11 de jan. de 2026

Dormingueira

 

Das nuvens transnoitadas
   emergem naves que cruzaram o espaço
Escondidas na água suspensa
   de nossas certezas
A madrugada passa pelo moedor da manhã
   até ter o azul sem sal do dia
Onde se apaga a sonolência das cores
   & o despertar em dores
Através da ida à lida
   através das lembranças da noite de suor
      pela culpa por ser inocente
         pelo que o amanhã proverá
Vejo nos rostos de cada um
   as taras-mil mal disfarçadas
      pela quais todos passam
         ou prosperam emperrados
No caminho para castração
   desenbainho como nave que sai da nuvem
O prefácio flácido
   que verga como vibora
      à procura da mordida
Até que o pão de toda fome recém assado
   nas cordilheiras lisas ao leste
      queime ao chão & exale o cheiro
         das engrenagens mal lubrificadas
      que erguem o sol
         & o cenário de domingo
            onde ato nenhum
               acontece
...mas sobre...viverei...



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