18 de out de 2010

"Na Noite de Goya"



Para se amar como um deus
tem que se perder a noção do Amor.
Só como Loucura o Amor se torna
Infinito.

Intoxicado pelo excesso de Noite
   agora na fuga alucino
      vendo cupins & formigueiros
         decorando toda a paisagem,
E me permito cogitar um sonho lúcido inútil
   onde matagais baixos
      crescem nos campos lunares...


...Reflexos áridos & dissonantes de Noite...
Dos campos claustrofóbicos de euforia triste
Com sua safra abundante de corrupção divina
...


Baco me guia pela cidade noturna
Acordado noite adentro,
Baco me leva ao lado escuro da Lua
Despertando noite adentro,
Tentando desvendar nossos Mistérios...

E quando a noite clarear em dia
   dormiremos em um leito móvel;
Rodando antes no esteio rastro da Lua na noite de Goiás,
Onde se clareará para mim & para a Ninfa de negro
   toda a sua volúpia...


Belos deuses encarnados
   brincam de carne jovem,
Penetram sua divindade
   no cadáver da luz da Lua;
Belas & deliciosas feridas abertas
   como um rasgo de faca cega em negra seda;
Estuprando a madrugada...


E até a noite clarear em dia
   que já então não será possível nem para o Sol
      engolir toda nossa Vontade,
Porque para ele será impossível
   iluminar toda essa volúpia...

Baco me guia à Noite
Tudo me é mostrado & negado
E agora o brilho desse Sol
   me parece mesmo pequeno,
Ele é um brilho menor
   dentro de toda essa intoxicante & sedutora
Escuridão.

                                                                                                                                   
Para se amar deuses
tenho que perder o que não é meu:
Alma!
Só no vazio deixado por ela
se pode instalar esse Amor;
Esse é o preço de se ter o Amor do Infinito,
& eu não quero mais pagar!
Dos deuses não quero o Amor.
Para mim eles são só uma lição:
que os deuses também sofrem!
Igual à mim...

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