13 de fev de 2016

Eu sou aquilo que estou me tornando

Do filme "Livre" (Wild), do diretor Jean-Marc Vallée, com Reese Witherspoon.




[Monólogo Final:]

“Não tem como saber como uma coisa acontece e não a outra.
O que leva ao que, o que destrói o que, ou o que faz o que florescer...
Honre... Vou pegar outro caminho!
E se eu me perdoar? E se eu me arrependesse?
Mas se eu pudesse voltar no tempo, eu não faria nada diferente!
E se eu quisesse transar com cada um daqueles homens?
E se a heroína me ensinou alguma coisa?
E se todas aquelas coisas que eu fiz foram as que me trouxeram até aqui?
E se... eu nunca me regenerasse?
E se eu já estivesse regenerada?
...
‘Nunca estamos preparados para o que esperamos!’
...
Depois de me perder no deserto de meu luto,
eu encontrei uma forma de sair da minha floresta!
E eu não sabia onde é que estava indo
até eu chegar lá, no último dia da minha trilha.
...
Minha vida, como todas as vidas:
Misteriosa, inalterável, sagrada...
Tão próxima... tão presente & tão inerente a mim!
E quão natural é deixá-la acontecer!”
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“Eu sou aquilo que estou me tornando!”
                                                                         Buda Sakyamuni


    Na trilha da vida, nos encontramos com outras pessoas, muitas vezes caminhamos sós, outras com aquele que seguem a mesma direção, pessoas próximas, que permitimos aproximar e das quais nos aproximamos.
   Se é verdade que vivemos essa nossa vida um grande número de vezes, já a vivemos bilhões de vezes e iremos viver mais bilhões de vezes, da mesma forma, sem tirar nem por, em eterno retorno do mesmo, então só nos resta amá-la como ela é, com todas as dores e alegrias, todos os erros e acertos, pois não podemos mudar o passado, mas podemos viver de agora em diante de uma forma que não nos arrependamos mais e seja desejoso viver essa mesma vida de novo, e de novo e de novo, para sempre.
    Nada, nem todas as orações do mundo, nem toda a raiva e todo ódio que podemos gerar, nem toda bondade e alegria que possamos ter pode mudar um só instante do que passou... O passado está lá, para sempre, inalterável! Nenhum fingimento ou milagre existe, que possa mudar o que passou.
    Mas o futuro... nós podemos nos conscientizar disso, fazer algo didático por nós, e nos habituarmos a pensar que tudo que vivemos e viveremos irá se repetir para sempre, então podemos começar a fazer as coisas de modo que valha a pena viver, valha a pena sermos o que somos, ser aquilo que estamos nos tornando, pois aí está a única liberdade que podemos alcançar.
   Não a liberdade de sermos livres de tudo no mundo, não a liberdade para amar a Deus, não a liberdade da riqueza material, mas ser livre no sentido de nos aceitarmos integralmente, dizermos sim a tudo que passou e a tudo que virá. Abençoar o passado, com nossa estupidez vergonhosa, nossos erros infames, abençoar tudo, também o bem que fizemos, nossas alegrias, nossos momentos de honra e dignidade, e seguir em frente, continuando a abençoar tudo que chega, seja dor, seja prazer, não há outra forma de liberdade, nem escolhas, só afirmação.
    Não precisamos nem mesmo aceitar o passado, não precisamos querer o reviver de novo, precisamos apenas saber, ter consciência que o que passou é parte inerente para o que somos hoje, bem ou mal, bom ou ruim, o passado é só o passado, ele é aquilo que nos trouxe até aqui. Mas é extremamente importante, é fundamental tomarmos nossa existência em nossas mãos, mesmo sem entender tudo que está em jogo, mesmo desconhecendo a soma total das forças, e simplesmente impor aqui, nesse momento presente, um pensamento, uma palavra, um sentimento: “Sim!” Abençoada seja! Minha vida...

    Abençoada não por outros, não pelos santos ou pelos magos, abençoada não pela sociedade ou pela sorte, pelo sucesso... Abençoada por mim... que a aceitei assim!





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