23 de out. de 2025

Netuno

 

Abro meu peito ao frio
Em um abraço invisível de todas lâminas cegas
Que junto ao sopro de Netuno com suas lágrimas de diamantes
Fatia & trança em chibata
A folha alta & velha do coqueiro estéril

Meu peito alvo & desprovido de abrigo
Exposto nesse vendaval, à lâmina, à chibata,
Desola a carne & fribila o verbo
Que recanta de ouvido Zé Ramalho
Nesses amanheceres congelados

É uma momentânea idade das trevas
Um lapso de Inverno dentro da Primavera
Em que se libera do Inferno
Seu bafo frio servido de carnes congeladas
Em um beijo de lábios azuis dormentes
Que nunca acontecerá...



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