais conflitos poderiam ser sanados com base nesse amor fundante que estava lá presente.
   O casamento deve ser então um contínuo onde duas vidas se alinham pela força primordial deste próprio relacionamento que um dia amadureceu e deixou de ser namoro e passou a ser matrimônio, justamente o amor sincero e sem empecilhos, só conjunções, que um dia fizeram duas pessoas amar uma à outra a começar pelo namoro.
   Saber estender o sentimento de namoro, que é uma espécie de amizade superior, seria então o elixir da juventude de todo relacionamento, este é o segredo de um casamento profundo entre duas pessoas. Os desafios superados naquela Idade de Ouro do relacionamento, o namoro, a admiração até pelos defeitos individuais que apaixonadamente puderam denotar um traço de personalidade a ser amado, a força desse mesmo sentimento deverá ser usado por toda a vida a dois para superarem qualquer coisa. Isto é estar sempre voltando ao começo, isto é estar sempre reavivando a Idade de Ouro de um relacionamento.
   Só que agora cabe ao ser humano adulto, consciente e experiente, implementar essa forma superior de inocência, se quiser ser feliz com a pessoa que encontrou para passar a vida junto.
   A morte de uma relação, tal qual a morte de uma Idade que se degradou e passou poderia sugerir as promessas de uma nova Idade de Ouro, um novo romance, mas na mente humana ficam as memórias do passado, definindo com uma pesada carga emocional que leva as pessoas a retomarem cada vez mais aos mesmos circuitos nocivos que podem se perpetuar, quando então se perde o controle da vida e aí se instala definitivamente a Idade de Ferro na vida do indivíduo.
   A morte de um relacionamento torna irredutível a possibilidade momentânea de se resgatar a Idade de Ouro quando aquele casal foi feliz, até que pelo menos o mundo dê as voltas necessárias para se curar tais feridas.


   Em todo caso, cabe a cada um de nós resgatar a Era Dourada que carregamos dentro de nós. Faze-la voltar é uma espécie de Arte. Seja a dois, ou só.
 

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