Humana é a arte do esquecer...
Vem a chuva forte & reconfigura tudo
A realidade de ontem apagada & tudo esquecido
Porque ontem saímos pras ruas & destruímos tudo
Mas hoje não lembramos de nada
Casas em chamas & o sangue nas mãos
Violência solta & acertos de contas
Injustiça perpetrada & a liberdade da barbárie
Mas de repente, depois da chuva, tudo volta à uma normalidade
Esquecemos da euforia do conflito
Esquecemos da bruta animalidade
Voltamos a ser os vermes covardes na pele de cordeiros
Voltamos a ser o rebanho do abate
Os campos de extermínio das igrejas locais, reformados
A escola da promiscuidade digital, reformada
A indústria da fome & doença precária, reformada
A guerra entre o ruim & o mau, reformada
Esquecemos totalmente, como se fosse irreal
& o mundo desperta de novo como se o antes de ontem fosse hoje
Deslembramos do monstro que realmente somos
O dia da fúria entre dois dias banais
Eu temo a tempestade, porque ela é das águas do rio do esquecimento
Sei que quando ela vem tudo será reiniciado
Para o acúmulo de pressão para um novo ciclo de conflitos
& eu não lembrarei dos crimes que havia cometido
Humana é a falha do esquecer...

Nenhum comentário:
Postar um comentário